ciclistas portugueses contra o uso obrigatório do capacete

“A Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta manifesta-se contra o “uso obrigatório do capacete” e exige “uma tomada de posição” por parte das autoridades fiscalizadoras do trânsito e do actual governo”

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Texto de Andreia Cunha • 02/01/2017 in P3 Público

“No próximo domingo, dia 8, o Terreiro do Paço, em Lisboa, é o ponto de encontro da manifestação que pretende juntar utilizadores de bicicleta em protesto contra algumas das medidas presentes no novo Plano Estratégico Nacional de Segurança Rodoviária (PENSE2020), que se encontra em consulta pública até ao próximo dia 8 de Janeiro.

O protesto organizado pela Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta (FPCUB) é “uma tomada de posição”, frisa ao P3 José Manuel Caetano, explicando que a ideia é “alertar” para a preocupação em relação a “algumas alterações que venham a ser tomadas pelo governo e que podem restringir o uso da bicicleta”.

Em causa estão, entre outras medidas, a obrigatoriedade de utilização do capacete pelos utilizadores de velocípedes e o cumprimento das regras através de medidas de fiscalização dirigidas para os comportamentos de alto risco, como o desrespeito da sinalização semafórica e a não utilização de iluminação. A FPCUB, em comunicado enviado ao P3, classifica “estas propostas como negativamente discriminatórias” e considera necessária a revisão destas medidas.

“Nós não somos contra o uso de capacete e até recomendamos. Somos é contra o uso obrigatório do capacete porque consideramos que a sua utilização deve depender da livre vontade de cada um”, explica o presidente da FPCUB, que fala da possibilidade desta obrigatoriedade ter influência directa no “número de pessoas a andar de bicicleta”. “Segundo um estudo da Organização Mundial de Saúde, o uso obrigatório do capacete é nefasto e está a provocar uma redução de 40% no uso da bicicleta, ou seja, as pessoas estão a deixar de fazer qualquer tipo de exercício, aumentando o risco de doenças”, acrescenta.

Para justificar a crítica ao programa de acção do governo, José Manuel Caetano sublinha ainda que “os limites de velocidade não estão a ser cumpridos”, bem como “a distância dos automóveis quando passam por um ciclista”. Mas por que razão não são cumpridas estas normas? O responsável aponta a “falta de fiscalização e penalização” por parte das autoridades.

O principal pedido da iniciativa “Inicie o Ano a Pedalar” é a “acalmia do tráfego” e a execução das normas presentes no código da estrada, de forma a “reduzir as sinistralidades e as mortes que envolvem ciclistas e peões”. “Hoje a bicicleta está no mesmo pé de igualdade que o automóvel e parte dos automobilistas não conhecem o código da estrada. O que pedimos é que as autoridades reforcem a formação e alertem os automobilistas que não estão a cumprir as normas”, afirma o presidente da FPCUB. “A manifestação é um alerta e uma forma de chamar a atenção as autoridades, procurando que seja cumprida a lei”, garante.”

fonte: http://p3.publico.pt/node/22543

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Sobre paulofski

Na bicicleta. Aquilo que hoje é a minha realidade e um benefício extraordinário, eu só aprendi aos 6 anos, para deixar aos 18 e voltar a ela para me aventurar aos 40. Aos poucos fui conquistando a afeição das amigas do ambiente e o resto, bem, o resto é paisagem e absorver todo o prazer que as minhas bicicletas me têm proporcionado.
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5 respostas a ciclistas portugueses contra o uso obrigatório do capacete

  1. Nelson Branco diz:

    As declarações do presidente FPCUB são quase sempre estranhas, pelo menos, aos meus ouvidos.
    A minha opinião é que o uso deveria ser obrigatório sempre que o ciclista partilhe a via, é uma questão de segurança rodoviária, tal como o uso do cinto ou do capacete que não é feito de acordo com a vontade do utilizador, independente deste considerar que não está a correr riscos. Nas ciclovias, ecopistas, montes e montanhas… ficaria à descrição de cada um.
    Já esta tirada se fosse pronunciada pelo JJ daria pano para mangas “Segundo um estudo da Organização Mundial de Saúde, o uso obrigatório do capacete é nefasto e está a provocar uma redução de 40% no uso da bicicleta, ou seja, as pessoas estão a deixar de fazer qualquer tipo de exercício, aumentando o risco de doenças” Gostava de ver este estudo! 😛
    E tu que achas Paulo, tu que és um utilizador regular nas mais variadas formas de utilização?

