Activadas pelos módulos de memória, deixo as lembranças da minha mãe pousarem suavemente no chão fino e poroso deste gabinete.
Num domingo quente, 20 de Julho de 1969, tinha eu 3 anos e uns mesitos e o meu irmão estava muito perto de soprar as velas do seu segundo aniversário. A casa estava num reboliço, quase vazia. Para além de nós os quatro já só restavam caixotes cheios de esperança, algumas cadeiras, as camas e pouco mais. Em cima de um desses caixotes estava a nossa televisão, sim, aquela da foto, uma daquelas de caixa de madeira e válvulas. Os preparativos da mudança para a casa nova já se faziam há alguns dias e a nossa chegada estava programada para o dia seguinte. Bem cedo a nossa mãe deitou-nos e despediu-se com um beijinho e um sorriso maroto, de quem prepara uma grande surpresa. Pouco antes das três da manhã fomos meigamente retirados do nosso planeta dos sonhos e levados para alunar no colo do nosso pai para assistir aos astronautas da Apolo 11 que chegavam à Lua. Pela primeira vez via-se a superfície lunar de uma forma tão nítida, um ambiente hostil de cinza, crateras e escuridão. Cheios de sono, lá nos foram mantendo acordados e informados sobre o que era a falta de gravidade ou porque não estava deitado na minha caminha, de tudo o que se passava lá tão longe, para que fossemos também testemunhas de um feito nunca antes alcançado por um ser humano que pisava outro planeta, mesmo que fosse apenas o satélite que todas as noites espreita a Terra. Pensando bem, acho que era por isso que muitas vezes me diziam que eu andava sempre com a cabeça na Lua, não sei! Bem, adiante, e lá estavamos nós, ensonados, a ver um homem movendo-se desajeitadamente com um fato esquisito, que representava toda a humanidade e dava um pequeno passo, o tal salto gigante, dava passos tão desajeitados como eu que ainda mal dava os meus.
Naquela noite, pela madrugada fora, grande parte da população mundial ficou colada aos televisores a assistir à mais extraordinária transmissão em directo de todos os tempos. Muitos portugueses recordam-se bem dessa noitada emocionante, das imagens a preto e branco, dos contrastes daquela sequência de imagens desfocadas e pouco movimentadas, da voz do locutor José Mensurado que comentava o inédito acontecimento. Escusado será dizer que não me lembro de rigorosamente nada mas, mesmo assim, agradeço que a minha mãe me tenha feito estar lá e com eles pousar no Mar da Tranquilidade. A chegada do homem à Lua foi a maior das aventuras e o maior feito tecnológico de todos os tempos. Embora os resultados científicos da missão tenham sido modestos e outros 10 homens tenham pisado o solo lunar até o final do Projecto Apollo, em 1972, nada pode ser comparado à força simbólica daquele passo.
No dia seguinte ao da chegada do Homem à Lua foi a nossa vez de chegar e pisar o chão da nossa casa nova, onde demos grandes e seguros passos em direcção ao futuro.
Frank Sinatra – Fly Me To The Moon



![no meu percurso rotineiro pr'o trabalho [1] Velódromo Maria Amélia](https://i0.wp.com/dgtzuqphqg23d.cloudfront.net/-yXBieot6NWX52sp0byCwXot2SoQ1_LPu_1mAwjaeRI-2048x1536.jpg?resize=200%2C200&ssl=1)

![fotocycle [277] magnético](https://i0.wp.com/dgtzuqphqg23d.cloudfront.net/cYp4CGD0z6pOXvP1TuHgPbseytV9fuuZ6TpwZXQHKW0-2048x1536.jpg?resize=200%2C200&ssl=1)














