can’t miss [212] mubi.pt

A associação MUBI escreveu ao Governo propondo o plano para fazer da bicicleta uma alternativa no pós-covid, defendendo medidas como a diminuição da velocidade para 30 km/h e o incentivo à construção de ciclovias para evitar o regresso massivo ao uso do automóvel.

A bicicleta, uma aliada na saída do confinamento

“Preparamo-nos para a saída do confinamento e teme-se um incremento da utilização do automóvel individual, com congestionamento e poluição das nossas cidades. Os modos activos de deslocação têm-se provado seguros e saudáveis durante a pandemia, contribuem para a resiliência dos sistemas de transporte e ajudam a descongestionar os transportes públicos. Tal como se observou em 2008, com a degradação das condições económicas, é previsível que a bicicleta assuma um papel importante na mobilidade dos indivíduos. A MUBi propõe um plano de medidas prioritárias para apoiar e fomentar o uso dos modos activos durante a saída do confinamento. […]”

Podes ler aqui no site da MUBI a noticia completa com o plano de medidas propostas ao Governo  para apoiar e encorajar os modos activos de deslocação como modo preferencial de transporte durante o período de saída progressiva do confinamento.

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diários de um ciclista urbano numa cidade (quase) fantasma

Antes da pandemia as palavras significavam o que elas significavam. Agora, não. Agora, os dicionários, assim como o glossário que nos entra em casa, têm outro conteúdo, outra incerteza. Curva epidemiológica; Cerca sanitária; Ventilador; Letalidade; Vírus… A tele-escola da covid-19 obriga-nos a re-alfabetizar. A adoptar conceitos que devem ser explicados e entendidos, sobretudo nos tempos extraordinários como os que vivemos.

Re-alfabetizado, portanto, passei a época da Páscoa e a semana seguinte confinado em casa, em evicção – mais uma palavra a acrescentar ao meu vocabulário. Poderia estar feliz, sentindo-me sadio por estar livre, até ver, do vírus. Poderia estar sereno, em paz, por estar em casa, horas infinitas a ler, a ver filmes, me rendendo ao comportamento bovino e passivo do noticiário e das redes sociais.

“As saudades que eu já tinha da minha
alegre casinha tão modesta quanto eu
Meu Deus como é bom morar no rés do
primeiro andar a contar vindo do céu…”

Um edifício entre muitos edifícios. Um apartamento entre muitos apartamentos. Com os ouvidos percebo o que a vizinha de cima calça, com o olfato sei o que os vizinhos da frente estão a cozinhar. Distanciamento social, o que é isso? Nunca estivemos tão longe uns dos outros, tão apartados, tão separados, e, por incrível que pareça, nunca estivemos tão perto. Passamos agora os dias ao vídeo-telefone com a família.

Desde que a normalidade foi cancelada, em qualquer noite deste Abril apocalíptico que durmo mal. Ando ansioso, meio abatido, com receio do futuro. Tenho alternado “dias sim” e “dias não”. Sem o pretexto de sair a pedalar para o trabalho, evitei a bicicleta. Um verdadeiro ansiolítico, que me poderia atenuar estes dias de quarentena privilegiada, não sentei o rabo no selim. Fiquei em casa, numa espécie de penitência. Com o desejo de pedalar para qualquer lugar, o meu estado de espírito estava longe, do lado de fora da janela.

Respeitando o distanciamento social, o sol permitiu-me escapar de mão dada com a minha mais que tudo, em precárias saídas da prisão domiciliária para as compras essenciais. Ir à padaria, ir à mercearia,  “deitar o lixo”. Esticar as pernas e tomar ar, em curtos momentos de liberdade para fazer os tais “passeios higiénicos”. O privilégio de explorar e usufruir a natureza, os maravilhosos jardins que temos à volta de casa.

