Em Vila Nova, no topo da subida da Pala, no cruzamento de estradas onde a N108 começa a descer para o Douro, mesmo num domingo à tarde a porta da mercearia aberta convida-me a parar. Encosto a bicicleta à parede de granito e entro na loja… (como lhe chamo)
– Ora muito boa tarde.
– Outra vez, por aqui! Então, vai para cima ou volta para baixo? E os seus amigos, não vieram?
Dona Mariazinha tem o seu jeito simpático de receber o cliente. Ali há um modo de atender mais pessoal. Há convivência, há conversas. São relações que perduram no tempo…
– E volta a pedalar para o Porto, sabiam? Satisfaz ela a curiosidade da freguesia presente, mesmo que não me tenham perguntado nada!
Nem sempre está nos seus melhores dias. A tristeza de ter perdido um irmão vestiu-a de negro por uns tempos. Os achaques do corpo também não a largam, mas é preciso manter o negócio aberto. Atrás do balcão não há nenhum espaço vazio. Tem de tudo, à medida das necessidades da pequena povoação que serve.
– Então, e o que vai ser hoje?
O ciclista chega sempre com sede, e também traz fome. Uma sandes de queijo, uma ou duas bananas, mesmo daqueles pretas de tão maduras que estão, saciam o desgaste da pedalada.
– Ah, obrigado, mas é melhor deixar o Moscatel para outra ocasião. Com este calor, hoje vai ser uma cola fresca e… já agora, encher a garrafinha d’água, sefaxabôre? Tenho de seguir viagem.
Alheios à voragem do tempo, são ainda alguns, poucos mas bons, os comerciantes que teimam em manter a sua taberna, loja, mercearia ou mini-mercado em actividade, só pela força da subsistência.

Ahhh… e continua a não gostar muito que lhe tirem fotografias!



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