>Deve ter sido um momento mágico… Se bem que naquela altura acredito que a energadura de tal acontecimento não valesse de muito. :)Bj,(i)
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>*envergadura
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>Não foi graças à Lua mas graças aos milhares de velocípedes que me lembrei de ti este fim-de-semana… (risos)Abraço e Boa Semana.
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>Mil vezes prefiro comemorar o sonho dos teus pais e teu tornado realidade. Mil vezes!
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>Porquê Gi? Se ela está lá ao alcance do nosso olhar, feiticeira, num esconde-esconde constante, porque não haveríamos nós de a querer tocar, beijar, sentir. O Homem satisfez esse desejo de criança, matou a curiosidade e deixou novamente só no seu mar de tranquilidade, a vigiar este pobre planeta.
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>1969…uhm…Não me lembro…Porque será?
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>lá, ó faxabôre… :DOlha eu ainda não era sequer um projecto de gente quando aconteceu mas os meus pais fizeram exactamente o mesmo com a minha irmã mais velha que na altura tinha quase um ano de idade :)Beijinhos e uma excelente semanaps – e estou como o FM, também me lembrei de ti por causa das 2 rodas :)))))
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>Olá Inês Brito, realmente para nós pouco valeu mas o que interessa isso agora. Se não fosse naquela altura seria noutra qualquer. Bjs
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>FM, eu nem sabia que iam fazer o bike tour, só quando pedalava por cima da VCI é que percebi a confusão que tinha havido lá durante a noite. Devias-te ter lembrado de mim no fim-de-semana passado, isso sim.
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>Deve ser da idade NUC! Olha, a tua Cindy Crawford deve lembrar-se!
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>Olá Ka, eu nem sabia essa do bike tour, devia andar na lua é isso!Fui antes dar umas pedaladas para Gaia e sair da confusão.Beijinhos e boa semana.
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>No dia seguinte, à tarde, tinha exame (oral) de Direito Corporativo, essa disciplina aberrante e inútil, mas que no tempo era o suporte da Constituição de 1933. Deve ter sido por isso que a velhinha de que falas lá no Rochedo pensa que foi o Tomás a ir à Lua!Vim para Lisboa quase sem pregar olho, mas como o prof estav entusiasmado com a alunagem lá me passou com 12!
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>Mas que bom foi relembrar oque realmente se passou há quarenta anos.Um abraço
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>Carlos, já deixei no Rochedo o resumo da notícia da velhinha e não resisto a deixá-lo aqui também: "Então não foi o Américo Tomás!?"Maria Baptista, 94 anos, na versão desta habitante de Querença, uma aldeia no interior do concelho de Loulé, o Almirante Américo Tomás foi o 1.º homem a pisar a lua, isto porque há 40 anos atrás, em Portugal, o regime impôs-se à história e o telejornal do dia seguinte à chegada do homem à lua, deu prioridade à visita do então Presidente da República a uma fábrica de cimento em Pataias, Alcobaça. TSF, 20/07/2009
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>É pai, eu tenho as minhas fontes.Abraço e beijo forte à mãe.
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>:)))ahhhhhh nessa altura eu inda num existia :))e é sempre benito recordar né?? memo akilo de q n nos lembramos, eu prizemplo adoro óbir a minha mãe falar de mim, de candu eu era quenininha, menos candu diz keu já era marca RÓSCÓFE…lololllllllllllllllxinhinhus pa tu da lua
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>Há sonhos e sonhos! :)))Eu não sei o que sonhei nessa noite, pois a mim ninguém me foi acordar. Isto talvez porque os meus pais não tivessem visto, que gostavam de se deitar cedo… ;)Mas vi no dia seguinte, também com relato do mesmo José Mensurado, que parecia ser o único especialista sobre o assunto nessa época! Mudar de casa só aconteceu uns 3 anitos depois e não gostei mesmo nada! Já tinha naquela rua amigos com quem brincar…Beijocas e bons sonhos!
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>Ora deixa ver, 20 de Julho de 1969… devia estar a minha irmã a gritar com os meus pais: EU NÃO QUERO UM MANOOOOOOO!!!
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>Concordo plea evolução da humanidade e aquelas coisas e tal.Foi um feito brutal sem dúvida…Mas a pobre da Laica é que …sacrificar animais em nome disso e dos comesticos e vaidades me causa muita confusão!mas enfim…Boa semana
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>Marca róscófe, Sandra ! Fora das marcas não é? Eu pelo contrário sempre fui um pás d’alma. Feitios!Beijinhos
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>Teté, e sonhar acordado é o que eu sei fazer melhor. Se o sonho comanda a vida os que os meus pais realizaram sempre deram o rumo certo nas nossas vidas.Beijocas
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>Deixa-me adivinhar, preferia um Rafeiro!
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>Também Myllana, mas o que me é de todo incompreensível e repugnante é quando se sacrificam seres vivos para apuramento de raças.Boa semana
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>As tuas fontes continuam bem informadas.Eu ainda me lembro da Mãe nos acordar a meio da noite e da tua cara de sono, e quando viste que era para ver um motoqueiro com um capacete esquisito a dar uns saltitos, ainda ficas-te mais chateado ( não me lembro nada disto, mas de certeza foi o que aconteceu…)Abraço LUNAR
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>Ahhh… tu não te lembras porque ainda andavas de fraldas. :PAbraço cheio Tó.
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>:))marca róscófe pq a minha é mui exagerada lolollllllll sempre fui ma kida, paz dalma se calhar n pq era mui mexida e assim :))))xinhinhuuuuuus
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