…é o que certos sujeitos com uma gritante falta de chá mereciam!
Deve ser burrice que lhes está arraigada ou é puro egoísmo. Por essas e por outras coisas não suporto ‘betinhos’. Aqueles tipos cheios de azeite, azeiteiros mesmo, que passam rasantes a abrir caminho e se borrifam literalmente para quem partilha o seu espaço, só porque acham que lá por terem um Bê Eme topo de gama da empresa ou do papá são mais que os outros.
Pedalava eu tranquilamente e de narinas bem abertas pela Rua do Passeio Alegre quando se liga o vermelho no semáforo. Travo a bicla, pouso o pé no chão e aguardo vez. Do meu lado esquerdo irrompe o capôt negro de um carro que com o impacto do descomunal retrovisor contra o meu cotovelo esquerdo me abala o sossego. Aturdido e com dor de cotovelo (no sentido doloroso do termo), baixo a cabeça e espreito pelo vidro fumado que entretanto desce e me revela a figurinha. Sem uma única palavra que tivesse saído da minha boca, já do olhar saiam-me faíscas, o bacano solta-se num palavreado reles e, a brandir o dedo indicador, manda-me para aquela parte e depois para a pseudociclovia que dizem haver no passeio da Cantareira!
Eu sou de origens simples e orgulho-me disso. Não fui, de todo, criado em berço de ouro, mas também nunca me faltou nada. Os meus pais sempre me souberam dar o suficiente para uma vida razoável. Nunca nos negaram a nada mas sempre nos ensinaram que as coisas não caem do céu e o valor do trabalho para as obter. Quero com isto dizer que lá em casa nunca se pouparam a nos dar a provar do tal chazinho. E é por isso que eu, por pobre que seja em comparação a fangios cobardolas, pedalo em qualquer lado com a cabeça levantada porque sei comportar-me na rua, mesmo que para isso tenha de dar à perna. Há pessoas que não são socialmente preparadas nem dignas. Há pessoas que nem ao estalo lá vão, o que é pena, porque eu não me importava de perder um tempinho a tentar explicar-lhe várias coisas à estalada. Mas adiante… Há coisas que não se compram, e educação é uma delas.



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Quando ganham dinheiro é que vem ao de cima a educação (ou neste caso a falta dela).. enfim, são tristes, não ligues.
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