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fotocycle [104] mãos frias, nariz frio, coração quente…
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luzes: boas para ver, precisas para ser visto
As novas tecnologias permitem uma maior oferta de soluções para qualquer tipo de necessidades. As luzes para bicicletas tiveram a sua natural evolução. A cada dia que passa, ao que parece, essas luzes ficam ainda mais brilhantes, e a principal evolução verificada no farol das biclas é a eficiência no recurso à fonte de energia. Da lanterna a carbureto, passando pelo dínamo (que ilumina quando o ciclista começa a pedalar) até à bateria de lítio, da intensidade do brilho ao padrão luminoso, muitos anos-luz já passaram.
Mas há quem utilize a bicicleta em meio urbano e não se ilumine devidamente. Talvez encadeado pela iluminação pública, julga estar seguro porque consegue enxergar por onde vai! Ora, a maneira mais segura de andar de bicicleta à noite é ser-se visto, e para tal deve equipar-se com um bom par de luzes, pois hoje em dia basta ir a uma loja asiática para iluminar a bicicleta. Se o equipamento dura, isso já é outra história! Adiante. As soluções são mais que muitas e há agora no mercado uma vasta gama de opções a diferentes preços.
O recurso às luzes LED tornou-se comum entre os ciclistas. Algumas luzes oferecem mais que um padrão de iluminação e entre as opções, a luz intermitente, o “pisca-pisca” é o mais visto na noite, o que é para alguns automobilistas também o mais irritante! Será!? Até pode ser que seja, mas uma luz irritante é difícil de não se ver, e esse é o objectivo. Há mais prós do que contras na utilização deste tipo de iluminação. Sob certas condições, onde a bicicleta pode ser difícil de se ver, chamam melhor a atenção de um automobilista para o local onde o ciclista circula. Exemplo de momento onde a luz intermitente é benéfica é quando o ciclista circula em vias congestionadas e a atenção dos condutores está dividida em várias direcções. Em momentos como esses, onde um automobilista não espera ver uma bicicleta, o pisca-pisca das luzes pode significar a diferença entre um automobilista notar a presença de uma bicicleta e perceber o seu movimento, adequando assim a sua condução e evitando o acidente e a evasiva “ah, eu não o vi!”. O piscar das luzes proporciona mais segurança, dando ao ciclista uma vantagem psicológica e criando uma situação em que o automobilista não pode alegar que não viu a bicicleta.
Mas, o que dizer de casos em que as pessoas pedalam em estradas suburbanas moderadamente transitadas e com iluminação deficiente? Será esse tipo de padrão de iluminação necessário em tais cenários? Também é discutível. Sob essas condições, mais do que qualquer outro método de criar visibilidade, ter a bicicleta equipada com um bom foco de iluminação permanente, para enxergar bem a estrada, vestir roupas coloridas e reflectivas, que se destacam sob os faróis de um carro, ajuda um ciclista a ver e a ser visto, chamando assim a atenção de todos. Assim, existe uma vantagem de segurança definida em situações onde uma bicicleta não pode ser vista de outra forma. Tão irritante quanto as luzes intermitentes podem ser, ao usá-las fazem o ciclista sentir-se mais seguro e acredito mesmo que alguns automobilistas admitem que isso também os ajuda. Sentindo-se mais seguros, os ciclistas ficam mais propensos a pedalar à noite.
As fotos no post não serão talvez a melhor representação dessas luzes ofuscantes, a piscar, que se tornaram tão comuns em bicicletas de hoje, mas sem puxar os galões ao semi-profissional da fotografia, este foi o mais perto de capturar o pulsar do led que consegui. Existem vários métodos para tornar visível uma bicicleta, no entanto nunca é demasiado o peso de carregar um par de pilhas ou luzes suplentes, não se vá dar o caso de acabar a autonomia a meio do percurso. Deixando um pouco de lado alguma da estética e do classicismo velocipédico mas aproveitando a solução prática e tecnológica, um bom investimento é este pack de luzes recarregáveis por USB: excelentes para uso diário e intensivo, uma iluminação “para ser visto” mais que suficiente, boa autonomia, resistente à chuva e ao choque, de fixação fácil à bicicleta. É só ligar ao computador esperar 2 horas e estão recarregadas.
Publicado em tecnologia
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aquecimento central
Um dos muitos desafios que o ciclista tem de enfrentar é combater o frio e manter o corpo quente. O inverno ainda não chegou no calendário mas o ar está bem mais frio e antes de sairmos de casa a pedalar, especialmente de manhãzinha ou ao cair da noite noite, o melhor é estar preparado para quando o frio apertar. Seguindo algumas regras básicas quanto aos acessórios e vestimenta a adoptar, sabemos que a bicicleta não é mais que um aquecedor com rodas.
Não sei qual a origem da foto nem quem foi o artista da escultura. Sei que é em Apeldoorn, na Holanda, onde sabemos se pedala sem desculpas sob qualquer condição climatérica.
Publicado em ele há coisas!
