bolinada à maneira

Nem mesmo a previsão de chuva e a preguiça domingueira cederam à tentação de ficar a manhã enrolado na cama. Quando ontem me levantei pela segunda vez e olhei o céu cinzento pela janela, parecia que o dia prometia uma excelente aventura e não me enganei. Saí ao encontro do Jacinto e da Patrícia para a primeira etapa do dia, até Caminha, com as biclas no tejadilho do automóvel. E a chuva abundante que entretanto apanhamos na estrada foi óptima para as deixar bem lavadinhas. A chuva foi cessando, os nossos amigos Luisa, Paula e João juntaram-se a nós e embarcamos as bicicletas no barco para a Galiza, com Baiona como destino.

Com o sol a espreitar por trás das nuvens, a parceria de fragrâncias marítimas e chuviscos manhosos, entre aldeias serenas, caminhos verdejantes para Santiago e ciclovias de asfalto, como devem de ser as ciclovias, a pedalada prosseguiu em duas pasteleiras, duas bêtêteiras e duas estradeiras, dando o peito ao vento. Mais do que a chuva, as colinas ou a corrente que teimosamente saltava, a pior coisa que houve a registar do passeio foi o vento norte que nos retardou um pouco… bastante! As problemáticas mecânicas que iam surgindo foram sendo solucionadas ao método macgyveriano. Um pau e pronto!

Se há uma lei irrevogável da física, o facto é que em certas situações os níveis crescentes de esforço não correspondem a níveis crescentes de desempenho. Essas situações envolvem tanto o vento como os declives. Tivemos alguns pontos onde as energias iam começando a faltar mas o alento paisagístico ganhava cor e nos transmitia querença. Da mesma forma, o relógio corria e nos alertava que só teríamos algumas horas até ao último barco, o mesmo que nos estenderia a ponte de regresso a casa. Ou isso ou quarenta quilómetros extra nas pernas. Contrariados, decidimos parar e lá nos sentamos à mesa para encher o papo.

Independentemente do esforço, da tenacidade, do simples prazer de pedalar,  infelizmente a velha nortada significou que a nossa velocidade fosse um processo lento e ficássemos às portas de Baiona. Depois, apenas o facto de virarmos as costas ao vento tornou a nossa pedalada mais eficiente, um aumento enorme de velocidade e ganho de tempo para a mesma quantidade de quilómetros. Resumindo, viemos a voar. Até ao ancoradouro do Rio Minho, onde ainda tivemos de esperar pelo transporte fluvial, foi uma bolinada. No geral, foi um bom e agradável passeio, a repetir um dia destes.

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ciclofilia [61] Cicloaperitivo Milestones

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fotocycle [50] bike by night

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carro vs. bike, adivinhem quem ganhou!

Na cidade, quem opta por se deslocar de carro justifica a sua preferência pelo automóvel devido ao maior conforto, segurança e rapidez que esse veículo confere em relação a outros meios de transporte. Mas será que é mesmo assim!? Podemos mesmo dizer que o carro é superior às outras formas de mobilidade urbana em curtos percursos? Mais uma vez, e sem nenhum esforço, no cumprimento rigoroso do Código de Estrada, provei que não é tanto assim. E o “desafio” proporcionou-se naturalmente. Carro vs. bicicleta / Audi R8 vs Del Sol lxi 2.0, (o 2.0 deve ser dos 2 pedais e 0 de emissões!) / a lebre e a tartaruga.

Pouco passava das 16h, demasiado cedo para o pico da rush hour, pedalava eu tranquilamente na Rua do Rosário quando por mim passa um bólide a cuspir fogo. Mais à frente, no cruzamento com a Torrinha, dei com ele igual a tantos outros da mesma espécie, parado e preso a uma luz vermelha. Valha a verdade que não é todos os dias que ultrapasso um Audi R8, daqueles que normalmente alguns futebolistas presunçosos gostam de exibir. Na Boavista volta a ultrapassar-me para depois eu voltar a apanhá-lo, aproveitando mesmo para tirar o retrato. Mais à frente apercebi-me que seguiamos a mesma direcção, e é já depois do cruzamento do Carvalhido que volto a ultrapassá-lo. Deixei de o ver, segui o meu caminho habitual, e voltei a ouvir os escapes já eu pedalava na ciclovia da Prelada enquanto ele passava em frente ao clube dos auto(i)mobilizados, vulgo ACP.

O “desafio” não teve cunho científico, mas serve para mostrar que não é um carro de cento e muitos milhares de euros que enfrenta as diferentes situações modais no trânsito citadino e faz frente a uma reles bicicleta de uns trocados. Acabo apenas por aproveitar mais esta situação, vivida com um rasgado sorriso, querendo simplesmente demonstrar que usar a bicicleta na cidade é mais eficiente e traz vantagens em relação a quem usa um automóvel, qualquer que ele seja, mesmo sem ter considerado a ocupação do espaço urbano, a poluição atmosférica, a emissão de ruídos! ziiiinnng…

Aqui o mapazinho

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andar de bicicleta

A forma como a cidade vê o uso da bicicleta está norteando mais cidadãos a transformar o seu dia-a-dia. Ver tantas pessoas que pedalam diariamente é o melhor indicador de quão ciclável é a nossa cidade. Quanto mais usarmos a bicicleta, melhor cidade teremos para todos e todos os que enfrentam o trânsito a pedais, sobre duas rodas, são agentes da transformação.

