— Henri Desgrange, L’Équipe article of 1902
Então, já agora, que atingi a barreira psicológica dos forty-five… as for me uma italiana fininha dessas até que não seria mal pensada, nossignore!
Então, já agora, que atingi a barreira psicológica dos forty-five… as for me uma italiana fininha dessas até que não seria mal pensada, nossignore!
Filmes rodados nas bicicletas…
…e de bicicleta, à fartazana aqui.
“The Bicycle Film Festival has been a major catalyst for the urban bike movement, one of the most powerful and culturally relevant forces of the last decade. The BFF is sure to carry this momentum into the next decade.”
Renovando o grande apreço, chega a ser paixão, que tenho pela minha Etielbinazinha, foi do filme “O Padrinho”, de Francis Ford Coppola, mais especificamente da mítica cena da cabeça de cavalo decepada deixada na cama de um influente produtor de Hollywood, que relembrei, e associei numa metáfora, mais ou menos à nora, para narrar a surpresa e espanto que tive ontem após o regresso do almoço. Então não é que chego ao gabinete e deparo com a roda da minha bicicleta misteriosamente largada debaixo da minha mesa de trabalho! Passada a minha estupefacção, de imediato dei conta que afinal não seria um recadinho ao pior estilo de Don Vito Corleone. O meu amigo Rui, companheiro de longas pedaladas e colega de trabalho, coadjuvado por outros dois mafi… comparsas, tiveram a delicadeza de me pregar esta partida. Passaram pelo “bike parque”, retiraram a roda e deixaram-me a bina literalmente de joelhos. Para mais tarde, ficou a triste figurinha deste vosso amigo, pelos corredores da instituição afora, com roda debaixo do braço e sob o olhar curioso de quem comigo cruzasse. Que não me julguem zeloso e convencido como Mr. Bean, que retirava o volante do seu Mini pensando assim evitar ser roubado! E também não sou rancoroso e perverso como Don Vito. Mas meu amigo Rui, não esperas pela demora, a vendetta será servida a quente já na próxima longa pedalada.
Até uma roda de bicicleta serve para uma boa gargalhada, à roda com os amigos.
Diz-se que não se é um verdadeiro ciclista enquanto não se der o primeiro trambolhão. Muitas histórias poderia contar sobre o rol de acidentes que tive quando pedalava as minhas bicicletas. Nem mesmo as cicatrizes que ostento, tatuadas nos joelhos, nas mãos e cotovelos, me orgulham desses feitos e não me tornam um especialista sobre este tema. Mas fui um tipo sortudo, especialmente destemido nas minhas loucuras juvenis, e sobrevivi a todos eles sem grandes traumatismos. Agora claro que já não é bem assim, a idade e o acatamento me amedrontaram.
Pois bem, eu entendo que o meu filho na sua juvenilidade e conduta radical naturalmente negligencie o risco e certos cuidados a ter enquanto pedala nas suas viagens. Como pai e ciclista compete-me adverti-lo para situações potencialmente perigosas que vai encontrar na rua. Saber antecipar, não facilitar, zelar e proteger-se, sobretudo quando pedala à noite. Que não se julgue imune a acidentes porque eles acontecem quando menos se espera. Até para cair basta estar parado! Uiii…
Segunda-feira à noite, quando regressava do treino de judo na sua bicicleta, já pertinho casa, deparou-se com um apagão total. Não havia iluminação nas ruas, e mesmo assim resolveu bêtêtar por um pequeno jardim, o que habitualmente faz para atalhar caminho. Seguiu por carreiro de terra e pedras, completamente às escuras. Facilitou, calculou que sabia o caminho de cor e salteado, não deu conta de uma pedra solta, a roda da frente resvalou e, num repente, o chão ficou mais perto. Apareceu em casa irritado, sujo e dorido, com um joelho ensanguentado. Nada de dramatismos Rafa, são ossos do ofício.
Cuidados a ter:
Lavar o ferimento com água ou soro fisiológico.
Limpar a ferida o mais suavemente possível e retirar todos os resíduos, como areias, terra, pele solta, para não infectar.
Um excelente curativo a ter na farmácia de casa, para a prevenção e tratamento de feridas, é o Duoderm. Aplique-o e deixe por alguns dias. É respirável, bastante resistente à água, e cura as feridas rapidamente. Basta colocá-lo sobre a ferida sem aplicar nenhuma pomada sobre ela e deixar a ferida cicatrizar.
Se vai doer? Ah pois vai. É experimentando que aprendes a ter mais cuidado…
… bicicleta & evolução, todos os dias.
Hoje, defronte do Instituto de Ciências Biomédicas, Largo Prof. Abel Salazar, Porto.

Sábado, 10 de Abril na rua de O Primeiro de Janeiro com a Avenida do Bessa, Porto.
O modelo pedalava numa velha pasteleira vermelho Ferrari, ao estilo casual vestia camisa do Hermenegildo, não o Zegna, mesmo do Hermenegildo da Alice, calças Armando da boutique Feira de Custóias, sapatos das mais conceituadas lojas chinesas e boina exclusiva Micas, ao melhor estilo italiano.
