ora, pois então…

… que seja, na companhia da Irene tempestade ou com a sirene da Irene dos Recursos Humanos, seja a trincar uma amêndoa de Páscoa ou a degustar um doce regional minhoto, este fim de semana é para pedalar, e muito!

Desejos de uma boa pedalada… e coiso!

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tipo catavento

As tendências climatéricas deste inverno têm estado no espectro entre o amarelo e o vermelho, passando pelo laranja, o que tem deixado à malta um horizonte bastante negro no que às pedaladas diz respeito. São Pedro levou à letra a necessidade premente de encher as barragens lusas, o que fez muito bem, escusado teria sido dar asas a três depressões do Atlântico consecutivas, baptizadas com chuvaradas e tufões, granizadas e nevões. Cá pra mim, o feiticeiro contratado para o ritual da dança exagerou na kizombada, foi o que foi!

Para início de conversa, um tal de Félix enche o céu de cumulunimbus, junta-lhe ventania forte e trovoadas que elevam o aviso para o tom vermelho. Previa-se que o dito cujo varreria a Costa Verde no fim de semana e faria a descarga do autoclismo especialmente na tarde do dia do Brevet Alto Minho. Assim, prevenindo que um afoito randonneur se visse de repente arrancado do selim e a flutuar como folha caduca, para depois ficar esmagado no asfalto, a recomendação foi levada muito a sério. O Brevet foi adiado para o sábado que vem, que é o sábado de Páscoa.

Na semana seguinte, outra tempestadezeca de seu nome Gisele, mas que não era a Bündchen, achou que me iria atrapalhar nas minhas idas e vindas de bicla para o trabalho, mas, sinceramente, nem a depressão da dita senhora nem o stress diário dos automobilistas perturbaram as commutices diárias de um pobre ciclista urbano.

Então os planos velocipédicos para a manhã deste sábado seriam, à partida, preparar minimamente a volta randoneurizada que espero fazer pelo Minho no sábado que aí vem. Já estamos na primavera e no que às pedaladas para bué, bué longe diz respeito, este meu ano #doismiledezoito está muito, muito fraquinho. Nem uma voltinha minimamente aceitável para amostra, nem uma centena de quilómetros pedalados cheguei a completar! Não só por culpa das questiúnculas climatéricas ou da falta de tempo, é sobretudo por pura preguiça.

Soavam  as cinco badaladas do relógio da igreja quando ouço algo forte bater na janela do oitavo andar! Era um tal de Hugo que fazia um ruído ensurdecedor no quarto, tão forte ao ponto de me fazer cair das nuvens. As pedras de gelo empurradas pelo vendaval contra as persianas fizeram-me repensar o programa. Amuei e ronquei para o outro lado. Às nove e tal acordo definitivamente, desta vez com uma brilhante luz solar a invadir o recesso do lar e a desafiar-me. “Bora lá!” Boto o nariz fora da janela e o panorama prometia pelo menos dar para fazer a minha voltinha habitual, entre o café da manhã e o almoço familiar em Valadares. Consultado o horóscopo e as redes sociais, a malta randonneira do BRM 400 já tinha dado a volta ao Alqueva, e fiz-me à estrada.  Já agora os meus parabéns aos bravos aventureiros, depois de 200, mais de 200k a bolinar contra o demónio é obra.

Assim, quase sem querer, ao longo do Douro com o vento pelas costas, o meu ritmo estava tão rápido que cheguei a temer bater o recorde nacional do Strava no segmento Freixo-Barragem. Tinha a nítida sensação de estar a voar, literalmente, sem tocar no chão. Afinal o Hugo era meu amigo, que me empurrava tão forte mas não tão rápido como empurrava as nuvens. Se estava um sol agradável, de súbito escurecia e me dava água pela barba (que não tenho). O abrigo das paragens dos autocarros da Gondomarense provaram ser providenciais para preservar o lombo do chuveiro gelado.

Apesar do esforço ser atribuído ao temporal eu sabia que contornada a barragem teria o Huguinho pela frente, até à frente marítima. Já na outra banda a subir para Lever, fico com a suspeita que aquelas nuvens se divertem a seguir ciclistas. Abananado pelas bruscas rabanadas de vento laterais, finquei as luvas aos drops e mantive o rabo bem colado ao selim. A qualquer momento o céu abriria as comportas e despejaria peixes em cima da minha cabeça. Bem, do céu só chuva, a potes, ao ponto do esqueleto da gOrka ficar todo lavadinho, tão branquinho que já nem me lembrava que era essa a sua cor. E já que estava todo molhado aproveitei a descida da N222 para embalar no túnel de vento evitando fazer um drift de bicicleta a saltar pocinhas.

