correio do leitor do DN

Gonçalo Peres publicou no grupo Ciclismo Urbano em Portugal

“Correio do Leitor do Diário de Notícias de 12/08/2013, numa carta a criticar de forma construtiva e lógica as medidas de apoio ao sector automóvel que a AR recomendou ao Governo.”

“Ex.mos. Srs. deputados da Assembleia da República
Antes de mais, queria veementemente congratular V. Ex.as pelas alterações recentes, muito profícuas, ao Código da Estrada.
Todavia, veio recentemente uma notícia a público, que o Parlamento fez uma recomendação ao governo, para que este de alguma forma, incentive o sector automóvel, que atravessa uma grave crise.
Quero apenas confessar a V. Ex.as, com o mais cordato e respeitoso louvor que um cidadão deve ter pelos seus eleitos, que após ter lido mais detalhes de tal abjeta recomendação, deu-me uma vontade visceral e incontrolável para regurgitar.
Serei sucinto: em 1991 havia em Portugal, segundo o Eurostat cerca de 175 carros por 1000 habitantes. Em 2002 já haviam perto de 560, o que representa um crescimento astronómico de 220% em 11 anos, uma média de crescimento de 20% por ano. Se considerarmos que salários, pensões e o próprio PIB de Portugal tiveram um crescimento médio de perto de 2% por ano neste período, se consideramos ainda que em 2010, 1/4 das importações do país foram carros e combustíveis, por aqui, com contas elementares de álgebra, percebe-se onde se encontra, grande parte da tragédia económica de Portugal.
Dar “incentivos” ao sector automóvel, por mais ténues que sejam, num país sem recursos energéticos endógenos, onde 2/5 de toda a energia consumida está nos transportes e onde 99% dos transportes se movem a derivados do petróleo, revela uma falta de visão e estratégia, por parte dos membros de um dos magnos órgãos de soberania, que considero muito graves.

Imagem intercalada 1

Se num bairro haviam 100 caros, em 11 anos passaram a haver 320, com o respetivo roubo de espaço a jardins, parques infantis, estruturas sociais, passeios, etc.
Rogo a V.Ex.as que sejam humanos, mas ao mesmo tempo matemáticos, na defesa do interessa nacional e lembrai-vos “um país desenvolvido não é aquele onde os pobres têm carro, mas onde os ricos andam de transportes públicos e de bicicleta”!
Saudações lusitanas

João Pimentel Ferreira”

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Sobre paulofski

Na bicicleta. Aquilo que hoje é a minha realidade e um benefício extraordinário, eu só aprendi aos 6 anos, para deixar aos 18 e voltar a ela para me aventurar aos 40. Aos poucos fui conquistando a afeição das amigas do ambiente e o resto, bem, o resto é paisagem e absorver todo o prazer que as minhas bicicletas me têm proporcionado.
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apenas pedalar ao nosso ritmo.

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