Nesta notícia tomei conta que hoje seria apresentada uma proposta do CDS e PEV na Assembleia da República para o seguro escolar passar a cobrir acidentes com velocípedes. Já o PAN propôs um grupo de trabalho sobre mobilidade relacionada com as bicicletas.
Entretanto saiu ao fim da manhã a confirmação que o parlamento aprovou na generalidade os projectos de resolução que recomendam ao Governo o alargamento da cobertura do seguro escolar às deslocações em bicicleta, bem como a adopção de medidas que aumentem a segurança.
No meu commute pós laboral, fujo dos gases de escape e do rugido mecânico para um pequeno refúgio de paz e sossego, a Cantareira. Quase a chegar à Foz do Douro, esta zona histórica da cidade do Porto resguarda um pequeno cais, porto de abrigo de pequenas embarcações onde pescadores ribeirinhos preservam tradições, concertam e arrumam as suas artes de pesca. Diz que o local deve esse nome a um tempo em que por ali existiam muitas fontes que traziam as pessoas a buscar água com as suas cantaras.
Testemunha de tantos perigos ao longo de séculos, assenta no cais a capela renascentista de São Miguel-o-Anjo, dantes com a função de farol, de fogo e facho, que orientava os navios manobrados pelos experientes pilotos na arriscada e temerosa correnteza do rio. Guarda memórias das façanhas e calamidades náuticas de que o Marégrafo foi sentinela. Da inquietação das marés que ao longo de séculos regulava o ritmo de entrada dos barcos na barra do Douro.
Então, dizia eu, desvio as rodas da bicla do meu habitual rumo e, sem incomodar as gaivotas, calco as gastas pedras do cais para ser capaz de sentir o som do rio, do vento e do faro. Dos putos das redondezas que em dias de calor vão para ali se refrescar com mergulhos destemidos para as águas do Douro, dos gabirus nem vê-los.
Dali tenho uma das vistas mais encantadoras do Porto e do largo correr do Douro, onde as águas se misturam com o sal do mar. Ao fundo, o imponente arco da Arrábida faz a ponte harmoniosa com a bela paisagem ribeirinha, de onde se avista da outra banda a Afurada e o Cabedelo. Deixo dona Tripas a reluzir sob um espelho d’agua. O Porto é uma cidade que me surpreende a cada instante e fico ali a matutar, que muitas vezes a maior beleza está em olharmos para um local de sempre e reparar na sua beleza como se fosse a primeira vez.
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Aproveito cada momento – onde é que eu já ouvi isto!:
“…Com a merda na algibeira O Chico Fininho … Da Cantareira à Baixa, Da Baixa à Cantareira…“
É com mágoa que leio nesta notícia, que o Sr. António das bicicletas está prestes a fechar a sua oficina.
“Há mais de seis décadas que António Maria Pereira, agora com 85 anos, repara bicicletas e motorizadas, no centro da cidade de Leiria. Uma história que está prestes a chegar ao fim.”
“Lembram-se dos tempos em que ter uma bicicleta era um luxo? E que para aprender a andar numa só alugando? Nós também não, mas António Pereira lembra-se como se fosse ontem. Ele próprio deu as primeiras pedaladas em bicicletas alugadas e depois fez disso negócio.”
Como é costume, depois do trabalho estou a pedalar de regresso ao lar, antes que o sol se deleite no oceano. Apesar de resplandecente, a tarde estava um pouco fria. Maldita nortada. Em busca de um quebra vento, saio da rua e sujeito os pneus ao caminho ondulante do Parque da Cidade, circundado por árvores e passarada. Deixo o meu rastro marcado na terra humedecida. Contemplo e rodo, em modo câmara lenta.
O sol estava se entregando, mas a minha camada superior já me aquecia e um fulgor de transpiração brilhava na minha testa. Um banco de jardim no meio do verde torna-me o passeio mais longo do que o previsto. Ali, o tempo parece dar um tempo. Luvas para fora. A pausa para relaxar e absorver a iluminação deu-me a oportunidade de inclinar a bicicleta e tirar-lhe mais uma fotografia.
