commute riders on the storm

Quando a pior das tempestades atinge a zona onde vivemos, enfrentamos sérios desafios para manter o nosso dia-a-dia o mais normal possível. Neste Inverno, temos sido postos à prova com ventos fortes e chuvas intensas. Acontece que muitas pessoas, residentes em outras paragens, sempre que saem de casa de bicicleta vivem cada Inverno como um desafio pessoal. As condições, tanto as climáticas como as de percurso, são das mais difíceis e que eu jamais experimentei a pedalar. A neve e o gelo, o frio glaciar e ruas escorregadias, outras inundadas como se fossem rios, ventos ciclónicos que tornam difícil manter a bicicleta na posição vertical, são condições extremas que facilmente os faria mudar de modo de transporte ou, simplesmente, jogarem a toalha ficando em casa. Ao longo destes dias fui encontrando imagens de renitentes ciclistas que por esse mundo fora pedalam no meio da tempestade com determinação e sorrisos. Aqui ficam algumas:

India. Foto: The Associated Press

India. Foto: The Associated Press

Tokio, Japan. Foto: Franck Robichon

Tokio, Japan. Foto: Franck Robichon

UK, Foto: Dailymail

UK, Foto: Dailymail

UK, Foto: News.Yahoo

UK. Foto: News.Yahoo

USA Foto: Jonathan Maus - Bike Portland

USA, Portland. Foto: Jonathan Maus – Bike Portland

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aqui eu vivo, aqui eu pedalo…

Porto, european best destination 2014

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marcar o ponto

marcar o ponto

Optar pela bicicleta para o trabalho, para os afazeres diários ou para um simples passeio, tem se tornado mais popular entre as pessoas. No Porto e arredores, apesar de diversas dificuldades enfrentadas pelos ciclistas, os exemplos multiplicam-se a cada dia.

É o meu caso. Todos os dias, após o pequeno-almoço, deixo o carro em casa e saio para trabalhar de bicicleta. A saudável rotina de pedalar até ao centro da cidade, faça sol ou faça chuva, já dura a alguns anos. A minha residência fica distante cerca de quatro quilómetros do meu local de trabalho e para chegar ao serviço levo aproximadamente 15 minutos, nas calmas. Além de poupar tempo, o uso da bicicleta tem outros inúmeros benefícios. Ao optarmos pela utilização diária da bicicleta para o trabalho, pensamos na nossa qualidade de vida, poupamos na carteira, contribuímos para o meio ambiente, é menos um carro a circular na cidade. Ficar preso no trânsito, para além de um contratempo é burrice.

A minha escolha nem sempre é compreendida por algumas pessoas. Depreendo isso pela forma como alguns automobilistas me ultrapassam e viram à minha frente. Outros consideram que pedalar na cidade é bastante perigoso! Crêem que sou louco ao pedalar em dias de temporal! Além das actividades diárias na bicicleta, pedalo dezenas de quilómetros por semana por puro prazer. Acredito que se não fossem as dificuldades que enfrento muitas outras pessoas fariam como eu.

O número de automóveis que circula nas cidades aumentou muito. Os gestores municipais perceberam esse problema e olham agora para a bicicleta como uma opção válida de mobilidade. Bem ou mal, existem hoje mais ciclovias, há mais estacionamentos para bicicletas espalhados pela cidade, a legislação rodoviária reconheceu direitos à bicicleta e decretou deveres ao ciclista. Ainda há muitos buracos na estrada mas, mesmo assim, a pedalada vale a pena.

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can’t miss [83] tjwierda.wordpress.com

My life by bike

tj-by-bike“In December last year I decided that I wanted to change my mode of transport in the city. Where for the last two year I have constantly had an “abono de transportes” (a monthly ticket for public transport), but also having the frustration of strikes, late trains, I felt I needed to change something. More sports, better health and saving some money in the process, always good as an entrepreneur.

