uma infusão de boas maneiras ou um estalo nas fuças…

Casa de chá na Rua das Sobreiras

…é o que certos sujeitos com uma gritante falta de chá mereciam!

Deve ser burrice que lhes está arraigada ou é puro egoísmo. Por essas e por outras coisas não suporto ‘betinhos’. Aqueles tipos cheios de azeite, azeiteiros mesmo, que passam rasantes a abrir caminho e se borrifam literalmente para quem partilha o seu espaço, só porque acham que lá por terem um Bê Eme topo de gama da empresa ou do papá são mais que os outros.

Pedalava eu tranquilamente e de narinas bem abertas pela Rua do Passeio Alegre quando se liga o vermelho no semáforo. Travo a bicla, pouso o pé no chão e aguardo vez. Do meu lado esquerdo irrompe o capôt negro de um carro que com o impacto do descomunal retrovisor contra o meu cotovelo esquerdo me abala o sossego. Aturdido e com dor de cotovelo (no sentido doloroso do termo), baixo a cabeça e espreito pelo vidro fumado que entretanto desce e me revela a figurinha. Sem uma única palavra que tivesse saído da minha boca, já do olhar saiam-me faíscas, o bacano solta-se num palavreado reles e, a brandir o dedo indicador, manda-me para aquela parte e depois para a pseudociclovia que dizem haver no passeio da Cantareira!

Eu sou de origens simples e orgulho-me disso. Não fui, de todo, criado em berço de ouro, mas também nunca me faltou nada. Os meus pais sempre me souberam dar o suficiente para uma vida razoável. Nunca nos negaram a nada mas sempre nos ensinaram que as coisas não caem do céu e o valor do trabalho para as obter. Quero com isto dizer que lá em casa nunca se pouparam a nos dar a provar do tal chazinho. E é por isso que eu, por pobre que seja em comparação a fangios cobardolas, pedalo em qualquer lado com a cabeça levantada porque sei comportar-me na rua, mesmo que para isso tenha de dar à perna. Há pessoas que não são socialmente preparadas nem dignas. Há pessoas que nem ao estalo lá vão, o que é pena, porque eu não me importava de perder um tempinho a tentar explicar-lhe várias coisas à estalada. Mas adiante… Há coisas que não se compram, e educação é uma delas.

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Sobre paulofski

Na bicicleta. Aquilo que hoje é a minha realidade e um benefício extraordinário, eu só aprendi aos 6 anos, para deixar aos 18 e voltar a ela para me aventurar aos 40. Aos poucos fui conquistando a afeição das amigas do ambiente e o resto, bem, o resto é paisagem e absorver todo o prazer que as minhas bicicletas me têm proporcionado.
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2 respostas a uma infusão de boas maneiras ou um estalo nas fuças…

  1. mouradesousa diz:

    Quando ganham dinheiro é que vem ao de cima a educação (ou neste caso a falta dela).. enfim, são tristes, não ligues.

    Gostar

  2. Pingback: na “ciclovia” | na bicicleta

apenas pedalar ao nosso ritmo.

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