A bicicleta é considerada um meio de lazer mas é em primeira instância um meio de transporte, limpo, eficaz, barato, que merece ser respeitada como qualquer outro veículo. É possível aumentar sensivelmente a segurança dos ciclistas se nos soubermos comportar nas ruas e nas estradas. As ciclovias não são um requisito para se pedalar. O ciclista tem o direito de circular com a sua bicicleta na via pública. De fazer parte do processo de mobilidade, compartilhando livremente o espaço urbano com os carros, autocarros, motos e demais veículos. Não basta investir apenas em ciclovias, é necessário investir também em campanhas educativas e na adequação do Código de Estrada à utilização da bicicleta. Devido à falta de cultura dos cidadãos o ciclista enfrenta muitas dificuldades para ter a bicicleta como seu meio de transporte. Existe ainda muito desrespeito e algum preconceito.

A fórmula para pedalar com segurança é a combinação de educação, cidadania, respeito, planeamento de rotas e conhecimento de regras básicas. Sentindo-se capaz e motivado, na bicicleta economizamos tempo e dinheiro, cooperamos com o meio ambiente e de sobra ainda vendemos saúde, disposição e bem-estar. Andar de bicicleta não é só um estilo, é uma opção sensata e agradável de vida.

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“não cabe nem mais um alfinete”

“Parece que tudo vai cair, que não vão aguentar, mas afinal até corre bem.”

O site tvi24 divulga hoje uma bizarra galeria de imagens da Reuters que nos mostra o espírito de invenção, de habilidade e desenrasque de alguns povos, no que ao transporte de mercadorias diz respeito. São veículos completamente sobrelotados, animais elevados e subjugados ao peso da mercadoria, soluções estremas de dotados artífices da ocupação de espaços. E como não poderia deixar de ser, a capacidade, versatilidade e polivalência da bicicleta encontra-se bem representada, aliviando toda uma gama de carga de trabalhos:

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por nossa conta e risco

Será realmente perigoso andar de bicicleta ou é uma questão de inquietação, da teoria do medo? Tudo na vida envolve um risco. É simplesmente uma questão de exposição, e para cada coisa que fazemos pesam as probabilidades. Até a mais simples actividade física traz um risco inerente a danos corporais. Não há volta a dar-lhe. Quem ainda não tropeçou num tapete e deu um trambolhão? Quem ainda não engalanou a testa em cheio na porta de um armário? Por mais cuidado que tenhamos não conseguimos evitar todos os acidentes.

O factor sorte/azar está sempre presente na vida de cada um. O ciclista pode estar no lugar errado à hora errada. Pode cometer um erro catastrófico. Um automobilista pode agir por negligência, ou por dolo. O equipamento pode falhar inesperadamente. Cada um desses eventos pode mesmo ocorrer e ter consequências negativas. Mas o que fazer?

O grau de risco varia consoante o tempo e lugar. Alguns riscos podem ser minimizados com uma preparação adequada, como a manutenção da bicicleta e do equipamento de cada um. Outros não podem. Independentemente disso, é da percepção do ciclista onde e como pedalar. Embora, em alguns casos, possamos achar que algumas ruas são demasiado perigosas para andar de bicicleta, a cidade pode ser nossa amiga. O medo do ciclismo urbano pode ser atribuída mais a incerteza e à agressividade dos automobilistas do que ao risco e perigo efectivo. Mas o que se depreende, aquilo que eu depreendo, é que são mais os temores do que as probabilidades. O tamanho e a velocidade de alguns veículos que rasam as bicicletas intimida, e quem já não ouviu uma boca vociferada vinda da janela de um carro? São cães que ladram mas não mordem.

Considerações culturais, tais como a ideia peregrina de que as bicicletas existem para lazer e não pertencem à estrada, pretendem simplesmente lançar dúvidas que questionam a segurança do ciclista no trânsito. Além disso, a maioria dos que não andam de bicicleta crêem que os ciclistas são imprudentes e que contaminam as atitudes dos condutores. Quer dizer, carros que circulam pelas ruas da cidade a uma velocidade vertiginosa são o quê? Em geral, quando se fala de ciclismo, urbano ou não, apreensões e temores sobre a segurança são basicamente o que desencoraja as pessoas a usar a bicicleta no quotidiano. Mas, este não parece ser argumento suficientemente forte para avivar os receios de todos. Menos os dos ciclistas mais devotados. Certamente que algumas pessoas têm fundamentos reais para temer andar de bicicleta. Ocasionalmente, o inesperado acontece. Qualquer coisa pode acontecer, mas isso não significa que não prossigamos a pedalar.

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passe a publicidade [32] Empreendedores em duas rodas

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fotocycle [49] palhete italiano

foto: Gabriel Boyus

Uma garrafa de vinho vazia amarrada no quadro de uma bicicleta era o que se esperava ver da corrida retro de ciclismo L’Eroica. Num total de 3.000 concorrentes (2.200 italianos e 800 estrangeiros,  entre eles um duende) de todo o mundo, envergaram camisolas quentinhas de ciclismo e pedalaram míticas bicicletas. Numa tradicional competição, o evento deste ano teve lugar nas estradas de cascalho de Gaiole in Chianti, Toscania, Itália.

Aguardam-se as crónicas do nosso herói por um dia.

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fotocycle [48] Sporting

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