na bicicleta [2] a segunda grande aventura

Sábado 30, 7 da matina. Ainda poucos se aventuravam a colocar o nariz fora da porta e já davamos as primeiras pedaladas para mais uma etapa ciclista até Fátima. Pela segunda vez aceitei o desafio do meu amigo Rui e desta feita com a companhia do Filipe, o seu irmão. Assim e bem escoltado por um enfermeiro e um agente da autoridade, para o que desse e viesse, de máquinas afinadas, bolsos cheios de calorias, num dia muito feio de Agosto, calmamente encaramos a distância de mais de 200 quilómetros que nos separava do destino. Atempadamente, havíamos já marcado a data desta espécie de “peregrinação” ciclista. Até estava esperançado em aproveitarmos as nortadas da época mas cedo nos apercebemos que Eólo estava contra nós.

Rumo ao sul, pela marginal duriense e marítima de Gaia até Espinho, a primeira hora de pedalada foi cumprida a gosto. A partir daí, até à Figueira da Foz, pela N109, nada de especial se passou senão pedalar, pedalar e pedalar, enfrentar as rajadas de vento frontal, uma chuvada forte e fazer duas bem desejadas paragens técnicas. A primeira em Aveiro para a necessária alimentação, hidratação e micção. Depois de ultrapassada a barreira psicológica dos 100 quilómetros outra paragem em Mira, e desta vez para a aquisição de uma pomadinha milagrosa que ajudasse a aliviar a tendinite e as caimbras que afligiam um dos companheiros de “route”. Contrariamente à viagem do ano transacto, em que bem cedo senti muitas dores musculares, felizmente eu encontrava-me bem. Chegados à Figueira, já muito para além das 13 horas, paramos para confortar o estômago e deixar o corpo descansar naquela relva refrescante, mas não tardou muito para voltar a sentir o rabo espalmado no selim cada vez mais desconfortável. E de novo o vento, o asfalto e aquelas rectas intermináveis até Leiria. Agora e sempre que surgisse uma pequena subidita, era já ultrapassada a um ritmo bem mais pesaroso: “Mais cedo ou mais tarde havemos de chegar, ai havemos, havemos”.

A certa altura, lá para os lados da Guia, saímos da N109 para uma estrada secundária, bem esburacada por sinal e propícia a furar pneus, mas que nos permitiu atalhar caminho. Mais uma paragem, mais uma litrada de água para o bucho e outra contra uma árvore, agora já na companhia do carro de apoio que haveria de nos trazer de volta. Aí, o vento já nem se sentia tanto mas o calor apertava, e bem. A hora prevista para a conclusão da etapa há muito que tinha já passado e ainda nos faltavam cumprir aqueles últimos e penosos 12 quilómetros da N357. Já só faltava a escalada final e a descida saborosa até a Cova da Iria. Sentindo a meta já bem perto, esgotavam-se as poucas energias de reserva até que, enfim, lá chegamos, já bem perto das 18 horas.

Depois, foi só refrescar a carcaça, trocar de equipamentos, colocar as escravas no tejadilho da viatura e voltar para casa.

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Sobre paulofski

Na bicicleta. Aquilo que hoje é a minha realidade e um benefício extraordinário, eu só aprendi aos 6 anos, para deixar aos 18 e voltar a ela para me aventurar aos 40. Aos poucos fui conquistando a afeição das amigas do ambiente e o resto, bem, o resto é paisagem e absorver todo o prazer que as minhas bicicletas me têm proporcionado.
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