A primavera não foi avisada e o planeta está a beneficiar do confinamento dos humanos. O novo coronavírus esvaziou ruas, encerrou negócios e interrompeu milhões de vidas, menos o canto dos pássaros. Com a brusca diminuição da presença humana nas ruas, os animais selvagens urbanos têm caminho livre para reivindicar a cidade.

O tempo mudou de tempo, e o novo tempo é de estar desconfiado, de tudo e de todos. O bicho é cruel e democrático, mas o mundo dividido em dois, entre as pessoas que respeitam as normas pelo bem de todos e as que somente pensam nos seus próprios interesses, a paciência está a esgotar-se. Quanto tempo vai demorar, ninguém sabe. Dia após dia fica cada vez mais difícil, mas não é apenas do ponto de vista económico que os comportamentos irracionais emergem. Há o mecanismo cobiçoso que faz com que pessoas que se dispunham a respeitar as regras, ao ver a tendência de maus exemplos desejam violar também esse compromisso É a teimosia do egoísmo, do “se os outros não cooperam, nós também não cooperamos”. O problema é que estas pessoas incumpridoras são as mais perigosas.

Terminado este período de evicção… Ok, para vos poupar o trabalho de pegar num calhamaço Português-Português, “evicção” é, no caso, mais ou menos isto: a redução do ritmo de trabalho com vista à prevenção do profissional de saúde perante acidentes e doenças profissionais.

Prontes, então, dizia eu, terminado este período de evicção, volto finalmente a alapar o rabo na bicicleta. Noto que as ruas já não estão tão desertas, há mais movimento rodoviário, mas as escolas e as lojas permanecem fechadas. Ao início da manhã, estou a chegar ao local de trabalho no centro da cidade. A corrente ecoa em ruas outrora congestionadas. Não estranho pois o tempo de chuva é aliado com as autoridades nestes tempos de confinamento. Só mesmo quem realmente precisa é que pedala nas ruas. “Pareces um maluquinho!”, ouço à chegada!

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can’t miss [211] randonneursportugal.pt

Voltando a satisfazer o compromisso de aqui partilhar relatos dos aventureiros tugas no Paris-Brest-Pairs de 2019, ao ritmo que vão saindo novos testemunhos do forno dos Randonneur Portugal, chega a vez de dar a conhecer a crónica de Carlos Herlander, um dos randonneurs repetentes do PBP.

Sai mais um excelente relato, leitura apropriada a estes tempos de confinamento e de pouco entretenimento.

“…quando dou por ela estou em Brest, desta vez noite clara a proporcionar uma visão magnífica lá do alto da ponte…”

Carlos Herlander
Randonneurs Portugal Nº20120060
Paris Brest Paris 2019

[…] “Seguia eu de madrugada, mais ou menos congelado, pois tinha acabado de sair de Fougeres onde dormi duas horas (desta vez sob as estrelas que a árvore ficou em Brest) e ainda não tinha conseguido aquecer, quando junto a uma casa tipicamente rural vejo uma luz proveniente dum candeeiro a gás colocado em cima duma mesa onde não faltavam bolachas e bolos de todos os feitios. Assim que paro, aparece-me logo um casal de velhotes, enrolados em mantas. Tinham dado um pulo a casa para renovarem o stock de café quente. Em noite fria, café a ferver acabado de fazer e bolinho caseiro não é para todos. Brevemente, alguém em França irá receber um postal do Ribatejo acompanhado duma garrafa de vinho do Porto. É por estas e por outras que o PBP é o que é!” […]

Podem ler o relato completo do Carlos em: https://www.randonneursportugal.pt/pbp-2019-por-carlos-herlander/

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diários de um ciclista urbano numa cidade fantasma

Esta coisa do coronavírus, codvid-19, quarentena, estado de emergência, virou muitas vidas do avesso. Pessoas confinadas ao domicilio, escolas encerradas, fábricas paradas, comércio de rastos. Uma pandemia com efeitos devastadores imediatos.

