todos os dias são dias para pedalar

Agora que terminaram as férias (as minhas também, infelizmente), é uma excelente oportunidade para a mudança de hábitos e pôr definitivamente a vida sobre duas rodas. As horas perdidas no trânsito, o preço galopante dos combustíveis, a escassez de estacionamento, a preocupação em preservar a saúde, o meio ambiente, o facto de largar uma vida inteira sentada atrás de um volante, são apenas alguns dos bons motivos para deixar o carro em casa e adoptar aquela bicicleta, esquecida a um canto da garagem, como o seu novo meio de transporte.

“Demorei algum tempo a perceber o que estava a perder. Deixar o hábito do carro não foi fácil. Diria que é tal e qual como deixar um vício, como quando deixei de fumar, e que aos poucos vamos notando que essa decisão só nos faz bem, tanto ao corpo como à carteira. Quando comecei a usar a bicicleta para ir e vir do trabalho sabia que tinha de aprender alguns cuidados a ter no trânsito. Não é como um passeio no parque, mas depois de perceber os melhores percursos, que comportamentos ter, vi que se podem ultrapassar os problemas sem dificuldade”, diz-me o meu amigo Jorge.

Primeiro de tudo é nossa a decisão, depois é acostumar-se à ideia. A troca definitiva do carro pela bicicleta não precisa ser feita num só dia. Antes de incluir a bicicleta no seu quotidiano, o ideal é que se acostume a pedalar no dia-a-dia. Fazer um treino de adaptação, sozinho ou em grupo, em locais e dias tranquilos, para uma boa fase de transição é uma boa alternativa. A partir do momento que se entra no ritmo e passa a sentir mais segurança vai aproveitar cada momento, cada pedalada do seu novo meio de transporte. Depois comece aos poucos a usar a bicicleta para ir e vir do trabalho. Nem sempre o caminho mais rápido de carro é o melhor para fazer com a bicicleta. É recomendável que escolha o percurso mais suave, mesmo que seja o mais longo, e que se acostume ao esforço, senão vai chegar suado e cansado ao seu local de trabalho. Fazer o percurso várias vezes durante os fins-de-semana, por exemplo, mais descontraído e com menos trânsito, ajuda a escolher a melhor rota. Uma dica fundamental é ter sempre um plano B. A bicicleta é um meio de transporte por excelência, mas nem sempre dá conta do recado sozinha. Em algumas ocasiões é preciso saber aliar a bicla com o transporte público.

Devemos saber usar o tempo a nosso favor. Mesmo que o percurso feito de bicicleta seja muitas vezes mais rápido do que de carro, principalmente por causa do trânsito, é aconselhável sair um pouquinho mais cedo e desfrutar da pedalada, até para que o corpo transpire menos. Usar a bicicleta como meio de transporte é diferente de usá-la para fazer exercício. O ritmo deverá ser mais lento. Um dos muitos benefícios da bicicleta é que o tempo gasto num determinado trajecto é muito parecido todos os dias. Sabemos o tempo que demoramos e é assim mais fácil programar a nossa viagem e cumprir horários. É também a melhor forma de observar a nossa cidade que não conheceria se estivesse de carro

A escolha do equipamento deve ser o que melhor nos ajuste. Cada ciclista deve identificar o que lhe oferece mais conforto e segurança. Tanto na roupa que escolher para pedalar como em adoptar os elementos de segurança, como capacete e acessórios a ter na bicicleta. Saber como usar os vários acessórios faz toda a diferença. Uma boa dica é equipar a bicicleta com cestas ou alforges, o que aumenta a capacidade da bicicleta em transportar alguns objectos que necessitamos. Cria-se o costume de estar atento e seguir a previsão do tempo. Especialmente no Outono e no Inverno, levar sempre uma roupa mais quente e outra impermeável no alforge é meio caminho andado. Sobretudo no Verão, quando o clima está mais seco e quente, usar vestuário mais leve, procurar as zonas mais arborizadas e frescas para pedalar nos horários em que o sol está mais forte são boas ideias.

Tal como me disse o Jorge, o facto de nos ver usar a bicicleta com regularidade, incentivou-o e incentiva mais outras pessoas a fazer o mesmo. “Fica mais fácil usar a bicicleta quando vemos colegas de trabalho que têm o mesmo hábito. Demorei muito a me convencer que era melhor para mim vir de bicicleta para o trabalho mas agora não quero outra coisa. Já nem implicam comigo quando antes chegava atrasado e mal disposto ao escritório.”

“No Porto, a Massa Crítica é todos os dias”

Sobre paulofski

Na bicicleta. Aquilo que hoje é a minha realidade e um benefício extraordinário, eu só aprendi aos 6 anos, para deixar aos 18 e voltar a ela para me aventurar aos 40. Aos poucos fui conquistando a afeição das amigas do ambiente e o resto, bem, o resto é paisagem e absorver todo o prazer que as minhas bicicletas me têm proporcionado.
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apenas pedalar ao nosso ritmo.

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