Não sei que mal te fez o Noé para levar com 40 dias de tempestade mas se isso me acontecer no sábado eu vou aí para termos uma conversinha. Vê lá se atinas ó Pedrocas!

e no domingo ao sol e ao vento estiquei a corda para secar as humídades.

 

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a dar água sem caneco

Despego e saio para a minha pedalada rotineira. Nos finais de tarde luminosos a volta aos pedais é mais longa e demorada, o que me acelera o coração e me renova energias. A cada volta aos pedais, procuro me distrair com o Douro e o sol no Atlântico. O prazer ondulante que sinto contra a força da nortada dobra-me o esboço. Os pensamentos fogem soltos, ao vento, esboçados pelo serpenteado azul da orla e do rastro rodado constante dos meus pés. Também é vagarosa a corrente que me empurra pelo verde parque urbano. O paraíso tem este encanto, como se a luz que o atravessa me ensinasse, a mim, o caminho de regresso a casa. Deixo-me ficar na sonoridade da natureza e lanço um olhar de soslaio sobre o lago, numa mise-en-scéne convidativa para fotografar. E é aqui que percebo como a luz já vai ténue, acentuando mais as distâncias, nesta indescritível sensação que é a de estar num lugar que me pertence e ainda assim longe de casa. Aproveito cada momento.

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reciclando [38] tendências Outono/Inverno

O inverno está rigoroso do pior. A chuva e vento fortes têm fustigado este cantinho à beira mar plantado. Em outras latitudes é o frio extremo e a neve que cai. Esses factores climatéricos adversos alteram o modo de vida das pessoas e para os que usam a bicicleta em distintas circunstâncias, torna-se factor impeditivo de continuar a pedalar. Significa simplesmente uma espécie de hibernação à bicicleta, porque nem todo o ciclista ocasional quer lidar com roupa molhada e estrada escorregadia. Ok, compreendo.

Apesar do número considerável de pessoas que penduram a bicicleta, nem todo mundo vê o clima tempestuoso como um impedimento de continuar a pedalar e assim alterar as suas rotinas. Com apenas uma indumentária apropriada, assumindo comportamentos preventivos, é apenas mais uma temporada, talvez um radical desafio, nada que impeça de seguir o seu caminho sentado no selim. Nestas condições, aos olhos de quem nos gaba, somos uma alma corajosa que usa o transporte na bicicleta de forma inteligente. Obrigados!. Os ciclistas de qualquer estação destacam-se dos restantes, cujo comportamento ousado não é alterado por um qualquer chuvisco ou cenário climatérico com nome de gente. Mas aos olhos de muita boa gente não passamos de uns tipos malucos!

Ainda assim, apesar das molhas, há algo tranquilo e natural em deslizar as rodas silenciosas de uma bicicleta através da chuva, do gelo e da neve. Estes elementos são a lembrança que ocupamos o mundo natural e, como o mundo selvagem, as nossas origens não estão arraigadas aos motores e à tecnologia. Pedalar uma bicicleta não é inteiramente natural, mas é mais perto da natureza do que os veículos motorizados. Para aqueles que são corajosos e não se incomodam com a chuva, com o vento e o frio, o ciclismo pode e deve ser uma actividade para todo o ano. Pedalar no inverno é estimulante. É húmido e extrovertido, mas é ao mesmo tempo muito divertido.

#achuvanaoatrapalha

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deixa cá ver: 5 aéreos x 230 dias x 2 = … é só fazer as contas

Leio aqui que mais uma empresa, esta da Nova Zelândia, incentiva os seus funcionários a irem de bicicleta para o trabalho. E como? A agência de publicidade Make Collective decidiu pagar 5 dólares por dia aos trabalhadores que trocarem o carro pela bicicleta nas deslocações para o trabalho. E caso o funcionário cumpra esse hábito pelo menos durante seis meses, o valor será duplicado e dado como um bónus no final do ano. Dizem que esta estratégia é um convite para a mudança de hábitos, não para usar a bicicleta de vez em quando mas sim todos os dias.

“Por um tempo, pensei que seria bom incentivar o ciclismo de alguma forma, eu sou um ciclista apaixonado e o dinheiro é claramente o incentivo mais óbvio”,

disse Tim Chesney, da agência de publicidade Make Collective.

O desafio está a ter adesão dos trabalhadores que contam com um bónus na remuneração no final do mês. Elliot Gilmore, um dos funcionários, disse:

“No início, achei difícil ir trabalhar de bicicleta, mas depois, impulsionado pelo desejo de fazer disso uma coisa normal, agora vejo vantagens tanto para o bolso como para a saúde.”

