atrapalhamos?

Uma única bicicleta no meio de dezenas de carros não atrapalha, embora haja quem reclame. Uma bicicleta não congestiona mas há quem se incomode por ter de a ultrapassar porque circula a baixa velocidade. Basta um único carro parado ou mal estacionado para perturbar a fluidez do trânsito. Há quem se enerve quando se depara com um grupo de ciclistas a pedalar à sua frente, e não é nenhuma bicicletada. A propósito, peguemos no exemplo da Massa Crítica que, como sabem, decorre no mundo inteiro no final de cada mês. São dezenas, centenas de ciclistas que circulam em simultâneo na mesma rua. Eles congestionam? Não! E digo não porque num curto espaço de tempo simplesmente passam mais pessoas de bicicleta do que transportadas em automóveis. É um facto perfeitamente demonstrável, a bicicleta não congestiona, e, como tal, com a bicicleta o trânsito ganha outra eficiência.

foto Sónia Arrepia, Massa Crítica Porto, Dezembro de 2011

Enquanto os carros param, a bicicleta transita, sendo em muitos casos bem mais rápida que o carro. A bicicleta não precisa ficar parada, à espera. Como uma bicicleta não pode atingir grandes velocidades, tem-se a sensação que a pedalar se leva sempre muito mais tempo. Mas na cidade os carros perdem claramente esta batalha. Embora o façam sistematicamente, os automobilistas não devem circular a grandes velocidades. Não será difícil verificar que a velocidade média de um carro no centro da cidade é inferior à da bicicleta: pr’aí 15 km/h! Na hora de ponta, então, essa média é bem inferior. Um automobilista passa a maior parte do tempo com o carro ligado, à espera do sinal verde, que o carro da frente ande ou que o peão atravesse a passadeira. Um ciclista nem precisa se esforçar para, nas calmas, fazer uma média acima dos 20 km/h. Eu faço.

foto Sónia Arrepia, Massa Crítica Porto, Dezembro de 2011

Justamente por não sofrer as consequências dos engarrafamentos, por circular melhor, por caberem mais bicicletas num único espaço físico e pelo facto dos carros transportarem geralmente uma única pessoa, é possível que muito mais pessoas se desloquem no mesmo espaço de tempo de bicicleta do que de carro. Basta para tal estar atento ao movimento da Massa Crítica. Numa qualquer rua e em poucos minutos passam dezenas de bicicletas. Depois a rua volta a encher-se de automóveis que param. O sinal abre, os automóveis arrancam para logo à frente voltarem ao rame-rame, ao constante pára/arranca. Mas as bicicletas não ficam paradas, basta esperar um pouco e esgueirar-se entre veículos engarrafados. Quem está dentro de um carro não tem outro remédio senão aguardar, esperar pacientemente que os restantes carros à sua frente se desloquem. Esperariam do mesmo modo se as bicicletas à sua frente não se movessem? Aliás, se muitas vezes nem esperam que o automobilista à sua frente seja educado e dê a passagem à pessoa que se atrasou a atravessar a rua! A impaciência dos automobilistas vem mais do facto de se acharem os donos da rua, de entenderem que o carro lhes dá direitos perante os peões e perante as bicicletas. De não compreenderem que a sua conduta tem um impacto real no trânsito. Centenas de bicicletas ocupam o espaço de poucas dezenas de automóveis. Senhor automobilista, para entender melhor imagine, se em vez de setenta bicicletas tivesse à sua frente setenta automóveis, quem atrapalha mais?

Caso pra dizer, atrapalhamos? Temos pena!…

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Sobre paulofski

Na bicicleta. Aquilo que hoje é a minha realidade e um benefício extraordinário, eu só aprendi aos 6 anos, para deixar aos 18 e voltar a ela para me aventurar aos 40. Aos poucos fui conquistando a afeição das amigas do ambiente e o resto, bem, o resto é paisagem e absorver todo o prazer que as minhas bicicletas me têm proporcionado.
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apenas pedalar ao nosso ritmo.

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