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fotocycle [81] um amolador no dia do trabalhador
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oops!… crash!… urgh!… ☹↯✺➴☢✟
Tem alturas em que até eu acho que andar de bicicleta em alguns locais, tanto na cidade e principalmente nos arredores, talvez seja um pouco arriscado. O trânsito às horas de ponta e automobilistas imprudentes são apenas parte do problema. A outra parte são os próprios caminhos, tortuosos. Vai daí, a onomatopeia dar titulo ao postal.
Depois de um longo e chuvoso inverno, muitas das nossas ruas e estradas parecem um campo minado. Fissuras e buracos gigantescos abundam no pavimento. Não importa o quão cuidadoso seja um ciclista e circule o mais próximo da berma, em algum momento um carro vai estar demasiado perto e ele não terá outra hipótese se não passar com as rodas por cima de um buraco. Com alguma sorte, o ciclista pode ter tempo e espaço para saltar e fugir do buraco sem danos de maior. Mas isso requer boa dose de destreza e sangue frio, o que nem sempre é possível. Grande parte dessas crateras surgem no lado da estrada onde a bicicleta mais vezes circula, à direita da faixa de rodagem. Isso faz com que seja extremamente difícil para o ciclista manter um movimento normal, porque para evitar males maiores tem muitas vezes de se desviar para o centro da via. Alguns automobilistas ficam particularmente furiosos e não conseguem, ou não querem, entender porque ziguezagueiam os ciclistas à sua frente!
Com o passar do tempo, devido ao mau tempo e a obras mal engendradas, o desgaste das vias é natural. As marcações das passadeiras deterioram-se ao ponto da quase invisibilidade. Somente as pessoas que estão familiarizadas com essas ruas têm consciência da presença das marcações das passadeiras. Em algumas ciclovias a tinta e linhas pintadas vão também desaparecendo. Isto levanta uma questão importante sobre a segurança de todos, particularmente de quem as usa. A julgar pela condição de algumas ciclovias, é difícil não concluir que elas foram instaladas para inglês ver, sem o mínimo de estudo, de planeamento adequado e sem a intenção de serem mantidas.
Temos muitas ruas e estradas que estão em péssimas condições. O envelhecimento de algum tipo de pavimentos, como o empedrado, e a extrema ruína de outros, torna muito complicado ao ciclista usar essas vias. A manutenção de estradas não é claramente uma prioridade e que parece estar no topo da lista dos cortes orçamentais. Só quando a deterioração das estradas se tornam demasiado perigosas para os carros é que lá vai uma equipe camarária, os tapa-buracos, remendar o asfalto com compostos de má qualidade, em trabalhos descuidados que deixam irregularidades no piso e o consequente solavanco. Um monte de tempo e de esforço canalizado para nada resolver.
À luz do dia fazemos chicanes, já as pedaladas nocturnas são ofuscadas por sacudidelas súbitas que percorrem o quadro até ao esqueleto. São como um lembrete nas mãos e braços do quão ruim está o estado das nossas ruas e que devemos redobrar cuidados. Estar particularmente atento, usar iluminação capaz de enxergar o pavimento, detectar os buracos atempadamente e não não esquecer as tampas de saneamento desniveladas, tirar o rabo do selim para absorver o choque quando as irregularidades do piso não nos dão alternativas, são conselhos possíveis para evitar cair com as rodas numa cova.
Sobrevivemos num pais que é um enorme buraco, onde não há dinheiro nem para mandar cantar um cego. Reclamar melhor qualidade das estradas, mais e melhores ciclovias, pode ser uma batalha difícil mas é uma luta que vale a pena e que pode ser mais fácil de ganhar quando os automobilistas também beneficiam com isso. Um esforço mútuo de exigência para melhorar a manutenção das estradas, ao mesmo tempo projectar vias que acomodem em segurança a bicicleta, é benéfico. A Primavera chegou definitivamente e com ela muitos ciclistas começam a sair do casulo. Em ritmo laboral ou desportivo, com menos camadas de roupa, as horas adicionais de luz do dia dão um belo colorido às ruas.
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here comes the sun
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ciclofilia [86] cycleMAYnia 2013
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movimento alternativo 2013
officina Italia Veloce
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um porto sentido
“E é sempre a primeira vez
em cada regresso a casa
rever-te nessa altivez
de milhafre ferido na asa”

Foi com este pedaço de prosa do grande poeta Carlos Tê a ecoar na minha cabeça, eternizado no Porto Sentido do grande Rui Veloso, que aqui cheguei e aqui parei, quedo e calado, junto ao Douro com aquela sensação de sempre, da primeira vez. Depois de inspirar fundo o aroma da maresia, que se sentia, depois de seguir o rio deixando-me empurrar pelo movimento no regresso ao meu porto de abrigo, por estes caminhos de solidão, por este cruzeiro portuense, aqui gosto de abrandar o ritmo e apreciar o casamento perfeito do rio e das azáfamas. Aqui o tempo passa devagar, ritmado pela própria cadência do Douro que parece contrariar o burburinho da cidade. Aqui fico a assentar ideias, a libertar pensamentos, a alongar o tempo um pouco mais numa espécie de melancolia mas também num impulso contra o relógio. Mas o relógio não me deixa envolver pela preguiça e me desopila da letargia para retomar o meu caminho… Ela, ignóbil bisbilhoteira, adora lá estar, a viajar suavemente pela cósmica visão de um caminho de estrelas, sem para-quedas nem passaporte, invadindo o espaço cósmico e levando-me consigo, alapado no seu selim, como se fosse num qualquer vai-vem buscar o desejo, o despique com o vento e a conquista das estradas, nesta deslumbrante liberdade que é pedalar.
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um táxi monolugar parqueado
No photowalk pela Baixa lisboeta, organizado pela www.shootbox.pt, no dia 13.04.2013
© Georgina Noronha
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biclas à moda do Porto!
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![textos de Marcos Paulo Schlickmann [4] Alguns conceitos básicos do transporte urbano de passageiros (1ª parte)](https://nabicicleta.files.wordpress.com/2013/11/figura-11.jpg?w=200&h=200&crop=1)





