indisciplinamos? temos pena!

Sr. automobilista, tenha cuidado, muito cuidado, as bicicletas estão por toda parte. Quando menos você espera um ciclista se atravessará no seu caminho. Eles o vão perseguir durante o dia. Vão assombrá-lo à noite. Vão povoar os seus delírios e tornar-se no seu pior pesadelo. Tome cuidado! Não há como escapar. As bicicletas estão por todo lado! Tlimmmm… Tlimmmm… Tlimmmm…

ghost cyclist II

Vem este devaneio a propósito da aberração insensata e despropositada do senhor presidente da Associação Nacional de Segurança Rodoviária. Quem navegar por blogues e fóruns dedicados às bicicletas ficará no mínimo esgazeado quando ler isto 😦http://www.ionline.pt/artigos/portugal-livros/associacao-nacional-seguranca-rodoviaria-lanca-guia-ciclista-abril).

No constante duelo dos automobilistas contra os ciclistas, estes últimos são frequentemente estereotipados como seres irresponsáveis e uma ameaça geral nas ruas e estradas. A ladainha de queixas contra os ciclistas, que estão sempre passar nos vermelhos, que andam “aos montes”, que pedalam nos passeios…, deriva de vários comentários dos ases do volante. Mesmo quando os ciclistas ripostam com os maus hábitos de condução, que constantemente observam, e desatenção e negligência grosseira por parte dos automobilistas, os seus argumentos caem sempre em saco roto. É a condição de uma minoria.

Para combater o problema da insegurança rodoviária, esse cidadão modelo propõem colocar orelhas de burro aos ciclistas. Outros cidadãos exemplares que circulam em excesso de velocidade, que queimam o semáforo vermelho nas barbas da polícia, que cortam a passagem dos peões nas passadeiras, que estacionam o popó onde bem lhes apetece, esses são figurinhas a preservar. A estupidez de alguns cavalheiros nunca deixou de me surpreender. Do cumprimento das regras na condução, da partilha da estrada, nem um piscar de luzes. Estas iniciativas visando os ciclistas fazem-me questionar se os automobilistas são realmente conscientes atrás do volante. Ainda ontem desculpei um senhor condutor, guiava com um cigarro entre os dedos da mão, da que segurava o volante, e a outra a encostar o telemóvel à orelha! Poderia lá o coitado ter possibilidade de travar, parar e me deixar completar a travessia da passadeira!!! É apenas uma prova de que insuspeitos automobilistas não prestam atenção ao que está acontecendo na estrada. Por estas e por outras mentalidades não estou optimista em ver mudanças nos comportamentos na estrada!

Na minha experiência, a maioria dos ciclistas respeitam as regras,  respeitam os peões e os automobilistas, ainda assim, com certeza é bom reconhecer que há ciclistas que arriscam em demasia e não se comportam da melhor maneira. Por mais tentador que seja enterrarmos a cabeça na areia e fingir que toda a negatividade que cai sobre nós não existe, o silêncio nunca é uma solução para um problema. Para efectuar a mudança, é necessário falar, afirmar uma posição do nosso ponto de vista e defendê-la dando o exemplo. É a única forma de combater os estereótipos arraigados e mudar as mentes das pessoas sobre quem são os ciclistas e como eles se comportam.

Sr. automobilista, tenha cuidado, muito cuidado, as biclas estão em toda parte…

Uhhhuuuuuu…

ghost cyclist

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Sobre paulofski

Na bicicleta. Aquilo que hoje é a minha realidade e um benefício extraordinário, eu só aprendi aos 6 anos, para deixar aos 18 e voltar a ela para me aventurar aos 40. Aos poucos fui conquistando a afeição das amigas do ambiente e o resto, bem, o resto é paisagem e absorver todo o prazer que as minhas bicicletas me têm proporcionado.
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3 respostas a indisciplinamos? temos pena!

  1. Reblogged this on Matemática em Sobral and commented:
    Na verdade existe uma força econômica por trás do consumo automobilístico, o carro é a liberdade quando não haja engarragamentos, é claro! O carro é a liberdade, mas infelizmente não ha estacionamentos tornado-se o jeito parar mesmo em cima da calçadas. O carro é a liberdade mas infelizmente a velocidade sugerida no velocimétro que pode chegar aos 240 km/h é uma falsidade sugerida nas propagandas do consumo autmobilístico. O consumo automobolística engana uma certa quantidade de pessoas que terminam ficando presas a este consumo quando hoje, pela quantidade mesmo de veículos automotores se tornou insustentável a própria existência deste consumismo. Ainda sou automobilista porque aos 70 anos me apavora o risco de sair pedalando o que faço sempre que posso e sobretudo porque posso e não precisava de usar um veículo automotor. Como ciclista sou irado, sem dúvida, porque entendo que é preciso urgentemente alterar a forma de viver. Não entendo que precise haver convivência de automotores com ciclistas e pedestres, entendo que devem desaparecer os automotres do ambiente urbano. Aliás, ontem, em Paris somente podiam circular os veículos com placa par…

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apenas pedalar ao nosso ritmo.

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