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can’t miss [67] diariodigital.sapo.pt
Laura Alves: «Muitas ciclovias carecem de planeamento eficaz e são construídas para “encher o olho”»
“A bicicleta é já uma certeza nos centros urbanos. Não estamos ao nível de outros países, mas aos poucos os portugueses acordam de uma letargia incompreensível, principalmente os mais novos, que parecem livrar-se de vez da ditadura dos carros. «A Gloriosa Bicicleta – Compêndio de costumes, emoções e desvarios em duas rodas» demonstra que há algo de novo a acontecer entre nós… “
(entrevista essencial, continua a ler o artigo aqui)
A apresentação do livro “A Gloriosa Bicicleta no Porto será próximo dia 20 às 18:30 na Livraria Leya, na Latina.
Aproveitando a citação da Laura que dá título ao artigo, o Ricardo critica aqui a nova aberração cicloviária da Invicta, obra ridícula, inútil e perigosa mas que foi construída numa das fundamentais artérias da cidade.
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textos de Marcos Paulo Schlickmann [3] O carro como serviço de transporte
A diferença entre um serviço de transporte e um património.
A Suíça, este país pitoresco que nos exporta chocolates, relógios e serviços financeiros, é provavelmente o único país onde há mais famílias vivendo em casa alugada do que em casa própria1. Atualmente lá a relação é 70/30, 70% das famílias vive em casa alugada e 30% vive em casa própria. Só para efeitos de comparação, Portugal é o oposto. 20% em casa alugada e 80% em casa própria.
Mas qual é a lógica de viver numa casa alugada? Acho que todos concordam que é sempre melhor decisão comprar uma casa, ao invés de alugar. Afinal a casa é um património (uma reserva de valor) que pode ser deixado de herança ou vendido com elevado valor residual (valor ao fim de vida). Na verdade o mercado imobiliário suíço é muito particular. As casas e apartamentos são muito caros quando comparados com outros países, a população é composta por muitos imigrantes e migrantes que se obrigam a alugar.
Ok, isso tudo é muito interessante mas qual a relação com o título “A diferença entre um serviço de transporte e um património”? A relação é a seguinte: Diferente de uma casa que é um património (reserva de valor) e que a maioria das famílias concorda que comprar uma casa é a melhor opção, um carro não é. Devemos considerar o carro como um serviço de transporte e não necessariamente como um património, uma ideia que precisa ser entendida para o bem do orçamento familiar e principalmente pelos jovens, que com menos de 20 anos de idade já têm empréstimos astronómicos por um produto (não um património!) que começa a perder seu valor assim que se coloca o pé dentro dele.

Figura 1 – Brasil e seus carros caros e descartáveis. Fonte: http://valordosegurodecarro.com/consumo-de-combustivel-carros-gasolina-etanol
Eu não estou aqui defendendo que as pessoas não devam ter carro, muito pelo contrário, o carro pode ser um recurso importante para qualquer família. E acho que as melhores políticas são as que taxam de forma equilibrada a posse e o uso, e a consequente poluição, e não a compra do carro. Porém um dos piores exemplos que importamos dos EUA foi a lógica de que todos devem ter um carro e que um carro é um património. Não é um património! Diferente da casa, que dura muitos anos, o caro é como uma televisão, sua vida útil é curta e seu valor residual é irrisório. Logo que se termina de pagar é preciso vendê-lo e recomeçar o processo de endividamento e escravidão voluntária novamente. No fundo nós não estamos comprando um património, mas sim um serviço de transporte muito caro.
Exceto para carros de luxo que duram muito mais e são melhor construídos, os carros fabricados atualmente, de baixa cilindrada e conforto razoável, são verdadeiramente descartáveis. Essa lógica é muito boa para os governos: gera empregos na indústria automóvel, dá rios de dinheiro2 (o seu dinheiro suado) para os bancos em forma de juros indecentes e tira a obrigatoriedade de planear o transporte público com respeito, passando o dever de se movimentar ao cidadão. Esse é um dos motivos de termos, no Brasil mais que em Portugal, péssimos, vergonhosos, desumanos e decadentes serviços de transporte público, de infraestrutura para ciclistas e pedestres. Aliado a isso tudo, a indústria automóvel e o marketing fizeram um excelente trabalho desmerecendo o transporte público e a bicicleta, transformando-os em símbolos de fracasso, pobreza e infelicidade, e enaltecendo o automóvel como um símbolo de virilidade, sucesso e felicidade. Afinal todos temos direito de nos endividar.
Mas não vamos falar só mal dos EUA. Apesar de ser o país mais “Automobile-oriented” do mundo, eles foram um dos primeiros a perceber a diferença entre ter (património) e usar (serviço de transporte) o carro. E essa diferença foi transformada em dois serviços de transporte que estão em grande ascensão, os serviços de car sharing e car pooling. Tais serviços de transporte, juntamente com os demais existentes na atualidade e alguns conceitos básicos relacionados ao transporte de passageiros, serão explicados no próximo texto.

Figura 2 – Zipcar nos EUA. Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Carsharing
Para se ter uma noção dos custos do automóvel recomendo uma visita a estes dois sites, o primeiro para Portugal e o segundo para o Brasil:
- http://www.autocustos.com/;
- http://quatrorodas.abril.com.br/reportagens/servicos/custo-mensal-carro-752013.shtml.
