equilibrio e juizinho

Diz-se que não se é um verdadeiro ciclista enquanto não se der o primeiro trambolhão. Muitas histórias poderia contar sobre o rol de acidentes que tive quando pedalava as minhas bicicletas. Nem mesmo as cicatrizes que ostento, tatuadas nos joelhos, nas mãos e cotovelos, me orgulham desses feitos e não me tornam um especialista sobre este tema. Mas fui um tipo sortudo, especialmente destemido nas minhas loucuras juvenis, e sobrevivi a todos eles sem grandes traumatismos. Agora claro que já não é bem assim, a idade e o acatamento me amedrontaram.

Pois bem, eu entendo que o meu filho na sua juvenilidade e conduta radical naturalmente negligencie o risco e certos cuidados a ter enquanto pedala nas suas viagens. Como pai e ciclista compete-me adverti-lo para situações potencialmente perigosas que vai encontrar na rua. Saber antecipar, não facilitar, zelar e proteger-se, sobretudo quando pedala à noite. Que não se julgue imune a acidentes porque eles acontecem quando menos se espera. Até para cair basta estar parado! Uiii…

Segunda-feira à noite, quando regressava do treino de judo na sua bicicleta, já pertinho casa, deparou-se com um apagão total. Não havia iluminação nas ruas, e mesmo assim resolveu bêtêtar por um pequeno jardim, o que habitualmente faz para atalhar caminho.  Seguiu por carreiro de terra e pedras, completamente às escuras. Facilitou, calculou que sabia o caminho de cor e salteado, não deu conta de uma pedra solta, a roda da frente resvalou e, num repente, o chão ficou mais perto. Apareceu em casa irritado, sujo e dorido, com um joelho ensanguentado. Nada de dramatismos Rafa, são ossos do ofício.

Cuidados  a ter:

Lavar o ferimento com água ou soro fisiológico.

Limpar a ferida o mais suavemente possível e retirar todos os resíduos, como areias, terra, pele solta, para não infectar.

Um excelente curativo a ter na farmácia de casa, para a prevenção e tratamento de feridas, é o Duoderm. Aplique-o e deixe por alguns dias. É respirável, bastante resistente à água, e cura as feridas rapidamente. Basta colocá-lo sobre a ferida sem aplicar nenhuma pomada sobre ela e deixar a ferida cicatrizar.

Se vai doer? Ah pois vai. É experimentando que aprendes a ter mais cuidado…

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as binas têm uma forte atracção por este mupi!


… bicicleta & evolução, todos os dias.

Hoje, defronte do Instituto de Ciências Biomédicas, Largo Prof. Abel Salazar, Porto.

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o Porto ciclo chico… ou cycle chic, como quiserem!


Sábado, 10 de Abril na rua de O Primeiro de Janeiro com a Avenida do Bessa, Porto.

O modelo pedalava numa velha pasteleira vermelho Ferrari, ao estilo casual vestia camisa do Hermenegildo, não o  Zegna, mesmo do Hermenegildo da Alice, calças Armando da boutique Feira de Custóias,  sapatos das mais conceituadas lojas chinesas e boina exclusiva Micas, ao melhor estilo italiano.

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um pequeno acidente de percurso