De referir que a cidade de Christchurch tem mais ciclistas do que qualquer outro centro habitado da Nova Zelândia, que contam com 13 grandes ciclovias que atravessam a maior parte da cidade.

“Ah, assim também eu!”, ouço de malta amiga das biclas que vai de popó para o emprego. “Se me pagassem se calhar também o fazia!”. Eu simplesmente respondo que já o faço diariamente, há largos anos, e sem precisar que a minha entidade laboral me pague um subsídio para o fazer.

Não é a primeira vez que leio notícias onde governos e empresas, um pouco por todo o estrangeiro, promovem iniciativas do género para a mobilidade suave, para aqueles que escolhem diariamente a bicicleta no seu commute laboral. O objectivo é claro: benefícios óbvios para a saúde e forma física do pessoal, poluir menos, reduzir o tráfego e ter cidades mais sustentáveis.

Cá pela terrinha dos tesos isto é impensável. Seria um pesadelo para o governo, para os políticos e para os lobistas, perder as receitas fiscais e comerciais geradas pelo petróleo e pelos carros. A política em relação ao ciclista é muito simples: vê-lo longe, a praticar o seu bêtêtê nas ecopistas das antigas ferrovias ou então aterrorizado para que não se atreva a aventurar-se de bicla pelas ruas e estradas. Lógico: o ciclista urbano e extra-urbano desloca-se sem praticamente largar um cêntimo para toda essa corja de predadores, para quem as alterações climáticas, a poluição do ar e o congestionamento rodoviário não é problema!

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és ciclista e motorista? se conduzires envia mensagens

Semana passada, na página do Ciclismo Urbano em Portugal no Facebook, Fernando Magalhães partilhou a foto abaixo com o seguinte texto:

“Hoje, na A4 – nó de Ermesinde, exemplo de boa pedagogia por parte de um profissional”

foto: Fernando Magalhães

Parte das pessoas que usam a bicicleta eventualmente conduz um carro, um autocarro, um camião…. Há também quem apenas conduza mas tem um familiar ou um amigo que pedala. Há ainda quem simplesmente seja simpático para os ciclistas, mesmo que não consiga se imaginar a pedalar uma bicicleta no meio do trânsito. Para todos os utilizadores das estradas há mensagens, frases que podem sensibilizar a mudança de mentalidades e adoptar como natural a partilha da estrada perante a presença de ciclistas.

A fantástica iniciativa deste motorista, que também é ciclista, em aproveitar a grande superfície do seu camião para transmitir a sua mensagem num autocolante, sensibiliza e pode ajudar a melhorar a receptividade dos ciclistas nas nossas ruas e estradas, algo que acaba por torná-las mais seguras para todos.

“Quantos mais ciclistas andarem de automóvel, camião, mota… melhor ;)”

Comentário do Vitor
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raindrops keep falling on my bell…

E porque a chuva, bem típica da época, entranha-se na roupa e na pele a quem anda descapotável na rua, para o obstinado ciclista isso faz parte. Um ciclista urbano não tem de engendrar um qualquer motivo para evitar sair a pedalar à chuva.

É dia de trabalho, um dia igual a tantos outros, e como tal tem de chegar a horas. Pedalar à chuva é um passeio no parque, porque a determinação de usar a bicicleta como meio de transporte supera qualquer imprevisibilidade / pluviosidade.

Visto o casaco impremeável, as botas nos pés, o chapéu na carola e estou pronto. No caso, quando saíde casa esta manhã nem chovia! Poderia esperar a sorte e cumprir os quase cinco quilómetros de percurso a seco? Poderia. Poderia mais à frente aguardar uma aberta, mas quase sempre se corre contra o tempo. A poucas centenas de metros do telhado laboral o céu desabou-se na minha cabeça, mas nesta espécie de cruzada não há enxurrada que me demova a vontade.

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dando o devido destaque

A bicicleta na cidade

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can’t miss [188] unotrocamino.wordpress.com

Todos Pedalean // Everybody bikes

“Si hay algo que nos emociona más que ver niñxs y familias en bicicleta es ver gente adulta que usa la bicicleta como su medio de transporte diario, esto habla de una cultura ciclística madura y de una infrastructura inclusiva. Fue un deleite en nuestro paso por Italia estar en ciudades como Mestre, Mantova, Bologna, Cremona, Pavía y por supuesto Ferrara, ciudad ciclística por excelencia, donde la presencia de la bicicleta es tan fuerte.

Basta con sentarse en un café o un escaño de plaza para ver pasar ciclistas uno tras otro, niñxs, abuelxs, hombres, mujeres, madres, jóvenes…”

[…]

(read more in: https://unotrocamino.wordpress.com/2018/01/22/todos-pedalean-everybody-bikes/)

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