Agora, cada um de nós pode se perguntar o que mais importa: ter 30.000 euros/reais na garagem a desvalorizar ou 30.000 euros/reais no banco a render.

Figura 3 – Bicicleta x Carro (O da esquerda queima gorduras e poupa dinheiro; o da direita queima dinheiro e poupa gorduras). Fonte: http://www.cycleharrogate.org/2012/05/why-cycle-harrogate-matters.html
Referências:
Publicado em parceria público-pedalada
Etiquetas carrocultura, mobilidade, outras coisas, textos de Marcos Paulo Schlickmann
1 Comentário
uma velocaixa com requinte

“Não é que faltem lá bicicletas bonitas!” Responderam-me os duendes quando fiz a vénia ao requinte de uma das novas produções da megastore do MMM. Ah pois não faltam, e a prova disso é a foto ali acima tirada numa destas tardes no “lá”, que é o bikepark improvisado no jardim da instituição onde também pico o ponto, com as motoretas em minoria.
Mal acabaram de receber as primeiras unidades das caixas de madeira que desenvolveram em mais uma colaboração com a Alice, os duendes de serviço esmeravam a Gazelle da Luísa (que podem conhecer aqui) com uma caixinha de madeira muito bem feita, que é simultaneamente robusta e… leve (dizem eles e certifico eu)
Publicado em uma boa ideia
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all night (long)
Camo & Krooked
Publicado em abanar o capacete
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check and ride safe
Publicado em outras coisas
Etiquetas bicicultura, boas ideias, coisas que vejo, infografia, manutenção, motivação
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fotografia, pintura, escrita…
Marcas do tempo num Instagram com bicicleta por assinatura
“Rodrigo Meireles ou Atumacaco, como é conhecido nas poucas redes sociais que frequenta, tem a bicicleta como assinatura das fotos no Instagram. As portas e janelas estão entre as marcas do tempo que Atumacaco procura para partilhar na rede.”
David Pintor publica um passeio ilustrado por Lisboa
“O livro, a editar pela Kalandraka, é um passeio ilustrado por Lisboa, sem texto, com uma visão pessoal de David Pintor sobre a cidade, com elementos repetidos em todos os desenho: uma bicicleta, sardinhas que voam e o próprio autor, empunhando, por vezes, um violino.
…
Em todos os desenhos há uma bicicleta vermelha, uma personagem que unifica as ilustrações e que dá o movimento para as paisagens desenhadas, e ainda a sardinha, “um símbolo muito próximo da cultura lisboeta”, disse.
O tempo, esse ladrão de bicicletas
Estratos, por Rita
“Lá em casa, há uma bicicleta. Tem rodas, pneus, pedais. Não anda. Falta-lhe o ar.
É verde. Verde, da cor da esperança e não anda por faltar-lhe o ar. O tempo lho roubou. Não lho devolveu.
Devolver é palavra do Homem. (Já alguém viu um gato devolver um rato?) …”
Publicado em divulgação
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just do it
Quando se tem um trabalho onde se permanece muito tempo sentado à frente de um computador, com as pernas debaixo da secretária, para além da rotineira pedalada matinal de quinze minutinhos para o trabalho mas sem um gostoso e proveitoso regresso a casa, só porque o clima não está de feição para uma prolongada e descontraída pedalada de final de jornada ao longo da marginal, a solução é esperar pelo fim de semana e pegar na speedy gonzalez para sacudir a carcaça com uma valente pedalada.
Só quem faz conhece a sensação de levantar antes do sol, numa manhã enevoada, comer bem, vestir o fato macaco, calibrar os pneus da bicla e sair na neblina matinal para respirar aquele ar urbano, tão fresco e puro, antes dos motores saírem ressacados das garagens. Depois, tem aquele silêncio que só as manhãs dos dias úteis, os de sábado e domingo, têm, apenas possível porque encontramos as ruas esvaziadas, sob o efeito de um viagem temporal, ou espacial, que me leva a época ou lugar que não se encontra no individualismo, na gritaria das correrias semanais.
A máquina do tempo está sempre lá, pronta e disponível, à minha espera. Qualquer bicicleta tem a vantagem e o conveniente pretexto de nos proporcionar saúde e bem-estar físico. Tem o poder de, no espaço de minutos, nos mudar o clima. Num instante envoltos na humidade do nevoeiro para logo a seguir aquecer o lombo sob um sol radioso. Qualquer bicicleta supre a rapidez de nos transportar a locais outrora coabitados, reviver momentos, conhecer pequenos recantos que de outra forma não seriam desvendados.
Volta e meia, invade-me um formigueiro nas pernas, que me atiça a rodá-las, que me leva a aproveitar o tempo, a liberdade, porque há uma estrada, um trilho, um caminho rumo a algum lugar que as rodas ainda não tocaram. Qualquer bicicleta serve a alma, a contemplação que se descortina após uma curva, o cume de uma montanha, o horizonte avistado, a sensação única de com ela termos conquistado algo com o próprio suor.
Vou mas’é desligar o computador…
Publicado em ele há coisas!
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