porque pedalo?

fisheye
O que motiva o ser humano a fazer certas coisas não poderá ser enumerado ou psicologicamente quantificado… pelo menos no rigoroso sentido crítico que abarque todas as motivações. Todo mundo é diferente e por isso abomino os estereótipos. São os ciclistas urbanos indisciplinados? Eu sou um ciclista. Eu gosto de bicicletas e ainda não tenho uma ideia firme do porquê. Talvez esteja no meu sangue, uma espécie de herança. Parece que já nasci assim, com uma vontade incontrolável de sair na estrada e experimentar a aragem amena de um dia quente. Talvez seja por teimosia enfrentar a chuva e seguir de bicicleta para o trabalho. Talvez seja uma predisposição genética apreciar o gosto do suor. Talvez tenha uma compulsão psicológica para me fazer transportar e evitar gastar dinheiro em gasolina. Talvez seja maluco! Quem sabe? Tudo o que posso dizer é que não dependo do carro para chegar aonde quero ir.  Também gosto de conduzir em estrada livre, acelerar a fundo, curvar e derrapar mas, em consciência isso torna-me um egoísta. Conduzir na cidade torna-me tenso e stressado. Parado no trânsito sinto a necessidade de murmurar coisas horríveis, perco a calma e o controlo das minhas acções. Por mera arrogância ou quando algo não vai ao jeito de quem vê o tempo passar, vejo imensos disparates ao volante. Baseado na minha experiência, dentro de um carro, a minha linha de pensamento é que todos os outros automobilistas são patetas. Então, eu já não me importo de estereotipar os automobilistas. Deveria, ou não deveria?!

a húmidade faz a força
Talvez seja por isso, e não é para mim surpreendente, permanecem este tipo de “discórdias”. Antes mesmo de começar o meu discurso retórico, tenho de indagar que critérios se usam para se achar que determinada pessoa é ou não ciclista. Será que é porque essa pessoa dá as primeiras pedaladas em parques, ciclovias ou passeios? Será que é porque ele gosta de andar numa bicicleta de estrada, vestindo um kit ajustado e aerodinâmico? Será porque gosta de se aventurar no todo-o-terreno? Ou será que é simplesmente do tipo de pessoa que opta por se deslocar de bicicleta, assim quando uma criança utiliza sua primeira bicicleta para ir e voltar da escola, com a devida permissão dos seus pais? Qual é afinal a classificação de um ciclista? Isso certamente não pode ser dito assim ao de leve, nem seria francamente exigente que cada pessoa que anda de bicicleta não o possa fazer livremente, mas um ciclista é aquele que pedala.

#1 Farol de Alfanzina
Na verdade, a bicicleta antecedeu o automóvel. Antes de se ter inventado o motor a combustão fóssil e muitos anos antes dos carros se tornarem suficientemente acessíveis ao consumidor médio, a bicicleta era largamente utilizada para o transporte e até para o desporto. Antes mesmo de qualquer um de nós estar habilitado à condução automóvel certamente aprendeu a andar de bicicleta desde muito pequeno, pedalou nos passeios, passou vermelhos e fez tropelias em duas rodas. Qualquer um que assuma a bicicleta como ela é, um velocípede, estará a fazer muito mais do que outra pessoa que, na sua permanente dependência, dirige um carro para o trabalho, poluindo o ar, ocupando espaço, deixando o seu corpo e cabeça definhar. É um carro a menos. Optar por dar às bicicletas e aos seus utilizadores mais direitos, permissões e proibições rodoviárias iguais aos carros, vem simplesmente trazer alguma justiça e evolução. Não estou a dizer que as bicicletas têm o direito absoluto à estrada. O que estou a dizer é, partilhar é cuidar. Percebendo que todos são diferentes, que haja quem simplesmente opte por utilizar meios alternativos de locomoção, há ainda um longo caminho a percorrer pela coexistência, pela partilha do espaço urbano e rodoviário, contra a intolerância, pelo desenvolvimento sustentável do nosso país.

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Artigos importantes sobre semelhante temática:

http://cicloficinaoriente.wordpress.com/2012/12/27/os-utilizadores-de-bicicleta-sao-moralmente-incumpridores/

http://ocorvo.pt/2014/07/28/sao-os-ciclistas-urbanos-indisciplinados/

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Sobre paulofski

Na bicicleta. Aquilo que hoje é a minha realidade e um benefício extraordinário, eu só aprendi aos 6 anos, para deixar aos 18 e voltar a ela para me aventurar aos 40. Aos poucos fui conquistando a afeição das amigas do ambiente e o resto, bem, o resto é paisagem e absorver todo o prazer que as minhas bicicletas me têm proporcionado.
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apenas pedalar ao nosso ritmo.

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