Eu sempre gostei de fotografia a preto e branco. Emersos na magia do monocromático, foram assim os primordiais registos fotográficos da minha existência. Não é que seja tão velho assim, apenas mantenho boas as lembranças que o meu álbum de fotografias me devolve. Momentos belos que o olho fotográfico do meu pai foi capturando com as suas velhas máquinas, revelados e eternizados em pequenos pedaços de papel, amarelados a sépia pela passagem do tempo. Memórias desbotadas do enquadramento na nossa vida familiar, nos anos sessenta e setenta. Do encantamento e mistério desses dias, dos primeiros passos, os meus e depois os do meu irmão, dos sorrisos e das nossas primeiras pedaladas no triciclo. É um longo caminho, no espaço e no tempo até esta era do digital. Agora tudo podemos corrigir, o ruído, o balanço, a matiz, a luz, tudo. Como é muito mais simples, mais limpo e mais verdadeiro clicar na alternância do preto e do branco, do cinzento e imaginar os tons, todas as formas e sombras, humor e mistério, sem a distorção da cor. Faz-nos processar imagens na mente, adivinhar o colorido dos cenários, a cor do objecto, imaginando-nos na época com toda a sua simplicidade, colorir ou descolorir esses instantes.










![fotocycle [210] Fozquices](https://nabicicleta.files.wordpress.com/2017/07/fozquices.jpg?w=200&h=200&crop=1)