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  2. paulofski diz:

    Nelson, vais-me desculpar mas não corroboro da tua opinião. Obrigar o ciclista a usar um capacete sempre que partilha a via é o mesmo que dizer ao ciclista não te queremos aqui. A segurança do ciclista deveria estar mais centrada na conduta dos condutores dos veículos a motor. Ao lobby do automóvel interessa criar esta imposição a todo o custo, criando obstáculos para que as pessoas possam livremente usar bicicleta na rodovia, criando uma necessidade artificial no que ao risco diz respeito.

    Às vezes penso como é que sobrevivi à minha infância e adolescência, como cheguei a esta provecta idade sem que nada de mal me tenha acontecido por não usar capacete (anos 70 e 80, isso nem existia). Dos muitos acidentes que tive no selim de uma bicicleta (por causa de um cão, porque fui contra um carro, quando desmaiei e caí redondo), sempre me levantei e não tinha capacete a decorar a mona. Esta história aborrece-me e já escrevi sobre isso aqui. O risco de termos acidentes que provoquem lesões cerebrais está sempre presente, em qualquer circunstância. Ainda ontem dei sem querer uma marrada num armário da cozinha e fiquei com um galaró para cantar à meia-noite! Ou quando vou tomar banho e porque a banheira é escorregadia seria ridícula a minha figurinha, nu e de capacete na tola!

    A minha opinião está escrita neste post https://nabicicleta.com/2015/07/07/reciclando-10-capacete-sim-ou-nao-recomendavel-porque-chapeus-ha-muitos-seu-palerma/.

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  3. Nelson Branco diz:

    Eu concordo parcialmente com o que dizes, de facto, o capacete não evita lesões no restante corpo. Eu, por exemplo, parti quatro dentes numa queda de bicicleta e tinha o capacete. Tive sorte, pois ele, nem um arranhão teve!
    Eu não penso em lobbys pois os motociclistas são obrigados a usar capacete, os automobilistas a usar cinto… há décadas atras também eram hábitos que não estavam enraizados e legislados mas com o tempo percebemos que fazem parte da segurança.
    Eu defendo o uso, como uma salvaguarda, sabemos que há pouca fiscalização no que ao comportamento dos automobilistas diz respeito, distâncias, prioridades, etc… vai daí… é uma proteção que pode evitar algo.
    🙂

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  4. paulofski diz:

    Nós ciclistas conseguimos não defenfer os nossos próprios interesses. O uso do capacete faz sentido, o que não faz sentido é torná-lo obrigatório. A responsabilidade deve partir de cada um. Recomendo sempre mas nem sempre o uso. Uso o capacete principalmente quando vou para fora da cidade, para treinar ou comutar vários km´s, quando vou para o monte, sempre que uso sapatos com cleats e também quando pedalo à noite. Seria irresponsável se não o fizesse. Mas reforço, não faz sentido o uso do capacete obrigatório para os ciclistas. A bicicleta não tem motor, a velocidade que atinge em meio urbano não justifica por si só a obrigatoriedade do uso de capacete.

    Há factos que provam que sem ou com capacete não há um aumento de quedas nem de lesões na cabeça. Não vamos obrigar pessoas que usam a bicicleta como meio de transporte durante o dia-a-dia a usar obrigatoriamente o capacete, porque não é o capacete que nos vai imunizar, e torná-lo obrigatório ainda vai tirar muitos ciclistas das ruas para dentro dos carros. As pessoas que não usam capacete simplesmente porque não consideram que seja um elemento de protecção realmente necessário, ou até porque não é prático e depois não têm um sitio onde o guardar. Não há mal nisso, e não é por não o usar que vai colocar outros em risco.

    Já li estudos feitos em vários países onde rapidamente se percebe que a razão das mortes de ciclistas não é pelo não uso do capacete, mas sim pelas distrações, abusos e perigos resultantes da condução automóvel. Também devemos considerar as condições de segurança que terá de haver nas cidades para os ciclistas. Se as houver, o capacete é irrelevante. Claro que as quedinhas com a cabeça ao chão sempre vão acontecer e nem é preciso estar a pedalar, eu como peão na via pública também corro esse risco.

    A realidade é que a bicicleta não é um carro, nem uma mota. Temos de mudar de paradigma e parar de comparar a bicicleta aos veículos motorizados. Não obrigar a usar o capacete parte também do pressuposto de aumentar o números de ciclistas nas ruas e diminuir os abusos dos automobilistas, os que de facto devem ter consciência dos seus actos e actitudes ao volante.

    Existem outras questões de segurança do ciclista bem mais preocupantes. Infelizmente assisto a demasiados ciclistas a prevaricar e não cumprir as regras. É a questão das luzes à noite, a pedalar nos passeios, em contra-mão, a passar nos vermelhos…

    Desculpa lá a seca 🙂 Abraço

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  5. Nelson Branco diz:

    Não é seca, Paulo. É bom ouvir as várias opiniões… abraço

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apenas pedalar ao nosso ritmo.

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