aqui, nenhum conselho é válido

Ernest Hemingway escrevia, mais ou menos por estas palavras, que é a pedalar uma bicicleta que melhor se tem a noção dos contornos de um país, já que é preciso suar nas montanhas e largar os travões nas descidas. É deste modo que se adquire uma memória precisa do que se vive, do que se vê e se sente. A melancolia é incompatível com as sensações de pedalar, com a liberdade que amplifica a energia da conquista e a vontade da lentidão. A bicicleta não é só um meio de locomoção, é mais do que nunca um modo de vida, de quem não devora mas saboreia, não consome mas absorve, não olha mas contempla, não acelera mas flui.

Pedalar ajuda a reflectir em plena harmonia com o meio envolvente. A redescobrir as nossas potencialidades e os nossos limites. Como a vida, a bicicleta é o equilíbrio entre múltiplas e contrastantes exigências, em harmonia com o essencial condimento da responsabilidade. Dar um mero passeio pela vizinhança ou ter o privilégio de percorrer longas distâncias em bicicleta, faz com que a relação entre diferentes estados de alma, como a felicidade, o sofrimento, a euforia, a fadiga, nos dê mais saúde e nos inspire o bom humor. Para além de físico, pedalar é um exercício espiritual. A bicicleta como lazer e meio de transporte sugere que quem a utilize seja mais feliz e saudável do que quem escolhe uma qualquer mobilidade motorizada.

A bicicleta é a única corrente que nos torna livres. É a melhor forma de trilhar caminhos inexplorados que nos fazem sentir em unidade com a natureza. É a lentidão que nos permite apreciar o mundo à volta. Na sua simplicidade permite-nos percorrer estradas e visitar lugares de uma maneira segura, num mundo que, apesar de doente, é sempre maravilhoso. Ela é o símbolo do respeito pela natureza e pelo ambiente. É alternativa a ir até onde os automóveis não chegam.

Desejo-a mais do que nunca nestes dias. Este sol primaveril, a temperatura amena e os aromas estimulam não só os sentidos. O desejo de viajar a pedais em tempo de pandemia é ainda mais forte. Preparemo-nos desde já para programar belos passeios, sozinhos ou na responsável companhia de familiares ou amigos.


“A felicidade é um problema individual. Aqui, nenhum conselho é válido. Cada um deve procurar, por si, tornar-se feliz”.

Freud


Sobre paulofski

Na bicicleta. Aquilo que hoje é a minha realidade e um benefício extraordinário, eu só aprendi aos 6 anos, para deixar aos 18 e voltar a ela para me aventurar aos 40. Aos poucos fui conquistando a afeição das amigas do ambiente e o resto, bem, o resto é paisagem e absorver todo o prazer que as minhas bicicletas me têm proporcionado.
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Uma resposta a aqui, nenhum conselho é válido

  1. Anónimo diz:

    perfeitamente de acordo, belo texto

    Gostar

apenas pedalar ao nosso ritmo.

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