
Ali o tempo passa devagar, mudo, ritmado pela serenidade do Douro, que se move espesso numa sinuosa sinfonia a caminho do mar. Dali, a cidade parece calma, ausente, distante, e ela afinal está ali tão perto. Entre luzes turvas sonoramente conduzidas pela música das aves, da cor que cria o silêncio, e do final do dia que me traz a noite. As palavras ecoam na minha cabeça como batidas fortes e quentes vindas do coração, reflectem-se descoloridas num espelho que encandeia e incendeia o meu pensamento, em tons rosados de um azul profundo. Ali, o silêncio e a tranquilidade imperam voláteis como o aroma quente de um café numa noite de Outono. Ali, no meu Porto de abrigo.





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