No cruzamento das ruas Augusto Luso com a da Boavista, às 8 e tal desta segunda-feira, vários automóveis aguardavam a mudança do semáforo para avançar. Assim que eu surgi ao cimo da rua, como habitualmente, coloquei-me na faixa da esquerda para seguir em frente. Quem conhece esta artéria, de um sentido, sabe que infelizmente é usual deixarem ali carros estacionados em segunda fila, e hoje não era excepção. A uns dois metros da passadeira lá estava um popó preto, abandonado e com os pisca-piscas ligados. Ao lado deste, um pouquinho atrás, um veículo cinzento esperava que o verde lhe desimpedisse a passagem para ocupar o seu lugar na grelha de partida. Como a rua desce bem, naturalmente que a bicla ganha velocidade e o ciclista aproveita, só que desta vez cometi uma pequena imprudência.  Nisto o semáforo vira verde e, aqui o je, numa de aproveitar o balanço, tenta esgueirar-se entre os carros. Naturalmente que o carro cinzento também avançou e fechou-me a passagem. Vai daí, para não ficar entalado entre os dois, travei a fundo. A roda traseira derrapa no paralelo, para endireitar a bicicleta e não esmurrar os cotovelos solto o travão de trás e, já num acto de desespero e numa travagem de emergência ao bom estilo Flinstone, finco os pés no chão sem soltar o travão da frente. A dona Etielbina, ao sentir-se leve sem o peso do meu rabo no selim, qual touro enraivecido, dá um autêntico coice, levanta a roda traseira e deixa-me numa situação caricata. O condutor apercebendo-se da minha inusitada aparição para a marcha do carro, e eu, numa estranha apetência para o equilibrismo, encosto o ombro ao carro, entortando-lhe o espelho retrovisor com o braço. Com o peso da bicha sobre mim consegui ser capaz de voltar à posição normal e, sem estragar a pintura a nenhum dos carros, dominar a fera deixando cair lentamente a roda traseira no chão. Não cheguei a ver a minha cara ao espelho mas imagino que deveria estar entre o desbotado e o descorado.  Enquanto colocava a mão fora da janela e endireitava o retrovisor, o automobilista procurou garantir que eu não me havia magoado. Considerei a sua preocupação e agradeci o gesto, assegurando-lhe que estava tudo bem.

É senso comum, e já tenho idade suficiente para aprender, só que às vezes esqueço-me, que quem circula em duas rodas na malha urbana, entre veículos e peões, deve  estar atento, concentrado, acautelar-se e não facilitar para não ser surpreendido. Ficou o susto.

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“a bicicleta em vez do carro”, destaque na Freebike

Infelizmente, as cidades não estão estrutu­radas para acolher os ciclistas de forma segura. Apesar de a bicicleta ser o meio de transporte mais sustentável já inventado, e, portanto, merecedora de respeito e consideração, são poucas as ciclovias, e quase não há legislação para o uso da bicicleta. Contudo, aos poucos, o cenário está a mudar.

A revista bimensal Freebike, no seu número 17, dá um grande destaque ao uso da bicicleta na cidade em vez do automóvel (podem clicar aqui para folhear e ler a reportagem). Rui Fidalgo introduz o tema no editorial e, da página 12 à 23, o tema é desenvolvido em várias vertentes. Com o objectivo de comprovar que o uso da bicicleta é viável como meio de deslocação, mesmo numa cidade denominada das “Sete Colinas”, Paulo Guerra dos Santos,  engenheiro civil, mestre em Vias de Comunicação e Transportes, ciclista urbano desde 2008 e autor do projecto 100diasdebicicletaemlisboa.blogspot.com, ajuda a desmistificar esse conceito e, no âmbito da sua tese de mestrado “Contribuição do modo BICI na gestão da mobilidade urbana” (podem descarregar o pdf aqui), demonstra o que é evidente, que vale a pena deixar o carro na garagem.

A Freebike é uma revista de ciclismo, dedicada sobretudo à vertente desportiva com distribuição gratuita nas lojas de bicicletas.  Neste número introduziram também a bilicicleta eléctrica. Com um biketest a duas propostas, partilham com o leitor os prós e os contras de se optar por essa alternativa.

São iniciativas como estas que estimulam as pessoas, aos pou­cos, a se aventurar a pedalar pela cidade.

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bio-activa, bio-disponível, bio-dinâmica, bio-lógica, bio-diversa, bio-mecânica, bio-tônica…

Hoje, estacionada defronte o edifício das Biomédicas, Porto.

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pós laboral

A tarde estava convidativa, quase 30 graus, mais parecia uma tarde de Agosto!!! Assim que encerrei o expediente, pois eu tenho o privilégio de despegar a horas decentes, não me fiz rogado em aproveitar o que sobrava da claridade do dia. Foi picar o ponto, acelerar a pedalada na utilitária, chegar a casa, vestir o equipamento, enfiar os pés nos sapatos “castanhola” e levar a  Gorka a passear. A Gorka é uma máquina, não de alta cilindrada mas de óptimas sensações, e hoje o passeio foi um mix de emoções em convertible mode.

