um assunto chato

Pelo insólito número de recentes infortúnios ocorridos com amigas e amigos ciclistas urbanos (a quantidade de vidros partidos espalhados pelas ruas da Querida Imbicta dava para envidraçar a Baixa), lembrei-me de voltar a este assunto chato. Imagina a cena: Vais a pedalar tranquilamente para o trabalho e subitamente um dos pneus fica chato! Tão chato como este assunto. Certamente que já passaste por isto, pela chatice de ter um furo. Depois de rogares pragas e maldições, vais dar conta da longa caminhada que terás pela frente até ao escritório e, ainda por cima, a arrastar penosamente a pobre bicicleta. Nada de pânico, sempre podes pedir a um velho amigo que te desenrasque o frete ou, por dez euros, dar que fazer a um mecânico das biclas!

Mas o melhor mesmo é teres sempre contigo aquilo a que chamo um kit de sobrevivência (remendos, cola, lixa, alavancas de pneu, bomba de ar e, porque não, uma ou duas câmaras-de-ar suplentes).

A solução do problema é fácil. Vira a bicicleta de rodas para o ar e retira a roda que furou. As rodas de aperto rápido são simples de tirar, já para as que estão aparafusadas é necessário ter à mão uma chave para as desaparafusar (inclui-la no kit).

Uma por uma, vai entalando as alavancas para retirar o pneu do respectivo aro. Força ligeiramente até que o pneu se solte do aro. Depois retira a câmara-de-ar para fora do pneu e volta a enchê-la com a bomba para localizar o furo. Dependendo do tamanho do furo, a câmara-de-ar encherá mais rapidamente, ou não. Por vezes basta escutar o som do ar que escapa para detectar o orifício na borracha. Outra técnica é segurar a câmara-de-ar debaixo de água e procurar bolhinhas de ar que se escapam. Estas indicam a localização do furo.

Detectado e bem seco o local do furo, com uma lixa raspa a borracha circundante da câmara. A parte rugosa que vai ficar, vai reter mais facilmente a cola. Aplica uma boa quantidade de cola em cima e à volta do orifício, certificando que cobre uma área maior do que o remendo que pretendes aplicar, o qual, por sua vez, deverá ser suficientemente grande para cobrir completamente o orifício. Quando a cola tiver secado parcialmente, mas ainda estiver mole, aplica mais um pouco na parte inferior do remendo, coloca-o sobre o orifício e pressiona com afinco durante alguns minutos.

Antes de recolocar a câmara-de-ar, inspecciona a parte exterior e tacteia a parte interior do pneu e vê se sentes alguma coisa a picar. O objecto causador do furo poderá ainda lá estar: um prego, um espinho, cacos de vidro, etc. Caso encontres algo estranho, retira-o e atira-o para bem longe rogando-lhe mais pragas pelo azar que te deu. Aproveita para observar com cuidado o estado das fitas internas dos aros. Depois, volta a encher a câmara-de-ar apenas com o ar sufi­ciente para adquirir forma antes de voltar a inseri-la no pneu, introduzindo primeiro a válvula de ar no respectivo orifício do aro. Certifica-te de que esta está direita, evitando torcer a câmara-de-ar neste processo. Com os dedos volta a colocar o pneu dentro do aro (cuidadosamente com o auxilio das alavancas apenas caso o pneu resista).

Bombeia um pouco mais de ar, de modo a verificar que a câ­mara-de-ar não ficou presa entre o aro e o pneu. Depois, fixa a roda e enche completamente o pneu de ar. Monta na bicla e recomeça a pedalada para o trabalho, caso ainda estejas para aí virado.

Actualmente existem disponibilizadas no mercado algumas soluções para evitar ou retardar uma das situações mais incómodas para todo o ciclista. Para minimizar furos nos pneus, quem ainda não ouviu falar ou não experimentou colocar uma fita de kevlar anti-furo entre o pneu e a câmara-de-ar, ou usar um produto selante, reparador de furos na câmara-de-ar? Evitar ao máximo esta situação desagradável também pode estar associada à maior segurança do ciclista, tanto pela situação do pneu furado, como pelo facto de deixar o ciclista mais vulnerável ao ter que parar na estrada para resolver o problema.