No cruzamento das ruas Augusto Luso com a da Boavista, às 8 e tal desta segunda-feira, vários automóveis aguardavam a mudança do semáforo para avançar. Assim que eu surgi ao cimo da rua, como habitualmente, coloquei-me na faixa da esquerda para seguir em frente. Quem conhece esta artéria, de um sentido, sabe que infelizmente é usual deixarem ali carros estacionados em segunda fila, e hoje não era excepção. A uns dois metros da passadeira lá estava um popó preto, abandonado e com os pisca-piscas ligados. Ao lado deste, um pouquinho atrás, um veículo cinzento esperava que o verde lhe desimpedisse a passagem para ocupar o seu lugar na grelha de partida. Como a rua desce bem, naturalmente que a bicla ganha velocidade e o ciclista aproveita, só que desta vez cometi uma pequena imprudência. Nisto o semáforo vira verde e, aqui o je, numa de aproveitar o balanço, tenta esgueirar-se entre os carros. Naturalmente que o carro cinzento também avançou e fechou-me a passagem. Vai daí, para não ficar entalado entre os dois, travei a fundo. A roda traseira derrapa no paralelo, para endireitar a bicicleta e não esmurrar os cotovelos solto o travão de trás e, já num acto de desespero e numa travagem de emergência ao bom estilo Flinstone, finco os pés no chão sem soltar o travão da frente. A dona Etielbina, ao sentir-se leve sem o peso do meu rabo no selim, qual touro enraivecido, dá um autêntico coice, levanta a roda traseira e deixa-me numa situação caricata. O condutor apercebendo-se da minha inusitada aparição para a marcha do carro, e eu, numa estranha apetência para o equilibrismo, encosto o ombro ao carro, entortando-lhe o espelho retrovisor com o braço. Com o peso da bicha sobre mim consegui ser capaz de voltar à posição normal e, sem estragar a pintura a nenhum dos carros, dominar a fera deixando cair lentamente a roda traseira no chão. Não cheguei a ver a minha cara ao espelho mas imagino que deveria estar entre o desbotado e o descorado. Enquanto colocava a mão fora da janela e endireitava o retrovisor, o automobilista procurou garantir que eu não me havia magoado. Considerei a sua preocupação e agradeci o gesto, assegurando-lhe que estava tudo bem.
É senso comum, e já tenho idade suficiente para aprender, só que às vezes esqueço-me, que quem circula em duas rodas na malha urbana, entre veículos e peões, deve estar atento, concentrado, acautelar-se e não facilitar para não ser surpreendido. Ficou o susto.
Infelizmente, as cidades não estão estruturadas para acolher os ciclistas de forma segura. Apesar de a bicicleta ser o meio de transporte mais sustentável já inventado, e, portanto, merecedora de respeito e consideração, são poucas as ciclovias, e quase não há legislação para o uso da bicicleta. Contudo, aos poucos, o cenário está a mudar.
A revista bimensal Freebike, no seu número 17, dá um grande destaque ao uso da bicicleta na cidade em vez do automóvel (podem clicar aqui para folhear e ler a reportagem). Rui Fidalgo introduz o tema no editorial e, da página 12 à 23, o tema é desenvolvido em várias vertentes. Com o objectivo de comprovar que o uso da bicicleta é viável como meio de deslocação, mesmo numa cidade denominada das “Sete Colinas”, Paulo Guerra dos Santos, engenheiro civil, mestre em Vias de Comunicação e Transportes, ciclista urbano desde 2008 e autor do projecto 100diasdebicicletaemlisboa.blogspot.com, ajuda a desmistificar esse conceito e, no âmbito da sua tese de mestrado “Contribuição do modo BICI na gestão da mobilidade urbana” (podem descarregar o pdf aqui), demonstra o que é evidente, que vale a pena deixar o carro na garagem.
A Freebike é uma revista de ciclismo, dedicada sobretudo à vertente desportiva com distribuição gratuita nas lojas de bicicletas. Neste número introduziram também a bilicicleta eléctrica. Com um biketest a duas propostas, partilham com o leitor os prós e os contras de se optar por essa alternativa.
São iniciativas como estas que estimulam as pessoas, aos poucos, a se aventurar a pedalar pela cidade.
A tarde estava convidativa, quase 30 graus, mais parecia uma tarde de Agosto!!! Assim que encerrei o expediente, pois eu tenho o privilégio de despegar a horas decentes, não me fiz rogado em aproveitar o que sobrava da claridade do dia. Foi picar o ponto, acelerar a pedalada na utilitária, chegar a casa, vestir o equipamento, enfiar os pés nos sapatos “castanhola” e levar a Gorka a passear. A Gorka é uma máquina, não de alta cilindrada mas de óptimas sensações, e hoje o passeio foi um mix de emoções em convertible mode.
Para primeira etapa levei-a a circunvalar a Estrada da Circunvalação, desde a Senhora da Hora até ao Freixo. Um treininho mais intenso para desentorpecer as pernas impunha-se. Chegado à marginal, esfriei os ímpetos com a aragem do Douro e segui o rio, empunhando o telemóvel e registando com cliques fotográficos outros afeiçoados do pedal, e do vagar urbano que só uma cidade ciclável como o Porto sabe oferecer.
E pronto, já o sol desfalecia atrás de um manto cromado e obrigava-me a dar por terminado o passeio fotográfico. Depois, para justificar o duche, fui a acelerar Avenida da Boavista acima. Fica o mapa do percurso pós laboral.