Eu adoro esta hora do dia mais do que qualquer outra: a quietude, a solidão, a Lua que lentamente cresce. Ouvi dizer que naquela noite a sombra da Terra fará o seu brilho desvanescer!Não acordei para ver.
Retorno ao selim e esboço o regresso a casa, desenhando linhas no chão, continuando perdido em devaneios, seguindo as sombras que cresciam rápidas. Sem pressas sigo a cidade, explorando ruas escurecidas e esquecidas, de paralelo e asfalto lascado, onde poucas pessoas parecem coabitar. Ainda há muito inverno de sobra. Os dedos frios e o pingo no nariz dão um senso de alerta. Retrocedo e acelero a cadência. Abandonadas no banco de jardim, reencontrei as minhas luvas e lampiões, tristes e sós!
A primeira linha de eléctricos da Península Ibérica foi inaugurada no Porto a 12 de Setembro de 1895. Nestes quase 124 anos, a rede de linhas de eléctricos teve um importante desenvolvimento, cobrindo praticamente todo o território urbano, chegando ao centro dos concelhos limítrofes da área metromopolitana tripeira. Na segunda parte do século XX seguiu-se um processo de declínio, designadamente na década de 80, levando que este fantático meio de transporte passasse a ser praticamente marginal. Aos poucos, os eléctricos foram sendo postos de lado, desaparecendo das ruas da cidade, sendo substituídos pelos tróleis e por autocarros. Depois surgiu o metro que revolucionou totalmente a mobilidade da Invicta. Na Rotunda da Boavista, a Remisse cedeu o lugar à Casa da Música. Em Massarelos, na antiga central termo-eléctrica, foi instalado o Museu do Carro Eléctrico.
O eléctrico da Linha18 manteve-se em circulação, entre o Carmo e Massarelos, fazendo ligação com a Linha 1 que circula ao longo da Marginal do Douro, entre o Infante e o Jardim do Passeio Alegre. Em certas ocasiões especiais, é nesta linha que podemos apreciar alguns dos belos exemplares dos velhos carros de carris. Alinhados, em desfile, os eléctricos históricos saem à rua para encantar os passageiros, que os vê passar relembrando o passado. Mais recentemente ressurgiu a Linha 22, que liga o Carmo à Praça da Batalha. A Linha Turística, a Tram City Tour, também vai dando umas voltas para inglês ver.
Os carros eléctricos são uma mais-valia para a cidade. Costuma-se dizer, e com razão, que o “velho” torna a cidade mais bonita. Este é um meio de transporte muito agradável, não poluente e arejado, contemplativo, adequado ao turismo e à fruição entre importantes espaços paisagísticos do Porto. Permite que as pessoas se movimentem no centro, melhorando a mobilidade e ajudando a retirar os carros dos passeios… quer dizer, isso quando os xôres automobilistas não se lembram de deixar os seu popós sobre os trilhos (o que é recorrente), estorvando ou mesmo impedimento a circulação. Deixo ficar um desejo de ver expandida a rede de eléctricos da cidade, por exemplo a vontade de ver o eléctrico chegar ao Castelo do Queijo, de voltar a subir a Avenida da Boavista no 19 de tão boa memória, e, já agora, porque não uma ligação entre o Infante e a Estação de São Bento pela Rua Mouzinho da Silveira.
Quem anda regularmente de bicicleta na cidade já sabe que, onde existam carris de eléctrico é necessário estar mais alerta. Muitos ciclistas aproveitam o corredor entre os carris para improvisar uma ciclovia, o que é perfeitamente viável, mas terão obrigatoriamente de redobrar a atenção para que as rodas não entrem na ranhura dos carris. É também forçoso redobrar cuidados num dia de chuva, por causa da água que torna os carris muito escorregadios. De uma forma ou de outra, eu já experimentei a técnica e me estatelei no chão, várias vezes, e só vos digo, não é nada agradável, nem para o corpo nem para o ego.