Por motivos profissionais, o meu dia-a-dia pouco se alterou. A vida continua, e para que vá trabalhar continuo a pedalar, exclusivamente utilizando a bicicleta como meio de transporte, fazendo os meus percursos habituais, observando o Porto, sentindo o pulsar moribundo de uma cidade (quase) fantasma.

O Porto assim tão deserto é o éden rodoviário para o ciclista urbano tripeiro. Mas não, preferia ver a normalidade de uma hora de ponta. Normalidade aparente que se vive no hospital. Qualquer mensagem de apoio dá motivação e compromisso aos nossos guerreiros. Obrigado Super Dragões.

Hora de ponta do chamado “dia útil” é mais calma que uma manhã de domingo! No commute matinal, a certa altura, numa rua momentaneamente sem carros e sem gente, senti-me como um aventureiro do apocalipse.

Diz que em tempo de guerra não se limpam armas e a nossa arma perante tão malévola ameaça é o distanciamento social, a protecção individual, respeitar e acatar as indicações das autoridades. Mesmo que na tua pedalada solitária passe um colega de trabalho, não te aproximes dele e deixa-o ir.

Fica em casa. No fim de semana não podes ir dar a tua demorada volta recreativa, dá asas à imaginação. Olha, dá uma volta nos rolos… Não tens rolos nem o Zwift, coiso, tive uma ideia mas desde já te aviso, evita o rolo da massa, dá uso aos rolos de papel higiénico que açambarcaste e ainda deves ter aos montes.

Evita ao indispensável necessário as saídas higiénicas, passear o cão, o gato, o piriquito, ou então não imitar gente estúpida como os meus vizinhos que andam a butes na ciclovia em amena cavaqueira. Distanciamento social, o qu’é isso? Deixem-se estar que estão bem, cambada de…

🎼 só eu sei porque fico em casa 🎼, no fim de semana porque segunda feira, bute. Mas…

 

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can’t miss [210] outsideonline.com

Need to Get Around in a Pandemic?
Ride a Bike.

As COVID-19 shuts down buses and trains in cities, we remember that bicycles are the ultimate contingency plan

New Yorkers laughed off the bit about the subway—until social distancing became a way of life, there was no such thing as a New York City subway train that wasn’t packed during rush hour—but they took his bike-to-work advice more seriously. Days later, the New York City Department of Transportation reported a 50 percent surge in cycling over the East River bridges compared to the same time last year. Citi Bike also saw a 60 percent increase in ridership. Certainly, the warm weather and the extra hour of daylight from changing the clocks that weekend contributed to the bumper crop of cyclists, but plenty of people also cited coronavirus as the reason they chose to ride. One rider told the New York Post: “I feel better taking the bike… There are fewer hands touching these handlebars than the subway poles.”

This is by no means the first time people in major cities have turned to the bicycle in a crisis. When Hurricane Sandy knocked out the subway in 2012 and caused gas rationing, people rode bicycles. When the blackout of 2003 plunged New York City and huge swaths of the northeast into darkness, halting trains and causing mass gridlock, commuters scrambled for rental bikes. The bicycle has been a clutch player during transit strikes in New York, Philadelphia, London, and Paris. And on a personal note, during the chaos, confusion, and horror of 9/11, the bicycle got me where I needed to go. When the shit hits the fan, the bicycle is a powerful contingency plan.

[…]

As this pandemic compels us to consider the shortcomings of our healthcare system, the fragility of the economy, and our need for affordable healthcare, we should also give the bicycle its due. Even when you neglect it, it’s always there for you—all it ever needs is a little air in the tires.

