a par e passo*

BRM Alto Minho #7
Na bicicleta, não há nada mais stressante do que sentir a opressão do trânsito. Andar de bicicleta acarreta algumas situações arriscadas, bem sabemos, mas se algumas estão directamente relacionadas com o nosso comportamento, muitas outras são deliberadamente ocasionadas pela acção directa de automobilistas que não ajudam. Quando não conhecem ou simplesmente se estão a borrifar para os direitos dos ciclistas, a postura ideal na estrada, a nossa reacção perante essas situações, é o “truque” eficaz e legal para a nossa segurança. Num acidente com uma bicicleta ninguém fica a ganhar.

Outrora, numa das minhas participações nos brevets randonneurs mondial, o BRM do Baixo Minho, eu experimentei isso quando à entrada de Santo Tirso um camião nos fez uma rasa a alta velocidade, com um total desrespeito para com a nossa segurança. Recordo-me bem que por sorte não acabamos no chão. Nas estradas mais movimentadas, sinuosas e estreitas, é mais difícil manobrar sem saber se se vai ser atingido por trás, a qualquer minuto. Aí, somos forçados a nos posicionar no espaço de estrada onde sentimos estar mais a salvo. Dentro da faixa de rodagem, afastado q.b. da berma, tanto quanto possível, deveremos estar o mais visíveis possível, “obrigar” o automobilista a abrandar e, quando ao nosso lado, respeitar a distância de metro e meio. A recente legislação aprovou uma distância de segurança em torno do ciclista, no entanto se o ciclista for empurrado, obrigado a andar o mais próximo à borda da estrada, isso não é seguro para si. Ele tem o direito à utilização plena da estrada.

Ao subir numa estrada de declive acentuado, estreita e sinuosa, o ciclista pedala a ritmo bem mais lento, de dentes cerrados a carregar nos pedais. Normalmente, nesta situação, o trânsito também deverá estar indo a um ritmo mais lento, pelo que têm mais tempo para nos ver. Alguns mais impacientes vão-nos amaldiçoar por estarmos ali, vão buzinar ou mesmo acelerar para expressar a sua arrogância. Temos pena. Se estamos ali a posição dum ciclista na estrada é fundamental para a sua segurança. Pode ser questionável para muitos automobilistas que julgam que o ciclista não tem o direito à estrada, mas ali o ciclista é a pessoa mais vulnerável e tem de lidar com esse assédio. Deve ser prudente na sua resposta e não reagir negativamente a fim de não agravar uma situação que poderá colocá-lo em maior risco.

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Neste recente brevet experimentamos de tudo. Circulamos em estradas com bastante movimento, sinuosas subidas, apressadas rectas, tortuosas descidas, mas notei uma mudança bastante positiva na abordagem do automobilista para com o(s) ciclista(s) que pedalava(m) à sua frente. Encontrei mais respeito na estrada. A postura a par com outro colega ciclista obriga o tráfego a abrandar para nos passar a uma velocidade segura. Dando conta do tráfego que se aproxima por de trás, ora através do som dos motores, ora avistando o tráfego através de um espelho na bicla ou incorporado nos óculos, medindo as condições da estrada e do tráfego em sentido contrário, os ciclistas esperam pela altura certa para com a mão sinalizar o automobilista indicando que pode iniciar a ultrapassagem a uma distância segura. Isso funcionou bem. Muitos automobilistas respeitaram as indicações dos ciclistas dando depois um curto toque sonoro na buzina ou um “pisca” de agradecimento. Para cada automobilista que abrandou, esperou e me respeitou enquanto utilizador da estrada, à sua passagem eu sempre acenei e disse obrigado.

Independentemente de sentimentos antagónicos que possamos ter por más experiências anteriores, é importante ser respeitador no trânsito. Acredito que um ciclista não precisa de se acanhar perante os automobilistas, basta apenas ser rigoroso e educado. Não há condutas perfeitas e saber lidar com as condições de tráfego, com más educações, más estradas e mau clima, torna o ciclismo uma experiência mais agradável e segura. O ciclismo está aqui para ficar.

* “a par e passo”: locução adverbial, proveniente do latim “pari passu” que significa “em passo igual”, que algo é levado no mesmo passo, no mesmo andar ou ritmo.
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Sobre paulofski

Na bicicleta. Aquilo que hoje é a minha realidade e um benefício extraordinário, eu só aprendi aos 6 anos, para deixar aos 18 e voltar a ela para me aventurar aos 40. Aos poucos fui conquistando a afeição das amigas do ambiente e o resto, bem, o resto é paisagem e absorver todo o prazer que as minhas bicicletas me têm proporcionado.
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apenas pedalar ao nosso ritmo.

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