Não dispenso relembrar o cuidado que o ciclista deve ter para evitar potenciais ameaças aos seus pneus. Recomenda-se que opte por pneus e câmaras de boa qualidade; ter o cuidado de calibrar os pneus com a pressão de ar indicada; procurar evitar locais potencialmente cravejados de resíduos e objectos que possam danificar os pneus; não pedalar demasiado próximo da berma. Evitar os buracos e zonas irregulares na estrada. Antes de começar a pedalar, não esquecer de inspeccionar bem como está o piso dos pneus.

Mais vale prevenir e continuar a pedalar. Boas pedaladas…

Ah… estás intrigado com a ultima imagem? Pois aquele pneu “faquirizado” com pregos continua a rolar em prefeitas condições. Espreita aqui para ficares a saber como isso é possível.

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Sobre paulofski

Na bicicleta. Aquilo que hoje é a minha realidade e um benefício extraordinário, eu só aprendi aos 6 anos, para deixar aos 18 e voltar a ela para me aventurar aos 40. Aos poucos fui conquistando a afeição das amigas do ambiente e o resto, bem, o resto é paisagem e absorver todo o prazer que as minhas bicicletas me têm proporcionado.
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10 respostas a um assunto chato

  1. Obrigado, Paulo, é sempre bom ouvir falar quem sabe sobre estas coisas.
    No último fim de semana substituí uma câmara de ar na minha Claud Butler e quase desisti, porque o pneu estava colado à jante num dos lados, mas lá consegui in extremis.
    Vou passar a andar com o material necessário, com o Verão e as perspectivas de sair um bocado por fora, isso torna-se obrigatório.

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  2. Anónimo diz:

    mais fácil e rápido que levar os remendos, é levar uma câmara de ar suplente… poupa metade do trabalho e 75% do tempo

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  3. brinkle diz:

    Numa viagem para o trabalho fica muito mais prático levar uma câmara de ar extra em vez de aplicar os remendos… poupa-se imenso tempo e trabalho caso aconteça um furo. E as câmaras de ar são relativamente baratas.

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  4. paulofski diz:

    Grato pelos vossos comentários. Precisamente, 2 câmaras-de-ar suplentes estão incluídas no meu kit de sobrevivência e evidentemente que a sua substituição é bem mais rápida. Este post foi escrito no sentido de explicar o processo de remendar furos (à moda antiga). Trazer connosco um spray reparador é ainda mais rápido mas muito menos interessante. Aperta-se aquilo à válvula e esguicha-se espuma com ar lá para dentro! Não se suja as mãos e nem nada resta para contar aos nossos amigos! Não é? 😉

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  5. Anónimo diz:

    Sim, o spray é ainda mais rápido, mas tem a desvantagem de não funcionar para furos maiores… de resto, de acordo com tudo.

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  6. paulofski diz:

    Uma vez trocada a câmara-de-ar por outra nova durante a pedalada não a deitem a furada ao lixo. Depois, em casa e com toda a tranquilidade, podem aplicar o velho remendinho e reciclar a câmara furada.

    E quando se fura longe de casa e não temos câmara suplente, nem remendos, nem spray, nem ninguém que nos valha, apenas uma bomba de ar que nos valha, e vá lá, outro desenrasque possível é retirar a câmara do pneu, procurar o furo e com a ajuda dos dentes da roda pedaleira fazer um rasgo completo na borracha, e finalmente dar um nó cego, bem apertado, às duas extremidades da câmara. Depois colocar a câmara no pneu, forçar para que entre pois terá um diâmetro menor, entalar o pneu no aro e encher. Vão ver que dará para chegar a casa.

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  7. Anónimo diz:

    é leglzinho esse site

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