So, since about a month I am sailing through Madrid by bike and it really is a wonderful experience. I think I now average about 100km a week, which is quite a bit for a starter.”…

(keep reading/continua a ler aqui)

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fotocycle [116] ciclista de inverno…

porque o que tem de ser... Continuar a ler

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textos de Marcos Paulo Schlickmann [15] Estacionamento gratuito. Ou “There is no free lunch”

O problema do estacionamento gratuito é mais visível em Portugal que no Brasil. No Brasil é pouco comum estacionamento gratuito nas ruas, lojas, shoppings e prédios de escritórios. E a fiscalização é forte. Porém em Portugal a fiscalização é muito branda, as multas são baixas e há uma perceção generalizada por parte da população de que sempre se encontra estacionamento gratuito em qualquer lado, mesmo que ilegal.

Figura 1 - O espaço público de uso privado pode ser utilizado para outros propósitos?  Fonte: http://vadebike.org/2013/08/zona-verde-parklet-vaga-viva/

Figura 1 – O espaço público de uso privado pode ser utilizado para outros propósitos?
Fonte: http://vadebike.org/2013/08/zona-verde-parklet-vaga-viva/

Milton Friedman ganhou o prémio Nobel de Economia de 1976. Personagem importante da Escola de Chicago, suas ideias liberais verdadeiramente moldaram as políticas económicas do final dos anos 80 e década de 90, para o bem e para o mal. Cabe a cada um julgar. No entanto é importante admitir que ele foi sem dúvida um grande economista.

Dentre suas ideias, uma frase “meio boba”, que já existia desde a década de 30, se tornou famosa quando ele a usou como título de um livro: “There’s no such thing as a free lunch1” Ou “Não existe almoço grátis.” Muitos hoje em dia ainda têm dificuldade em compreender a real complexidade desse simples e poderoso pensamento. Basicamente o que essa frase diz é: Não há nada grátis, sempre alguém está a pagar. Pode não ser você mas alguém está sempre a pagar.

Por exemplo: A escola pública. Você não vai pagar absolutamente nada para seu filho lá estudar, mas todos os contribuintes estão a pagar os professores, funcionários, instalações, salas de aula, etc., através dos impostos.

Como havia de se esperar, as políticas liberais de Friedman tiveram grande impacto nos governos de Thatcher, Pinochet e Reagan por exemplo. E em vários setores da economia também. Estranhamente ou não, nunca ninguém se perguntou: OK, não existe almoço grátis. Mas existe estacionamento grátis?

O processo de “deselitização” do automóvel, iniciado por Henry Ford com seu Ford T, foi um dos responsáveis por “esconder” os reais custos dessa solução de mobilidade que hoje em dia todos pagamos, usando ou não. Um desses custos escondidos foi o estacionamento. E essas decisões influenciaram fortemente os efeitos de urban sprawl2 (espalhamento urbano), que levaram à deslocalização da habitação, comércio e serviços para zonas na periferia, onde a terra é barata e há espaço para parques de estacionamento gigantescos. Se tornou cómodo sair da sua garagem e ir até o shopping do outro lado da cidade e estacionar numa outra garagem. A cidade se tornou um caminho e não um lugar para se estar.

Figura 2 - Uma cidade com lugares para se estar.  Fonte: http://goo.gl/QQhbx0

Figura 2 – Uma cidade com lugares para se estar.
Fonte: http://goo.gl/QQhbx0

O estacionamento privado (fora da rua) pode ou não ser gratuito. Cabe ao dono do empreendimento decidir. Mas não se iluda: Alguém vai pagar, direta ou indiretamente, pela construção, manutenção e operação (luzes, cancelas, sinalização, segurança) de toda a infraestrutura de estacionamento. Mas já o estacionamento público (na rua) deve sim ser pago.

O professor Donald Shoup3,4,5, que já referi no artigo anterior, mostra quais os benefícios para motoristas, pedestres, transportes públicos, serviços de emergência, comerciantes, etc. de se taxar corretamente o estacionamento na rua:

Stakeholder

Benefícios

Motoristas  – Menos tempo e combustível gastos à procura de um lugar;
Pedestres  – Possível melhoria do mobiliário e ambiente urbano com o dinheiro do estacionamento;- Menos estacionamento sobre passeios e calçadas.
Restodo tráfego  – Tráfego mais fluído;- Menos estacionamento em 2ª fila.
Ciclistas  – Tráfego mais fluído;- Menos estacionamento em 2ª fila e sobre ciclovias.
Transportespúblicos  – Tráfego mais fluído;- Menos estacionamento em 2ª fila, faixas bus e paragens/pontos de autocarro/ônibus.
Serviçosde emergência  – Tráfego mais fluído;- Menos estacionamento em 2ª fila.
Comerciantes  – Mais clientes devido a maior rotatividade dos lugares.
Meio ambiente  – Menos consumo de combustível,- Menos poluição.