Mais alguns artigos de bastante interesse sobre a mesma temática:

“As autoridades belgas estão a encorajar as pessoas a fazerem passeios de bicicleta e caminhadas, desde que mantenham uma distância de segurança de um metro e meio.”  in Jornal Económico

“Em particular, no que diz respeito ao uso da bicicleta, é permitido usá-la como meio de transporte nos movimentos permitidos para chegar ao local de trabalho, ao local de residência, bem como às lojas de primeira necessidade e à prática de desporto ao ar livre.
As condições a serem seguidas, como para todos os movimentos permitidos, não se mover em grupo e mantendo a distância mínima de segurança de 1 metro entre as pessoas.” in: Radiogold.it

“É possível pedalar durante o confinamento anunciado na segunda – feira por Emmanuel Macron , que entrou em vigor por pelo menos duas semanas a partir desta terça-feira. No entanto, várias condições devem ser respeitadas: você precisa andar de bicicleta sozinho e deixar entre 1 e 2 metros entre você e as pessoas que conhece. Finalmente, um certificado de viagem depreciativo será obrigatório para esse passeio, assim como para cada outra finalidade.”  in: liberation.fr

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vivemos dias estranhos

O impacto do surto de coronavírus na realidade lusa é agora evidente. O que parecia estar confinado ao continente asiático se materializou numa ameaça global. O crescimento exponencial do surto do Covid-19 volta a colocar o mundo em estado de guerra contra um microscópico vírus. Ao contrário da primeira pandemia do século, a gripe H1N1, o Covid-19 tem causado uma situação desesperante e de mortalidade muito grande. O cenário é preocupante, e qualquer que seja o desenvolvimento é já um grave problema global de saúde pública.

Se a propagação do coronavírus continuar, na proporção actual, por vários meses, os custos na saúde, na economia e nas condições de vida da população mundial serão terríveis. A perspectiva imediata é de continuidade da pandemia e consequente pandemónio na economia global. Se a pandemia não for controlada e mantiver o ritmo actual, o mundo poderá sofrer uma crise social sem precedentes.

Depois de alguma desvalorização da doença não vamos agora entrar na fase do pandemónio da ignorância e dos medos. Nada de alarmismos, não entremos em pânico. É preciso um esforço colectivo para fazer frente ao inimigo com os nossos comportamentos. Se não forem aceleradas e adoptadas as medidas de contenção da epidemia, estamos bem fodidos… lixados!

Vamos lá malta, cabe a nós, bichos humanos, juntar as mãos… neste caso os cotovelos, e unidos dar cabo deste bichinho, com inteligência, abnegação e civismo. Não lavar daí as mãos, achando que o vírus não nos apanha, mas pelo menos ter as mãos bem lavadas, pois sabe-se que este vírus se transmite com muita facilidade, no contacto próximo com pessoas infectadas ou superfícies e objectos contaminados. Algumas medidas preventivas de higiene pessoal são fundamentais para evitar a propagação da coisa: Evitar o contacto social. Não entupir as linhas de triagem Saúde24. Racionar o consumo de bens essenciais, máscaras de protecção e afins. Seguir as orientações emitidas pelas entidades oficiais. Foi absolutamente recomendado suspender ou adiar eventos com grandes aglomerados, sendo aconselhável ficar de quarentena, restringindo ao indispensável sair de casa.

Mas vida continua, o mundo gira e muitas de nós precisam de se deslocar de um lugar para outro. Ir trabalhar e dar o contributo possível para a sociedade. Diante desta realidade questiona-se qual a forma adequada para o fazer sem se colocar em risco de um possível contágio. Parece óbvio que uma situação de alarme colectivo, viajar de transporte público será o mais arriscado. Basta o sujeito sentado ao lado tossir para causar a dúvida se é seguro entrar num autocarro, comboio ou metro!

O facto é que na mobilidade urbana e interurbana existe uma clara correlação entre o uso do transporte público e a propagação da gripe. A mesma incidência foi verificada em estudos à mobilidade em veículos particulares, como o automóvel, e o risco de contágio com alguém que está com gripe é também presente. Esta evidência é mais um factor para recomendar o uso da bicicleta como a melhor alternativa para o transporte. Obviamente, isso depende da pessoa, da idade, da distância a percorrer, do preparo físico… Não vou dizer a um tipo que leva uma vida sedentária que comece agora a pedalar para o trabalho. Mas, honestamente, quando se têm a opção de se deslocar a pé ou de trotinete eléctrica, acho que é uma prática altamente recomendável e isso reduz significativamente o risco de contágio.

