refinado prefiro o humor ou o açucar


Há dias resolvi ir bolinar contra a nortada para Leça da Palmeira. A certa altura apeei-me das pedaladas para registar em imagem aquilo que considerei uma série de absurdas contradições. Uma notícia de hoje faz-me então rebuscar a foto e tirar as minhas conclusões.

Como se pode ver a tarde estava convidativa para pedalar. Encostei a bicla ao poste que segura um sinal azul, indicador do início de uma via reservada às bicicletas, que do meu ponto de vista e neste caso, não passa de uma extensão do passeio pedonal à beira mar plantado. Permiti que em primeiro plano ficasse um outro sinal, este de proibição, que julgo saber na teoria limita a velocidade dos veículos motorizados a 20 km/h. Quanto à prática já estamos conversados.

Primeira conclusão a reter: pedalar é mais veloz do que acelerar, até numa via que em princípio seria dedicada às bicicletas mas que têm de coabitar com outros seres e objectos.

Ao fundo vislumbra-se uma floresta de tubos de escape virados para o céu. Para quem não sabe pertencem a uma refinaria que motiva a notícia do dia e que alimenta a combustão de motores que, à partida, pois caso contrário estariam a infligir as regras de trânsito, não podem circular ali mais rápido que um corredor da maratona. A refinaria da petrogal, para além de empestar o ambiente, é uma bomba relógio pronta a explodir a qualquer momento. Em 2004 e a propósito de graves acidentes então surgidos com o pipeline que a liga às instalações do Porto de Leixões, surgiram notícias de que haveria a intenção de, a prazo, encerrar a refinaria. Parece que mais uma vez de boas intenções se encheu o inferno pois tudo permaneceu na mesma. Como sempre não se teve em conta as preocupações da população local, obrigada há décadas a viver com a espada oscilando em cima da sua cabeça devido aos riscos de acidente na refinaria. Ontem a população voltou a não ganhar para o susto com explosões audíveis e visíveis a vários quilómetros de distância. Dizem as más línguas que é obra do terrorista da Noruega!!! Agora fora de brincadeiras, nem é preciso relembrar o perigo que ela representa pois os inúmeros incidentes ao longo dos anos falam por si.

Em jeito de questão, a segunda conclusão a reter será: precisaremos assim tanto daquilo?

Sobre paulofski

Na bicicleta. Aquilo que hoje é a minha realidade e um benefício extraordinário, eu só aprendi aos 6 anos, para deixar aos 18 e voltar a ela para me aventurar aos 40. Aos poucos fui conquistando a afeição das amigas do ambiente e o resto, bem, o resto é paisagem e absorver todo o prazer que as minhas bicicletas me têm proporcionado.
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5 respostas a refinado prefiro o humor ou o açucar

  1. Nuno diz:

    A refinaria, com tudo o que de mal tem, ja estava nesse lugar MUITO antes de surgirem todas as urbanizacoes que a rodeiam, por isso acho pouco correcto quem se mudou para la agora queixar-se…

    Quanto ao precisarmos daquilo, infelizmente precisamos, e muito. Essa refinaria exporta milhoes de produtos refinados todos os anos (e a unica refinaria produtora de aromaticos na peninsula, se nao me engano) e sem ela, a saude economica do Porto e do Norte fica ainda mais depauperada. Ate se encontrar solucao, teremos de a “gramar”….

    Para quem nao conhece a zona, sabe que era muito pior ha uns anos, e que a Galp tem instalado sistemas de tratamento de efluentes liquidos e gasosos que tem melhorado bastante o impacto da refinaria.

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  2. paulofski diz:

    Certo Nuno, sabemos da importância económica desta fábrica para o PIB nacional mas o único aroma que sinto ao aproximar-me daquilo é o gás trazido pelo vento. Não são apenas as populações em redor que estão em risco, toda a região está em risco e é bastante afectada pela poluição que aquilo produz.

    Desde há muito que ouço dizer que vão tirar a refinaria dali. Como ninguém a tira, um dia destes ela chateia-se e sai pelo próprio pé!

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  3. Helder diz:

    No fundo, no fundo, é preciso uma Expo xx para a zona norte/Porto! Não sendo uma refinaria foi a unica maneira de sair o lixo e “irem” reabilitando uma zona importante da cidade de Lisboa/Concelho de Loures, ou seja, se for acenado muiuiuiuiuito dinheiro e houver uns quantos que podem ganhar muito….o problema é que muito mais caro desmantelar/limpar a zona envolvente e criar uma nova algures do que a questão dos terrenos da expo 98, eram “apenas” reservatórios e pouco mais…pode ser que a preessão imobiliária faça das suas.

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  4. paulofski diz:

    E bota pressão imobiliária nisso Hélder, porque o valor daqueles terrenos com vistas para o Atlântico atingiriam valores astronómicos. Estranha-se o facto é de a este propósito a autarquia ter permitido um crescente nível de urbanização em torno do complexo. Mas o que seria complexo em caso de uma catástrofe (mesmo com todas as normas e procedimentos de segurança haverá sempre a imponderação de todos os riscos, veja-se o caso de Fukushima) não há perímetro que garanta minimamente a segurança de pessoas e bens.

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  5. Nuno diz:

    Se vão retirar a refinaria dali, para a onde a vão levar? Eu não sei de nenhum local no litoral (tem de ser no litoral porque é pelo litoral que chega o crude…) que não esteja ocupado por habitação ou não seja ambientalmente sensível. Eu não quero ver este mastodonte no meio das dunas de Ovar ou na praia de Labruge. Se souber de algum local que cumpra com estas condições diga que eu não estou a ver… Se a solução for apenas e só fechar discordo. É um activo muito importante para a nossa economia, porque entram MILHÕES de euros nos cofres da CM Matosinhos, Porto etc, à custa de taxas directas sobre a Petrogal e impostos indirectos à custa desta refinaria, para não falar das centenas de pessoas que lá trabalham… Além disso, a Petrogal à custa do impacto que teve e tem, investiu e investe muito dinheiro na envolvente de modo a modo a minimizar o seu impacto, e mesmo fora da sua área de implantação (vejam-se os projectos de repopulação florestal).

    Quanto à Petrogal sair pelo seu próprio pé acho pouco provável. A Petrogal está a investir 1.4 mil milhões de euros nas duas refinarias (Sines e Matosinhos), e espera aumentar a produção em Matosinhos em mais de 20 mil barris por dia, para além de aumentar a quantidade de produtos produzidos, fazendo da refinaria de Matosinhos a mais diversificada das duas (logo, mais exportações), e aumentando o PIB desta zona do país, por isso não me parece que planeiem sair de Matosinhos tão cedo.

    O cheiro é relativo. Para alguns cheira mal, para outros cheira muito mal, mas o cheiro (este em particular) por sí só não tem efeito nenhum na saúde pública (para além do incómodo). As concentrações de enxofre são muito baixas mesmo na emissão. O problema é que certos compostos mesmo a concentrações muitíssimo baixas são passíveis de ser sentidos pelo nosso olfacto. Pior pior são aquele compostos que não cheiram e são bem piores para a nossa saúde (como as dioxinas).

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apenas pedalar ao nosso ritmo.

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