Para primeira etapa levei-a a circunvalar a Estrada da Circunvalação, desde a Senhora da Hora até ao Freixo. Um treininho mais intenso para desentorpecer as pernas impunha-se. Chegado à marginal, esfriei os ímpetos com a aragem do Douro e segui o rio, empunhando o telemóvel e registando com cliques fotográficos outros afeiçoados do pedal, e do vagar urbano que só uma cidade ciclável como o Porto sabe oferecer.

E pronto, já o sol desfalecia atrás de um manto cromado e obrigava-me a dar por terminado o passeio fotográfico. Depois, para justificar o duche, fui a acelerar Avenida da Boavista acima. Fica o mapa do percurso pós laboral.

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bicycle portraits

Relembrando o excelente trabalho “ciclofotográfico” sobre a cultura da bicicleta que Sérgio Moura do blogue De Bicicleta no Porto vem desenvolvendo com os seus retratos dos ciclistas do Porto, recentemente objecto de uma interessante reportagem televisiva, e enquanto dou um giro pela net, descubro um semelhante e interessante propósito de retratar e difundir o quotidiano de ciclistas, neste caso sul-africanos.

Stan Engelbrecht e um seu amigo e entusiasta das biclas, Nic Grobler, iniciaram recentemente um projecto de investigação da cultura da bicicleta na África do Sul e assim encorajar o uso das bicicletas entre todas as classes sociais. Sempre que podem, juntos ou separados, eles pedalam à procura de pessoas que usam bicicletas como um instrumento fundamental da sua existência no dia-a-dia. Dessa forma, eles arranjaram uma boa desculpa para viajar por toda a África do Sul de bicicleta e tirar fotografias, conhecendo, focando as câmaras e fotografando aqueles que usam a bicicleta no seu quotidiano. Com os fundos de doações que pretendem angariar, desejam publicar o livro “Bicycle portraits – everyday South Africans and their bicycles”. Através da publicação deste livro, querem ser capazes de capacitar a população carente para a aquisição de bicicletas, acessórios, manutenção, enfim, promover a bicicleta como um meio de transporte independente e encorajar todos a andar de bicicleta.

Vejam o filme promocional.

http://www.kickstarter.com/projects/bicycleportraits/bicycle-portraits-part-ii-everyday-south-africans-0/widget/video.html

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vale bem o esforço subir a torre

Para muita da malta das “baikes”, a bicicleta é mais um passatempo, é mais uma actividade de fim-de-semana do que um fantástico meio de transporte. O maior número de viagens feitas de bicicleta pela cidade é para o divertimento e para a prática desportiva. Pois deveria ser muito mais do que um mero passeio pelo Parque da Cidade ou pela orla marítima. Se forem levadas em conta outras actividades do dia-a-dia, como ir para o emprego, ir para a escola, fazer compras ou ir ao cabeleireiro, o índice de melhoria do estilo de vida seria mais gratificante.

Felizmente, tenho verificado que cada vez mais tripeiros vêem usando a bicicleta como meio de transporte. Aproveitando a condição física adquirida com as pedaladas sazonais, a malta das pedaladas “findesemanais” bem que poderia complementar o uso da bicicleta para muitas outras coisas do quotidiano. Atendendo ao crescente número de pessoas que pedalam aos sábados e domingos, em recreação, entendo que poderiam rentabilizar a tonificação das pernas também nos chamados dias úteis.

Porque não!? Há um consenso de que a bicicleta é usada para lazer, mas socialmente o seu uso está mais ligado ao transporte e ao uso conjugado com outros meios de transporte, especialmente os públicos. O “commute” é uma simples e prática ideia, uma espécie de juntar o agradável à útil independência que a bicicleta proporciona e assim poupar uns euros no combustível fóssil pela gratuíta transpiração.

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um pouco de azul

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