Há dias, quando levei a Etielbina à clínica de reabilitação, conversa vai, conversa vem, perguntei ao entendido na matéria o que poderia fazer para rejuvenescer o velho quadro da minha escrava. É um quadro de alumínio 7005, revestido com uma grossa camada de verniz. Sempre gostei da cor metálica, tipo cromado baço, que o alumínio lhe confere, mas com o tempo o verniz foi-se autodecapando e ultimamente cada vez mais se notavam as rugas da velhice. O que me ocorreria então fazer, era encontrar alguém que tivesse prática na restauração de bicicletas e realizar um peeling à velha carcaça. Já eu fazia contas a despesas e possíveis demoras do servicinho, quando o Sr. Barbosa me contou o que um amigo fez com uma bicicleta da mesma raça. E porque não, fiquei então a pensar. A pensar na dica e na empresa em que teria de me meter. E esta semana meti as duas mãos ao trabalho e realizei eu mesmo a operação plástica. Segundo o especialista precisaria apenas de um instrumento de cirurgia, uma escova de palha d’aço, para eliminar qualquer vestigio de verniz. Para além de duas esponjas de aço de cozinha, recorri a uma chave de umbrako e aos poucos acrescentei doses maciças de paciência à receita. Desmanchei o que mais pude da bicha, raspei-a da forqueta à escora e deixei-a tão lisinha como o mons púbis de uma brasileirinha. Provavelmente com o tempo aquele aspecto limpinho do alumínio escovado irá oxidar e escurecer, mas acho que valeu bem o esforço e apreciei bastante o resultado final da minha dedicação. O mesmo não poderei dizer do escaldão que dolorosamente o sol me gravou nas costas mas que disfarçou ligeiramente as cyclist’s tan lines que tenho conseguido nestas recentes pedaladas estivais.




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