Enquanto durar esta ameaça do Covid-19, continuarei a sair à rua de bicicleta, seja para o meu commute diário, de e para o trabalho, seja para uma pedalada mais demorada e distante. A prática do ciclismo pode ser o antivírus de que precisamos. Desde logo porque todos nós que praticamos ciclismo sabemos que, mentalmente, pedalar é uma actividade lisonjeadora. Não pensamos nas coisas más e nos sentimos mais autónomos e confiantes. Por outro lado, o ciclismo tem benefícios evidentes para o sistema imunitário e pode retardar os efeitos de um possível contágio. Depois, e concordando que é absolutamente recomendado suspender ou adiar eventos com muita gente, não vejo perigo, ou colocar alguém em perigo, ao sair à rua no selim da minha bicicleta. Nesse sentido, não há nada negativo. Não consigo encontrar nada melhor para fazer do que pedalar, mesmo que seja sozinho pois então, para depois, quando chegar a casa, continuar a ser um tipo e cidadão responsável, permanecendo de quarentena, a descansar as pernas.

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can’t miss [209] circulaseguro.pt

Do assunto, traquejo já tenho e muito, demasiado até… Longe vá o agouro (batendo com os nós dos dedos na madeira), prever um acidente, um desfalecimento, uma queda, mas cair de bicicleta pode ocorrer a qualquer um que pedala. Não há destreza do ciclista que supere a física e a lei da gravidade, portanto depois de um infortúnio é importante ter algumas noções do que se pode fazer.

O que fazer se cair da bicicleta na estrada ou em cidade?

“Longe de baixar drasticamente, a sinistralidade de ciclistas mantém-se em alta há alguns anos. O aumento do número de pessoas que se deslocam em bicicleta é um dos motivos que justifica o crescimento de mortos por acidentes com este tipo de veículos, mas não é o único.

Por isso, é peremptório fomentar a convivência. Se nos colocarmos na pele de um ciclista, um dos momentos que mais tememos, desde o mais experiente ao menos rodado, é uma queda. Cair e levantar. Duas ações incluídas de série na nossa genética e que qualquer um de nós que já andou de bicicleta experienciou de forma natural. As consequências de uma queda de bicicleta podem variar muito de acordo com a forma como e onde acontece.

Assim, vamos tomar com fator diferenciador e dedicar a nossa análise às quedas em asfalto. E, ainda que seja inevitável encontrar aspetos em comum, os acidentes em cidade e em estrada que acontecem aos comandos de uma bicicleta podem ter diversas causas, modos de prevenir e repercussões.

Acidentes em cidade e em estrada

Pedalar sobre o asfalto, tal como fazem os ciclistas urbanos e os que pedalam em estrada, significa integrarmo-nos no trânsito e respeitarmos as normas de circulação.
No caso dos acidentes em cidade e em estrada de bicicleta, os ciclistas têm uma certa margem de manobra para esse desagradável e tormentoso momento que experienciam quando sabem que a queda é iminente e que desta vez não a podem remediar. É como quando andar de moto. Todos sabemos que algum dia vamos cair, só não sabemos quando.

O primeiro é genuinamente psicológico. Influencia em boa medida, não só a experiência do ciclista, mas também o grau de atenção que tem nos segundos anteriores ao incidente e a calma que se consegue manter. O ciclista não se livra da necessidade da atenção permanente em estrada. Em caso de queda, esta oferece a oportunidade de colocarmos a preceito os nossos reflexos ou até a vontade direcionada para evitar consequências mais graves.

O que fazer quando caímos?

Se não pudermos evitar cair, podemos tomar algumas medidas…

1 – Mantenha a calma…
Como já referimos, manter a calma pode dar-nos a tranquilidade necessária para evitar diferentes situações que possam ocorrer de imediato. A primeira tem a ver com o trânsito à nossa volta. É muito importante, no caso de quedas pouco graves, procurar afastar-se da zona de circulação dos veículos. Desta forma podem ser evitados males maiores.

