Adivinho a sua aproximação, ao fundo, na escuridão repentina do firmamento. Acelero a cadência, entre o trânsito estagnado e o vento agitado. Pelas minhas contas terei pelo menos mais dez minutos a descoberto. Esparsas e geladas, pingam grossas as gotas que se desfazem na minha testa. Não estranho que nos cruzemos num ponto indefinido a meio do percurso, mas desta vez eu não estava precavido para os humores do clima. “Fogo… ainda agora estava sol, carago!”. Já muito perto do destino refugio-me num exíguo resguardo, lotado e embaciado. Fico a salvo da repentina enxurrada. Uma roliça senhora invade também o abrigo. Dando pequenos passos para trás, vai-me empurrando com o rabo. Com um olhar indiscreto fita o ciclista e questiona-me, com firmeza.
– “Sabe se demora muito para passar o 205”?
– Não sei minha senhora! Eu não estou à espera do autocarro… só estou à espera que a chuva passe.





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