antiga, mui ogre e sempre fiel, Dona Etielbina

Há coisas que aparecem na nossa vida quando precisamos delas e que depois deixamos ir, quando alguém precisa delas mais do que nós. Mas tem coisas na vida que não damos. E muito menos vendemos. Livros, discos de vinil, computador 486 e bicicletas são algumas delas. Não há como pôr um preço na história. Mesmo quando ganhamos uma bicicleta nova, a velha e gasta bicla que nos ajudou a escrever a história irá permanecer, pronta a ser levada connosco e continuar a nossa narrativa. E, nesse devaneio, ontem dei conta de estar a recordar isso tudo. Percebi que me lembro de todas as bicicletas que tive. De como chegaram e de como se foram. Nem sei bem porque passei um bom tempo da minha vida, muitos anos sem bicicleta! 

Etielbina.

Comprada segundo o meu código ético, foi nela que voltei ao duro selim para rodar as pernas. Aos poucos adaptada às minhas necessidades, me manteve em forma e afastou a melancolia dos dias curtos. Foi nesta bicicleta que virei definitivamente um ciclista, fortuito, entusiasta, constante, porque a vida é mais gostosa a pedalar. Depois chegaram outras. Os meses foram passando desde a derradeira vez que a pendurei na garagem, lá longe na casa paternal, e ela lá foi ficando, negligenciada, porém guardada.

A gOrka anda rabugenta, a Maria só sai à chuva e a Alteza, nem me quero lembrar, está empenada! snif… Ultimamente tenho passado mais tempo na garupa da Cósmica, mas a ingrata embirrou comigo, vá lá perceber porquê! Depois de duas recentes odisseias inesquecíveis de longos quilómetros a penantes (leva o kit pá, leva o kit…), pelo menos ontem deixou-me chegar são e salvo à casa paternal. E quando mais tarde me preparava para regressar ao Porto fui dar conta do pneu traseiro em baixo, chato pela terceira vez numa semana!!! Chiça pá!… Sem remendos, câmara ou pachorra para mais um frete, dona Etielbina, pendurada na garagem, no banco de reservas, piscou-me o led pronta para solucionar o problema deste seu dono desnaturado. Chamada a jogo, depois de uma borrifadela na corrente e duas sopradelas nos pneus, foi uma cavalgada louca. O corpo solto nas curvas, pura coxa rua D. Pedro V acima, da praia da Madalena à Prelada. De todas as bicicletas que contribuíram para o meu progressivo equilíbrio, foi sobre as suas duas rodas que definitivamente me coloquei nos eixos.

Etielbina..

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Sobre paulofski

Na bicicleta. Aquilo que hoje é a minha realidade e um benefício extraordinário, eu só aprendi aos 6 anos, para deixar aos 18 e voltar a ela para me aventurar aos 40. Aos poucos fui conquistando a afeição das amigas do ambiente e o resto, bem, o resto é paisagem e absorver todo o prazer que as minhas bicicletas me têm proporcionado.
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apenas pedalar ao nosso ritmo.

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