Tabela 1 – Benefícios da taxação correta do estacionamento na rua

Os benefícios variam também de acordo com o valor taxado. Obviamente se taxarmos de mais ninguém vai ali estacionar e os comerciantes serão os mais prejudicados, se taxarmos de menos as pessoas vão deixar o carro às 8h e retirar às 18h, prejudicando também o comerciante (menor rotatividade de clientes) e quem realmente precisa estacionar. Com bons estudos de procura/demanda sem dúvida a melhor solução preço vs. tempo é encontrada.

Acho que todos já percebem agora que, mesmo que você não pague pelo lugar de estacionamento no shopping ou pelo estacionamento na rua, você e outros estão a pagar: no primeiro caso através das compras feitas nas lojas e no segundo caso através dos impostos. Porém existem outros custos, nomeadamente custos sociais, difíceis de monetizar (encontrar um valor em dinheiro equivalente) que a sociedade paga. Vejamos as fotos abaixo:

Figura 3 - Estacionamento em 2ª fila. Fonte: http://goo.gl/j5p6sc

Figura 3 – Estacionamento em 2ª fila.
Fonte: http://goo.gl/j5p6sc

Figura 4 - Estacionamento no passeio. Fonte: http://www.passeiolivre.org/

Figura 4 – Estacionamento no passeio. Fonte: http://www.passeiolivre.org/

Figura 5 – Estacionamento na “ciclovia”. Fonte: http://www.biclanoporto.org/?p=2629

A forma mais simples de estimar o custo dos constrangimentos acima é pela medição do aumento do tempo de viagem. Um carro numa calçada ou passeio, em 2ª fila, em lugar de deficiente ou numa ciclovia vai aumentar o tempo de viagem ou de procura de um lugar para os demais, pois a capacidade de escoamento da rua/ciclovia/passeio terá uma diminuição marginal. Atribuindo um valor ao tempo de viagem (Euros ou Reais por hora por exemplo) pode-se então estimar esse “custo social”. Porém tal estimação não reflete verdadeiramente o custo infligido sobre um idoso, um deficiente ou mesmo um motorista em termos de segurança rodoviária, desconforto, stress, perda de amenidade urbana, etc.

Para terminar deixo 4 pensamentos sobre estacionamento gratuito. Estou aberto a contestação:

1. Shopping centres (centros comerciais) e estacionamento: Em Portugal, a maioria dos shoppings disponibiliza “estacionamento gratuito”. Mas não se engane, tanto no cafezinho de 0,50€ quanto na televisão de 5.000€ está incluído parte do custo do estacionamento.

Agora eu afirmo: Num shopping você paga por todas as amenidades que nos casos português e brasileiro fazem grande diferença para o conforto do cliente quando comparado com o comércio de rua. O shopping é apelativo. Quando o cliente vai fazer compra no comércio tradicional de rua do centro da cidade, ele não encontra por exemplo: ar condicionado ou aquecimento, calçadas ou “caminhos” de qualidade, seguranças, banheiros/casas de banho, estacionamento gratuito e ilimitado, playground para crianças, bancos limpos e informação. No shopping ele encontra tudo isso. Um pouco desleal com o comércio tradicional.

Mas agora eu pergunto: Os preços no comércio tradicional acabam sempre por ser mais caros, não muito mas são. Como isso é possível? No shopping o comerciante tem que pagar uma renda/aluguer mais alto que inclui todas as amenidades referidas acima, mas mesmo assim vende produtos mais baratos. Quem paga essa diferença? Adivinha: o funcionário.

2. Shoppings e os não-motorizados: Se você, usuário de transporte público, ciclista ou pedestre/peão, faz compras num shopping que possua estacionamento gratuito, atenção! Você está a subsidiar o estacionamento das pessoas que vão de carro, enquanto você não recebe nenhum subsídio.