2 – Aperceba-se do seu estado de saúde e… mantenha a calma
Claro que a primeira medida vai depender da gravidade da queda. Não é a mesma coisa uma queda que faz um pequeno corte numa perna ou num braço e uma outra que deixa o ciclista imobilizado no asfalto e cheio de dores. Daí a importância dos veículos manterem uma distância de 1,5 m quando circulam ao lado de ciclistas.
Comprove as consequências físicas que a queda pode acarretar para perceber sinais que vão para além da dor. Levando o tempo que for preciso, convém ter atenção ao nível de consciência, ao movimento das articulações, à respiração, à presença de possíveis hemorragias e a tudo o que tenha a ver com os primeiros socorros.
De acordo com a Fundação MAPFRE:
Se depois de uma queda existir dor, perda de conhecimento, dificuldades respiratórias, sonolência, vómito ou outras consequências, chame-se o 112 ou desloque-se, no caso de conseguir, ao hospital mais próximo.
Sem descurar outros possíveis sinais, é mais do que relevante percebermos se a queda afetou a zona da cabeça, pescoço ou costas. É um bom sinal se conseguirmos mexer a cabeça, olhar para os dois lados, para cima e para baixo sem dor.

3 – Peça ajuda
Ainda que aparentemente não estejamos bem, convém dedicarmos tempo suficiente a avaliar a necessidade de ajuda. Isto inclui pedir auxílio aos restantes utilizadores da via, como solicitar o quanto antes assistência médica.

4 – Não se esqueças da saúde da bicicleta
Se nos levantamos do chão com consequências físicas muito leves e se nos encontrarmos em disposição de continuar a rolar, nunca o façamos sem antes verificar como está a bicicleta. É recomendável perceber o estado da direção, do guiador, dos travões, das mudanças e dos restantes componentes. Devemos ainda verificar o estado dos pneus.
A melhor medida a tomar é a prevenção
Seja como for, evitar acidentes em cidade e estrada de bicicleta começa com uma atitude de prevenção. Conhecer e cumprir as normas de circulação é a primeira garantia para salvar situações que podem terminar numa queda.
O capacete é um elemento imprescindível para assegurar uma proteção miníma. A escolha da “roupa” e do equipamento a utilizar é também importante. A própria bicicleta também influencia a sinistralidade. Algumas bicicletas oferecem maior estabilidade e controlo que outras. Ao mesmo tempo é preciso fazer manutenção dos vários componentes da mesma que estão diretamente relacionados com a segurança.
Da mesma forma, é aconselhável tomar medidas para aumentar a visibilidade face ao resto dos utilizadores da via. Isto pode ser conseguido através de elementos refletores, mas também a partir da utilização de sistemas de iluminação permitidos e homologados.

O protagonismo do asfalto

Analisada a frio, uma queda não é mais do que uma junção de variáveis infelizes que acabam por empurrar o ciclista para asfalto. Nesse sentido, existem condicionantes externas que podem influenciar. Falamos da meteorologia ou de pedalarmos com o piso molhado ou até quando está a chover. Este tipo de situações requerem as suas próprias medidas concretas. O asfalto é determinantes nestes contextos.
O estado do asfalto afeta sempre a forma como andamos de bicicleta. Até mesmo no verão. Cair sobre um piso quente pode ser muito perigoso, uma vez que pode rasgar a pela e magoar a sério.
Resumindo, os ciclistas têm de conservar o equilíbrio que os mantém “fixos” ao chão. A ideia é encarar a coisa sem grandes preocupações, tendo sempre o devido cuidado e o material adequado.”

