Certo dia uma colega avistou-me a chegar de bicicleta ao jardim da instituição onde trabalhamos. Mais tarde, numa pausa para o cimbalino, o tema “pedalar para o trabalho” foi assunto de conversa e ela, com um certo ar fascinado, saiu-se com esta: “Hummm, a pedalar tanto assim deves estar com umas boas pernas!”. Não desconversei e respondi: “Sim, e menos barrigudas!”. Ok, eu percebi onde ela pretendia chegar com o “boas”. Será que se nota assim tanto? É que eu uso calças largas!
O facto de pedalar de bicicleta para o local de trabalho sempre gera os mais diversos comentários, o que não acho estranho pelos diferentes hábitos que adquirimos, de práticas que achamos “normais”. Pondo de parte a questão económica e ecológica, a bicicleta chama para si muitos outros ecos de interesse: capacidade física, liberta a mente, dá saúde.
Com o acréscimo de sedentarização no estilo de vida, as escadas rolantes, os elevadores, os automóveis, o ser humano amoleceu, relaxou e acomodou-se. Não importa se gordas ou magras, as pessoas estão enfraquecidas. Ofegam ao subir um vão de escada, enquanto um ciclista a sobe de dois em dois degraus sem dificuldade. Num mundo de pessoas medrosas muitas vezes passa a imagem de poder, que os ciclistas urbanos são enérgicos, fortes e vigorosos, de ser muito corajoso enfrentar o trânsito. Impera algum cagaço na sociedade mas a cultura da bicicleta vai, aos poucos, se sobrepor à indústria cultural do medo. Por isso suamos as estopinhas também a provar que não é preciso assim tanta coragem em pedalar no meio de carros blindados. Eu não pedalo diferente dos demais ciclistas. Não sou super, sou apenas um humano que pedala e, como qualquer outro ciclista, assim o meu corpo funciona melhor.
As pessoas que andam regularmente de bicicleta poupam muitas visitas ao médico. Na saúde, os benefícios das pedaladas são imensos: o exercício aumenta a capacidade respiratória, alivia dores nas costas, diminui o colesterol e a pressão arterial, auxilia o emagrecimento, atenua o stress e as tensões. O prazer proporcionado pela bicicleta contribui para a sensação de bem-estar. Proporcionando a sustentação do corpo através de uma postura correcta, a bicicleta ajuda a fortalecer o abdómen, fortalece e define os músculos, deixa as pernas e o rabo tonificadinhos.
Mover-se é da nossa essência e, portanto, é estético, pois o belo e atraente é o que a natureza nos ensinou a procurar e desejar, não necessariamente jovem, não necessariamente musculado, mas saudável. E mais a mais pedalar é sexy. Não importa a idade, se gordo ou magro, se homem ou mulher, se adolescente ou adulto, querendo ou não, o ciclista é sempre objecto de curiosidade e motivo de desejo… rhummm… rhummm… desculpem, foi a Liz Hatch que me caiu no goto…






![reciclando [23] ciclista e peão](https://nabicicleta.files.wordpress.com/2013/03/ciclovia-da-prelada.jpg?w=200&h=200&crop=1)









Curiosamente, um amigo meu chegou a essas conclusões sobre o fascínio em relação aos ciclistas, há um tempinho atrás.
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