evolução, transformação, socialização, teorias para a revolução

Ainda não há muitos anos, e salvo raras excepções, a bicicleta não era socialmente aceitável como meio de transporte nas vias nacionais. Alguns a consideravam um mero passatempo infantil e que, de certa forma, interferia com as actividades adultas da condução. Alguns condutores abordavam as pessoas que pedalavam com impropérios, sobre a futilidade e o direito de viajar numa bicicleta na via pública. Quem pedalava era visto como um irresponsável, apenas pelo facto de se colocar entre eles e os seus veículos velozes e espaçosos. Buzinavam porque lhes estavam a barrar o caminho! As conotações negativas à bicicleta sempre foram associadas à questão do perigo e da percepção dos riscos decorrentes. De quem conduz nem uma autocrítica à forma como se comportam e partilham a estrada.

Depois o ciclismo já era visto em várias formas de utilização. Mesmo entre aqueles que as tinham e evitavam andar de bicicleta, já a viam com outros olhos e foram-na adoptando como forma de lazer ou exercício. Andar de bicicleta é frequentemente recomendado como um exercício de baixo impacto, uma excelente forma de exercitar o corpo, aumentar a capacidade aeróbica, fortalecer o coração e os músculos. Pedalando num parque, no campo ou num rua sem trânsito, foram aprendendo ou reaprendendo a pedalar, o que aumentou a probabilidade do “novo” ciclista começar a desfrutar as pedaladas. Andar de bicicleta entre amigos tornou-se uma maneira agradável de desfrutar do ar livre, de conviver e socializar. A bicicleta individualizou a actividade física, transformou preconceitos e ao mesmo tempo abriu ciclovias, um excelente caminho para o lazer e para a socialização.

Uma bicicleta pode ser comprada por relativamente pouco dinheiro, dependendo, é claro, do tipo de bicicleta que se pretende comprar. É, à partida, bem mais barata do que frequentar um ginásio. E uma vez que a bicicleta está em casa, ali à mão de semear, é susceptível de ser utilizada em qualquer momento para exercitar o corpo e a mente. Gradualmente, o ciclismo passou a ser uma actividade do agrado de muita gente e a formação de grupos de ciclistas, de clubes de ciclismo para o todo-o-terreno, o cicloturismo, até para jogos de tacos e bolas com biclas lá pelo meio, como que reinventou a roda e o modo de dar a volta aos pedais.

Nesse ponto, algo interessante acontece. O ciclismo para o exercício físico, como uma actividade socialmente aceitável, se transforma em bicicleta como meio de transporte. Usando uma bicicleta para recados, para a escola, para o trabalho, é uma maneira natural de combinar o exercício com outras tarefas diárias. Redescobriu-se que a bicicleta também pode ser incorporada na rotina diária. É neste contexto que, mesmo os mais fervorosos dependentes do automóvel, se começou a considerar a bicicleta como algo mais do que um veículo social. A bicicleta sempre é um veículo de transporte. A mudança foi tão subtil que nem se deu conta da transformação no corpo mas que faz toda a diferença na carteira, lá isso faz.

Ao contrário de um carro, que tem um único propósito, as bicicletas são máquinas multifacetadas. Eles fortalecem o corpo e a mente, pois permitem a qualquer pessoa viajar, sob seu próprio poder, a partir de um local para outro. Dão prazer e trazem a alegria de estar ao ar livre. Proporcionam que se aprecie a sensação do vento contra a pele, a soprar através do cabelo enquanto nos deixamos ir ao longo de uma descida. Algum dia a sociedade vai esquecer o momento em que as bicicletas eram estranhas na estrada. Com massa crítica, como parte do tecido urbano, o uso da bicicleta será socialmente aceitável por pessoas de todas as idades, condições e estratos sociais, sem restrição e sem hostilidade. Simplesmente porque não existem distinções artificiais entre os utilizadores da bicicleta, criados por uma sociedade obcecada pelo carro e que vai ser ultrapassado e visto no futuro como mais uma relíquia antiga de tempos idos.

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passe a publicidade [35] Après Vélo – Live the Ride

apresvelo.com

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informação à navegação, velocipédica, pédica e ortopédica

A requalificação urbana do Eixo Viário Mouzinho/Flores está em marcha. Depois de passarem pelas ruas de Ferreira Borges e da Bolsa, neste momento as máquinas já esventraram a rua de Sousa Viterbo, a do Infante D. Henrique e parte da rua de Mouzinho da Silveira e do Largo de S. Domingos.

A obra, considerada estruturante no contexto do processo de reabilitação da Baixa da cidade, prevê rigor e qualidade no espaço urbano. Uma profunda intervenção ao nível do espaço público e infra-estruturas, desenvolve-se, entre outras, nas ruas de Mouzinho da Silveira, das Flores, Praça Almeida Garrett, Largo dos Lóios, bem como as ruas Infante Dom Henrique, das Taipas, dos Caldeireiros e de S. João (já concluída). Para além de intervenções no sub-solo, serão feitos melhoramentos à superfície, através do reperfilamento e pavimentação da via, dos passeios e arborização. O projecto prevê o forte condicionamento de trânsito automóvel na rua das Flores e de Sousa Viterbo, que ficarão assim reservadas aos peões, bem como alterações à mobilidade com a supressão do “nó” de Trindade Coelho, o que permitirá subir até S. Bento com ligação a Sá da Bandeira. A intervenção representa um investimento global da ordem dos seis milhões de euros, co-financiado por fundos comunitários. A conclusão desta obra está prevista para Outubro de 2013. A requalificação do túnel da Ribeira está também prevista.