Fonte: Circulaseguro.com

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fotocycle [248] Magnolia x Soulangeana

Assim é outro dia. Mais uma manhã ao fresco, repetindo o mesmo atalho, anunciando a melancolia das metamorfoses de Inverno. Um dia igual e diferente a cada manhã. Frio, mas o dia ainda está a aquecer. Apenas mais uma pedalada para um dia de trabalho. As árvores estéreis invejam as que florescem cedo. Vários tons de branco, rosa e roxo. Floridas camélias e magnólias, que brotam para logo se soltarem e estenderem no chão, no seu ciclo vital. Perene.

Aproveito cada momento.

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can’t miss [208] randonneursportugal.pt

” … desde a pré-inscrição em Janeiro, não passou um dia que não pensasse no PBP, mas de uma forma tranquila, ler/ouvir muitas experiências, treinar, fazer a série … ”

José Mota
Randonneurs Portugal Nº20130132
Paris Brest Paris 2019

“(Foto emprestada) Experienciar um nascer do sol como este no contexto PBP é inexplicável.”

Satisfazendo o compromisso de aqui partilhar os relatos dos aventureiros no Paris-Brest-Pairs de 2019 que vão sendo publicados no sítio dos Randonneur Portugal, chega a vez de dar a conhecer a crónica de José Mota, estreante e “finisher” do PBP, outro randonneur que se sente privilegiado.

“O PBP foi um sonho. Penso que qualquer randonneur que faça distâncias maiores e com alguma regularidade, em algum momento pensa em fazer o PBP, como alguém disse é o “pináculo do calendário randonneur”. É aquele brevet que toda a gente quer fazer pelo menos uma vez. Foi assim comigo também, sonhei e desejei muito e o sonho concretizou-se. Sou um privilegiado.”

Fonte: https://www.randonneursportugal.pt

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#commutescount

Depois de algumas honrosas presenças nos patamares inferiores do mais cobiçado pódio do blogobairro, a única camisola que alguma vez almejaria vencer neste excelso clube strávico que é a Divisão Velopata, um grupeto de moços e moças pedalantes que permitem as suas boas vidas vividas no selim serem bisbilhotadas com pertinácia por um cusco, como quem cusca mesmo, o Velopata, e mensalmente escarrapachadas, gozadas e/ou admiradas, palavras do próprio, numa exposição hum… humor… humoríficoanalítica e insuspeita classificação para a posteridade e honradez de quem ganha horas de vida no pedal.

Quem leva o transporte/passeio/treino velocipédico mais a sério deve necessariamente ter um registo detalhado das suas voltas na aplicação de todas as aplicações, o Strava. Quer por uma questão de contabilidade quilométrica, altimétrica, por uma questão de comparação da evolução ou simples gabarolice, a malta dá ao pedal e acumula kom’s e kudos (não, não são escudos). O que interessa é que esses dados estejam guardados para mais tarde partilhar. E não falo apenas de números. Há depois quem seja mais metódico e coloque belas fotografias de bicicletas, autoretratos e paisagens só para outro ciclista ver. E gostar.

Mas voltando à pêra doce, a Divisão Velopata do Blog do Velopata, pois só mesmo, com o mesmo, o próprio, de quarentena por causa de uma virose coronada… ahhh, afinal foi só uma gripesinha e uma dorzinha de garganta, mais o amigo David Matos mais no processo tântrico da busca do autoconhecimento em sapatilhas, e o meu amigo Frinxas distraído com as vizinhas lá do prédio (diz que foi uma birra! tsss…), é que este vosso companheiro da dura vida de dar ao pedal, inesperadamente venceu a afamada, invejada e suada… tcharammm

Jersey Alucinado Diário

1º Paulo Almeida – 53 RS

2º David Matos – 46 RS

3º Frinxas él Térribelé ® – 43 RS

…”o destaque vai para a grande ausência velopática do pódio dos que não só utilizam a Bicicleta como elemento desportivo em suas vidas mas também para meio de transporte, desconfiando o Velopata que neste adorado clube do qual é curador, muitos desconhecem esta virtuosa faceta da Bicicleta.