3. Prédios públicos e estacionamento: Nas universidades, hospitais, etc. mantidos pelo poder público, há invariavelmente estacionamento gratuito para alunos, professores, médicos, enfermeiros. Porém, quem vai de transporte público, a pé e bicicleta não recebe essa “benesse”, há então uma diferença de salários: quem vai de carro recebe mais salário do que quem não vai!

Somado a isso, todo serviço público é subsidiado, logo toda população, através dos impostos, está a pagar parte da viagem de automóvel dos alunos, professores… Um bocado injusto não é?

4. A direita conservadora e o estacionamento: A uma correlação forte entre o pessoal da direita conservadora e o uso do automóvel. Como geralmente a direita tem “horror” a tudo que é serviço público e, seguindo os ensinamentos do grande Milton Friedman e outros, acham que o melhor é privatizar tudo. Incluindo os transportes públicos que são invariavelmente subsidiados. Porém eles se esquecem que o transporte individual também é subsidiado, e o estacionamento gratuito é uma das várias formas de subsídio.

É o velho ditado do “faça o que eu digo mas não faça o que eu faço”, comum nos apparatchiks tanto de esquerda quanto de direita. Privatizem o transporte público custe o que custar (solução a la Thatcher) mas não toquem no automóvel, ele é sagrado.

Referências: 

  1. http://www.amazon.com/Theres-Such-Thing-Free-Lunch/dp/0875483100
  2. http://en.wikipedia.org/wiki/Urban_sprawl
  3. http://www.streetfilms.org/dr-shoup-parking-guru/
  4. http://www.streetsblog.org/2007/12/21/donald-shoup-plays-with-parking-fees-and-matchbox-cars/
  5. http://www.uctc.net/papers/351.pdf
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ciclofilia [108] Mobilidade Urbana

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um sussurro no vento

Cosmos

Relegado para o lado mais à direita da rua, empoleirado em tubos de geometria elementar, impulsiono-me através do espaço, zunindo entre veículos, balançando nas curvas. Os fumos da combustão sobem através da atmosfera, escapo-lhes e encho as narinas com o cheiro da urbanidade. Noção e percepção, imagem, som, olhos e ouvidos bem abertos que me permitam antecipar, traçar graciosos movimentos, deslizando através da constrição urbana. Que prazer deixar para trás os carros alinhados, convencidos, enxames de ferocidade num fogo sem chama.

BRM gOrka

Por um lado, lado a lado, sob um sol escaldante de verão, pele bronzeada, suada por todos os poros, conspurcada de adrenalina, pedalo para bem longe. Uma garrafa meio vazia que se partilha e mata a sede. Em outras ocasiões, com dedos dormentes de frio, músculos tensos, nariz avermelhado, aquecido sob camadas de roupa, surge uma nuvem espessa. A chuva que me escorre pela cara e me mata a sede. O meu movimento intensifica a brisa que me sopra no rosto. A cada pedalada um sussurro no vento. Respiro a aura matinal, fria e húmida, exalo, transpiro, inspiro profundamente o proveito da velocidade.

serenata à chuva

Através da minha leveza, sinto o peso das massas de metal ao meu redor, cada mudança, cada reacção. O feitiço da estrada superando dificuldades, os declives, o espaço aberto. O equilíbrio do corpo, acção e prática que exerce um efeito calmante à mente. Parado num semáforo, permaneço, pé esquerdo preso no pedal, pé direito firme em terra firme. Muito em breve, a luz fica verde e eu empurro o pedal mais alto com a força do peso do meu corpo. Na minha bicicleta, universo microcósmico, sou potência e explosão, dono do meu próprio caminho, senhor do meu destino.

Alteza

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fotocycle [115] ex-líbris

ex-líbris

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três entrevistas, um ponto de vista

É difícil pensar num mundo onde não existam carros, mas a sua redução e “racionalização” deve ser objetivo das políticas públicas.”

Mariana Mortagua

Mariana Mortagua

“Se já sabíamos que a prática da partilha de carro ganha cada vez mais adeptos também no nosso país, foi com muito agrado que vimos o tema chegar às mais altas instâncias políticas através do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda que propôs, no final de 2013, uma recomendação ao Governo para serem criados nas entradas das autoestradas parques de estacionamento para a partilha de viaturas.