Há uns anitos, quatro mais precisamente, não deixei escapar a novidade, e que novidade, dando conta neste postal do aparecimento de um estacionamento de biclas como manda a lei. O município reservou um espaço de estacionamento para bicicletas no interior do parque de estacionamento da Trindade. Assim, no espaço de parqueamento para dois carros, cravou dez robustos suportes do agrado do ciclista urbano, sem arestas agressivas à pintura das meninas, para o estacionamento de, pelo menos, vinte bicicletas a zero cêntimos à hora.
Nos entretantos, o xôres inginheiros da CMP tiveram a brilhante ideia e moveram o “baiqueparque” mais para o interior do recinto, ficando assim as biclas mais protegidas dos elementos e bem à vista dos seguranças.
no “baiqueparque” da Trindade o lema é: quantas mais melhor
Um destes dias voltei lá, e pelo que me foi dado ver, à conta da amostra e da afluência que o parque tem tido, qualquer dia a CMP terá de alargar o espaço para mais bicicletas, sacrificando assim mais um ou dois lugares aos popós… Oh, que pena!
O P3 do Público tomou conta desta rubrica e pela melhor das razões. A cada semana que passa este jornal faz publicações interessantes sobre a temática das bicicletas e da mobilidade a pedais. Hoje foi a dobrar, dois excelentes e imperdíveis artigos.
“Em 2016, era líder do ranking europeu de exportação de bicicletas; em 2017, caiu para o segundo lugar: ainda assim, Portugal tem a maior fábrica de montagem da Europa. Mas “o mercado [nacional] é pequeno e pedala pouco”. O que falta?” […]
“Em colaboração com a autarquia de Albergaria-a-Velha, José Nuno Amaro e a sua equipa desenvolveram um tipo de bicicletas especiais que ajudam os mais novos a criar cidades sustentáveis.
Imagine uma cidade em que a forma como nos movemos é completamente diferente. Não existem carros ou transportes públicos movidos a combustíveis fósseis e quase toda a população se desloca a pé, de bicicleta ou em veículos eléctricos e mais amigos do ambiente. E este não é um cenário imaginado já assim tão distante.
Foi nestas cidades do futuro que José Nuno Amaro quis acreditar e tornar “realidade” nas salas de aula de todas as escolas públicas do concelho de Albergaria-a-Velha através do projecto PréPOP, que tem nas bicicletas seu ponto fulcral. Em colaboração com a autarquia, a Nuno Zamaro Indústrias concebeu e ofereceu 88 bicicletas que vão ser partilhadas por 250 alunos para que estes aprendam tudo o que há para saber sobre um futuro sustentável.
“Incentivamos cada escola a construir a sua cidade do futuro, a partir de alguns pontos importantes que são a partilha da bicicleta e de funções dentro dessa cidade. Como não há bicicletas para todas as crianças ao mesmo tempo, estas desempenham papéis diferentes, habituais numa cidade. Um é o polícia sinaleiro, outro o dono da estação de carregamento de energia eléctrica das nossas bicicletas. Todos têm um função associada ao faz de conta recriado em cada escola”, conta José Nuno Amaro.”
O postal “Manutenção de Inverno” foi adapatado de um outro publicado em Fevereiro de 2015 / Fotografia: o pessoal da Pelago enfrenta intempéries a sério na Finlândia.
“Apesar dos dias de sol, o Inverno está aí a todo o gás e não deve faltar muito para a chuva voltar a fazer-nos companhia. Assumindo que não tens medo da água e de uma temperatura um pouco abaixo do normal e tens continuado a pedalar apesar do Verão já há muito nos ter abandonado, voltamos a trazer-te algumas recomendações para a manutenção da tua bicicleta nesta altura do ano tão exigente para as nossas meninas.
[…]
Aqui podes ler na integra o postal dos nossos amigos duendes das megastore Veloculture com as suas dicas e sugestões de manutenção para as meninas sobreviverem às agruras do inverno.
O uso do transporte individual implica questões de equidade do espaço público.
Se por um lado, o espaço “consumido” para o estacionamento de um carro, na melhor das hipóteses, é dividido por cinco passageiros, quantos passageiros de bicicleta caberiam no mesmo espaço?