Paulo Almeida, curador do blog “na bicicleta” (que podeis encontrar clicando aqui), e David Matos, o nosso diário distribuidor de carochas urbanas pejadas de Pranayama ou lá o que é, como habitualmente assumem as despesas de liderança pelo exemplo, no entanto, o grande destaque prende-se com a chegada do nosso Ciclista com marca registada e tudo, Frinxas él Térribelé ®, ao pódio dos commuters, portantos, praticantes do Commute.

Segundo coscuvilhices velopáticas, Frinxas deu por si acometido de uma invernante desmotivação velocipédica (maleita que o Velopata jamais entenderá; como é possível um bicho humano desmotivar de dar ao pedal?!?!?), portantos é aguardar que este seu lugar no pódio motive seu regresso, não apenas a este, mas a outros pódios velocipédicos onde já o ouvistámos.

E para os mais distraídos, o Velopata explica – RS é a grandeza física, nos entretantos já aceite pelos elevados padrões do SI (Sistema Internacional), que mede a quantidade de Registos Strávicos de um atleta.

No jardim da entidade laboral, já quase todos se habituaram a ver uma das minhas biclas amarrada ao gradeamento, partilhando o espaço com bicicletas e motas de outros funcionários. Colegas não ciclistas, com quem cruzo nas minhas pedaladas diárias entre casa e o hospital, comentam ter me visto ao longo do percurso e questionam-me sobre isso.

O clique deu-se há muitos anos após um desbloqueio mental: “Se ao fim de semana saio em longas pedaladas cicloturistas porque não fazê-lo diariamente para ir trabalhar!”. Essa coisa de ter que usar roupa e equipamento específico para pedalar, à chuva, ao vento, ou debaixo de um sol abrasador, mais não era do que algum acanhamento inerente. Mudar o paradigma da bicicleta na cidade, enfrentar o trânsito diário no Porto para o transporte é dizer convictamente que é possível. Apesar de todos os mitos associados à bicicleta na cidade, muitos outros também adoptaram esse modo de vida.

E porquê a bicicleta e não o carro ou o autocarro? Simplesmente porque é o meio de transporte que permite explorar da melhor forma o ambiente que nos rodeia. A bicicleta permite uma relação diferente com o tempo e o espaço. Ser pontual. Permite descobrir a cidade de uma outra forma, explorar trajectos, conhecer recantos ignorados até pelos próprios residentes. Depois temos o factor económico, a condição física, a tendência ecologista da bicicleta, que influenciam de forma positiva a massa crítica que vai ocupando as ruas da cidade.

Depois do trabalho alargo mais a distância do “commute”. Nos dias de folga, em estrada aberta ou por trilhos campestres, cada curva pode trazer uma coisa nova para contemplar, para explorar. Ao longo destes anos sinto-me cada vez mais acompanhado nesta “aventura” pelo país, reforçando a sensação de autonomia e independência que a bicicleta me dá. E isso é um sentimento que não tem preço. É um estilo de vida adoptado por muita boa gente.

As pessoas são mais felizes a pedalar e sinto isso quando dou ao pedal em boa companhia. A influência externa de ver e acompanhar as pedaladas de amigos com mais anos nas pernas é um exemplo. E muitas vezes tenho de “chupar a roda” deles, que é o mesmo que dizer pedalar a bom pedalar atrás deles e a tentar manter o ritmo. Depois dos cinquenta a diabetes apanhou-me meio de surpresa, o que me tornou ainda mais dependente do prazer terapêutico da bicicleta.

Não há como negar a evidência: estão cada vez mais bicicletas a rodar por todo o lado. Não estamos na Dinamarca, nem temos a cultura velocipédica que se move em Amesterdão, mas as bicicletas inavdiram em modo ligeiro a paisagem urbana e extra-urbana. Mulheres e homens, mais velhos ou mais novos, ciclistas de longa data ou curiosos em iniciação, commuters diários ou cicloturistas de fim de semana, somos todos velopatas.

 

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