“O Bloco de Esquerda deu entrada a um projecto de resolução, que se encontra em discussão na comissão de Economia, para que o Governo institua parques para a partilha de viaturas nas entradas das auto-estradas”, de acordo com um comunicado enviado pela assessora de imprensa do grupo parlamentar, Catarina Oliveira, ao Green Savers.

A equipa do Boleia.net contatou o BE e teve o prazer de ser recebida no Palácio de São Bento para trocar ideias / propostas sobre este assunto e entrevistar a deputada Mariana Mortágua, uma das responsáveis pela inciativa.

O ex-primeiro ministro noruegês Jens Stoltenberg ia para o trabalho de bicicleta. Acha que existem hipóteses de vermos os deputados portugueses darem brevemente boleia uns aos outros para se deslocarem a Assembleia da República?

Bicicleta é possível. Não tenho conhecimento de outros casos, mas no Bloco de Esquerda já houve vários deputados a fazê-lo frequentemente. Eu faço-o de vez em quando.

Relativamente às boleias, não vejo porque não.”

(ler entrevista aqui)

O Future Cities está a fazer do Porto um laboratório vivo de soluções para as cidades

João Barros

João Barros

“É engenheiro electrotécnico de formação, e músico, sempre que pode. Responsável pelo Centro de Competências para as Cidades do Futuro da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, o académico e investigador João Barros vê-se, aos 37 anos, como uma espécie de agregador de vontades, um comunity organizer, na terminologia norte-americana. Nos últimos anos reuniu à volta do projecto Future Cities investigadores e instituições do Porto para desenvolverem, juntos, soluções que melhorem a qualidade de vida urbana. Alguma das experiências estiveram em destaque na semana que passou, num congresso internacional que, ao longo de um dia, fez do velho mosteiro de São Bento da Vitória palco da inovação.

A aplicação SenseMycity fez algo assim com as rotas para bicicleta, mostrando percursos ponto a ponto com a menor inclinação.

Exactamente. quando vamos a pedalar para o trabalho isso é muito importante. Tudo isso é possível. Uma vez montada a infra-estrutura, acho que vamos surpreender, sobretudo graças aos estudantes universitários e jovens empreendedores. E, atenção, é muito importante usar estes dados para desenvolver aplicações também para a população mais envelhecida. É um tema no qual a Comissão Europeia está muito empenhada. Nós estamos a colaborar com o grupo da professora Ana Moutinho, no departamento de Geografia, que estuda populações de idosos e tem feito um trabalho interessantíssimo de sensorização de alguns parâmetros, ainda que a uma muito menor escala. Temos de olhar para dentro da universidade, ver outros projectos que existam e que, com a nossa capacidade de captar e tratar dados, possam ganhar outra dimensão.”

 …

(ler entrevista aqui)

As Sextas de Bicicleta de Mariana Carvalho

Mariana Carvalho

Mariana Carvalho

“Mariana Carvalho, bióloga, com 36 anos e dois filhos de seis e nove anos regressou a Lisboa há dois anos e nunca mais deixou a bicicleta. Experimentou, e, mesmo com os dois filhos e a viver a meio da colina entre os Anjos e a Graça, nunca usa o automóvel durante a semana.

Activista convicta da mobilidade em bicicleta, promove-a sempre que pode junto da família, amigos e colegas de trabalho – tudo começou com uma bicicleta na garagem e hoje já são oito, que servem as deslocações citadinas dos filhos, da própria e dos pais. Venceu todos os mitos relativos à utilização da bicicleta e é um exemplo claro de uma mobilidade sustentável, tendo contribuído para uma melhoria do seu estilo de vida. Por todas as razões, e acima de tudo porque a faz sentir muito mais feliz.

Uma pessoa da praça pública que gostarias de ver a andar de bicicleta e porquê?

Os responsáveis pelo ordenamento e infraestruturas na cidade. Para que não cometessem os erros grosseiros de planeamento que são óbvios um pouco por todo o lado e que muitas vezes são anunciados como grandes obras. E para que interiorizassem que a bicicleta não é só para os outros, é possível e desejável para todos. A polícia de trânsito, também. Ficavam mais acessíveis aos cidadãos, mais alerta, e mais facilmente se aperceberiam e lidavam com o abuso que é cometido pelos automobilistas um pouco por todo o lado: na estrada, nos espaços pedonais, passadeiras, etc.”

(ler entrevista aqui)

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