Mais uma vez, e lembrando-me do Passeio que poderia ser mais Alegre, a meu ver perde-se de novo a oportunidade de se fazer uma requalificação mais ambiciosa. Está posta de parte a tão falada ligação do eléctrico da rua do Infante Dom Henrique até à Baixa, com linhas pelas ruas das Flores e Mouzinho da Silveira, continuamente cravejadas de estacionamento selvagem e desalinho do espaço público. O desnível acentuado das ruas, e espaço exíguo de algumas, não serão argumentos válidos para que não se privilegie a circulação ciclável (embora digam que o vão fazer) e outras infra-estruturas não rodoviárias, espaços pedonais e equipamentos de lazer apropriados às pessoas. Assim como sucede constantemente na Praça da Ribeira, rua de Cedofeita, Praça Parada Leitão, a rua das Flores não será exclusivamente pedonal. Positivo será a requalificação prevista no Largo dos Lóios, o espelho da devassa automobilista da baixa portuense. Para além da maquinaria das obras e dos carros mal estacionados, os buracos e a lama nos paralelos são também um quebra cabeças para quem pedala ou caminha por estas ruas. Quem vem da marginal, de Gaia ou da rua Nova da Alfândega, para transpor em segurança esta zona, o mais aconselhável é mesmo entrar na Ribeira. Resta então aguardar pela rápida conclusão das obras.

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fotocycle [55] o caminho

“Se não encontrarmos um, faremos o nosso próprio caminho”

Haníbal

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same old story

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vamos falar de bicicletas?

Esta manhã calhou ao Ricardo Cruz, madrugar para em dois dedos de conversa no éter com o José Candeias falar sobre biclas, do Ciclismo Urbano em Portugal e do projecto Porto Saddle Guide. Para ouvir, aos 39 minutos, mais segundo menos segundo, ali no link.

http://www.rtp.pt/programa/radio/p2756/c98886

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a fura greves

A reportagem que se segue é do ano passado e a história é sempre a mesma. Outra greve! E agora? Fura-se a greve com a bicicleta.

“Greve de Transportes? Não sei o que isso é, ando de bicicleta”

Ah, também faço greve e pedalo à mesma.

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November Sun // Bike Polo // Bicycle Film Festival // Lisbon 2012

 
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de bicicleta, uma luz ao fundo do túnel

O indício de um movimento saudável é a força interior da nossa diferença. A palavra “modo” não representa um estilo particular. Ela não dita como se dá nas vistas nem como se pedala. A forma como decidimos o nosso comportamento é só da nossa conta. Não importa quem somos, onde vivemos, que tipo de bicicleta temos, quão rápido ou lento podemos pedalar, qual a segunda pele que vestimos e o que colocamos na cabeça. A bicicleta modela o homo sapiens. De bicicleta vemos a evolução da nossa espécie, nos diferentes cantos do planeta. A ela devemos as nossas ferramentas de mobilidade. Nela encontramos a chave para o nosso futuro, para a nossa sobrevivência.

 

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o direito a tê-los no sítio

Um dos mais desencorajadores motivos para não vermos mais gente a pedalar nas ruas, dizem, é a falta de segurança que sentem no fluxo do trânsito.

A segurança a que se referirão estará relacionada com o modo agressivo e desrespeitador com que os automobilistas conduzem e ocupam o espaço nas estradas e ruas da cidade. É um facto que há pessoas ao volante que são impacientes, intolerantes e consequentemente agressivas. Não conseguem perceber que aquele que pedala à sua frente está sujeito ao seu comportamento. Nenhum cidadão consegue controlar o trânsito, melhorá-lo com apertos e insultos, com buzinadelas e intransigência. A única coisa que o automobilista controla de facto é a sua atitude e decisões. Ao controlar um veículo motorizado e pesado terá de evidenciar um comportamento calmo e compreensivo. Terá de entender claramente que é parte e a verdadeira causa do problema. Está sob o controle do automobilista entender que em cima de uma bicicleta há um outro ser humano, igual a ele, com os mesmos direitos, os mesmos sonhos, as mesmas vontades e que merece ser respeitado. Como tornar a rua mais segura? Acima de tudo partilhando-a com o devido respeito e da parte de todos, condutores, ciclistas e peões.

Faço um convite àqueles condutores que se sentem poderosos ao volante dos seus carros, que conduzem para além das regras e que muitas vezes colocam a própria vida em risco, que tenham a audácia de sentir o verdadeiro poder numa bicicleta. Sentir a verdadeira sensação de domínio absoluto e liberdade que a bicicleta oferece. O poder da determinação, o poder da superação, o poder de chegar aonde quiser com o próprio esforço físico. Usando a bicicleta, como meio de transporte ou mero passatempo, perceberiam que a vida sobre o selim pode ser, e é, muito mais divertida, muito mais gratificante.

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