altos e baixos de um ciclista urbano, na medida exacta das biclas que sustenta

Um dos pontos altos na vida de um ciclista urbano é a eficiência da bicicleta na mobilidade urbana. Especialmente o modo como vive a cidade, evitando todo o stress diário proveniente das horas de engarrafamento urbano. Já um dos pontos baixos é quando em algum lugar ao longo do caminho a sua bicicleta faz birra.

Ultimamente as concubinas do meu agregado velocipédico têm-me dado água pela barba, a que não tenho, e feito desembolsar alguns muitos euros, que também não tenho. E a sequência de imprevistos têm-se multiplicado a um ritmo alucinante para a minha debilitada conta bancária. Cada qual na sua especialidade, e num curto espaço de tempo, para além de me terem deixado apeado, para depois voltar a casa a penantes, têm-me apresentado avultadas despesas de manutenção!

A coisa começou numa bela manhã quando levei a mais levezinha para um curto passeio e ela fez de mim o elo mais fraco. Subitamente, na mais inclinada escalada cá do burgo, a gOrka fartou-se dos meus abusos e quebrou a corrente que nos unia. Para mal dos meus pecados, e para lhe devolver a confiança e o glamour, tive depois de abrir cordões à bolsa ofertando-lhe fina joalharia italiana. Só depois de ver montados um desviador novinho em folha, a dentadura na roda e uma corrente de ouro, é que fez as pazes comigo. Assim, lá voltou ela toda lampeira a pavonear-se por aí.

Entretanto a Tripas teve uma contrariedade… quer dizer, eu é que fui contra um obstáculo. Numa noite escura e no regresso de um longo passeio, não enxerguei a borda de um passeio e assim se acabou o passeio. Assumo a culpa.  Tive um grande estouro a bordo da minha querida faz-tudo. Felizmente não senti a aspereza do asfalto mas fiquei de rastos quando vi a bela merda que fiz. O quadro não estava mesmo nada bonito. Ferida na sua beleza, a lista de danos é tão medonha que nem quero pensar. Ainda se encontra em reabilitação, internada nos cuidados intensivos da clínica iNBiCLA. Felizmente é recuperável, e dentro dos possíveis o prognóstico pode-se considerar favorável. Aguardo pacientemente voltar a tê-la nos meus braços, perfeita e refeita para me alegrar as pedaladas.

Na falta da Tripas, e para não molhar o rabo, nos dias à chuva tem sido a Maria del Sol a escrava para todo o commuting. Ora, com as molhadas invernais das últimas semanas a borracha vai desaparecendo dos calços, tal como os euros fogem dos meus bolsos. Mas já não é de agora que ela andava a pedir calços novos. Das últimas vezes que lhe apertava a manete do travão sentia cada vez mais forte um silvo metálico vindo do aro traseiro. Alerta imediato para se fazer o diagnóstico no especialista. E prontes, lá teve aqui o je de investir mais uns trocos num vêbreique ximano, a destoar de tudo o resto. Vai daí, no dia seguinte e no regresso a casa, talvez propositado por ter não lhe ter oferecido o par da frente para fazer pandan, ofertou-me ela um parafuso cravado no pneu da frente! Mais uma vez lá foi obrigado o pobre ciclista caminhar um par de quilómetros até à oficina mais próxima.

Mas a história não acaba aqui.

Ontem estava um belo dia de primavera inverno. Decidi que seria um dia perfeito para Sua Alteza dar um ar da sua graça e sair à rua. Sendo a fidalga uma bicla de requinte, achei que seria a altura ideal para a levar à secção de sapataria da Velo Invicta escolher uns bitorinos clássicos. Os velhos pneus já estavam a ficar mais carecas que o Barbosa. Pois a senhora não calça uns pneus quaisquer, não! 27 x 1 ¼ … e viva o luxo! Espantosamente, o serviço foi feito com toda a celeridade e mestria. Em meia hora já estávamos despachados, vai daí entendi estender o regresso ao doce lar e descemos à Ribeira.

Acelerava eu alegremente pela marginal do Douro quando começo a sentir Sua Alteza algo estranha. De início eram ligeiras as vibrações no guiador, as quais rapidamente foram dando lugar a saltos estranhos. Quando ela já ia aos pinotes abrandei, para de repente parar com o pneu da roda da frente estranhamente preso ao travão. Para meu espanto vejo o pneu fora do aro e com a língua à mostra! Que raios!!! O que se passou aqui? Uma vez que os pneus eram novos, caso tivessem pressão em demasia aliado ao aquecimento do ar no interior da câmara de ar,  não estando ainda a borracha do pneu bem “colado” ao aro, cedeu! Solução? Esvaziar totalmente o pneu frontal, recolocá-lo no aro e esperar que uma veloalma caridosa, e previdente, com bomba de ar para válvula shrader no kit de sobrevivência, me valesse. Mas não! Como ninguém apareceu, ou se voluntariou à força, lá tive eu, mais uma vez, de subir a íngreme Rua D. Pedro V a penantes de braço dado com a bela da bicicleta. Valeu o Urban Cicle Café estar a meio caminho e aberto para me restabelecer com um cimbalino e uma nata, e emprestar a bomba de ar para dar umas bombadas a Sua Alteza.

Bicicletas, vá-se lá entendê-las!

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Sobre paulofski

Na bicicleta. Aquilo que hoje é a minha realidade e um benefício extraordinário, eu só aprendi aos 6 anos, para deixar aos 18 e voltar a ela para me aventurar aos 40. Aos poucos fui conquistando a afeição das amigas do ambiente e o resto, bem, o resto é paisagem e absorver todo o prazer que as minhas bicicletas me têm proporcionado.
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Uma resposta a altos e baixos de um ciclista urbano, na medida exacta das biclas que sustenta

  1. Nelson Branco diz:

    ehehehe… belo momento, dá para imaginar, até porque, aconteceu-me algo parecido numa das voltinhas pelas marginais. Tive de vir quase da Apúlia até à Póvoa em equilíbrio no guiar, para não fazer peso atrás, uma vez que já tinha gasto “as vidas” todas que tinha levado.

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apenas pedalar ao nosso ritmo.

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