isto é assim…

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A uma semana do tradicional L’Antique, o brevet suavezinho que dará início às hostilidades dos randonneiros tugas, já era mais que tempo de perceber como reagiriam as pernocas a uma sova das boas, ou seja um dia inteiro a dar ao pedal . Sem grandes planos quanto ao destino ou à distância, o encontro estava marcado bem cedo com o amigo Jacinto, um pouco receoso da sua capacidade física após uma arreliadora gripe que o atirou para a cama durante três semanas, e com o sempre bem disposto Manuel Couto, mais acostumado aos raids pelo monte e que fará deste o seu primeiro BRM homolgado.

Que dia maravilhoso para um passeio! Fora de casa um frio de rachar, mas a erva é verde estava branca, o céu azul e o sol a girar. Mas quem presta atenção ao termómetro e ao vento gélido quando é hora de pedalar?! A malta encheu-se de roupa e coragem, e fez-se à estrada com a firme intenção de cumprir um roteiro à imagem e semelhança da planície ribatejana, planinho quanto baste. As estradas do litoral são generosamente rolantes, como tal a opção foi rumar a sul junto ao mar.

“Isto é assim…” , “Isto é assim!…” , o Jacinto repetia a cada meio minuto, qual papagaio da Fabrina, até que o Couto liga a aparelhagem da bicla e enche o ar, debitando notas musicais ao ritmo da pedalada e da simpatia. Com o vento a soprar pelas costas, tudo a correr às mil maravilhas, quando demos por ela já deslizávamos pela agradável ecopista da mancha florestal de Esmoriz, com a Mãe Natureza a proporcionar um belo espectáculo de cores e odores. Entretanto, mais pessoal se juntou e engrossou o pelotão até ao Furadouro.

A extensão do nosso plano era pedalar até quando nos desse a fome, ir parando, convivendo e tirando fotografias. Foi entretanto decidido um plano A. Uma vez chegados a São Jacinto seria o ponto de retorno, mas depois de reconfortar os estômagos numa esplanada ao sol a observar o ferry, ancorado e pronto a zarpar, sugeri então um plano B, estender o passeio pela Costa Nova até Mira, voltar a visitar a belíssima lagoa para registar a nossa passagem com a foto da praxe no banquinho mágico.

Depois das tropelias apontamos as biclas para norte, pela velha rabugenta N109, e foi com o vento a bater nas nossas caras que cumprimos a segunda parte da viagem. Os carros e camiões que ocasionalmente passavam não foram muito incomodativos. Apenas à nossa passagem por Aveiro, e já no cair da noite, o tráfego impunha-nos uma maior concentração na pedalada. Com os músculos a latejar, e de luzes ligadas, a vontade de comer uma sopinha não me saía do pensamento. Mas às 18h30 ainda não havia panelas ao lume. Só mesmo à entrada de Espinho é que se parou para uma dose dupla de boa sopa. Bem nutridos e agasalhados, o regresso à estrada foi a custo, com pedaladas mais sonolentas, demorando um bom bocado a  reaquecer o motor, mas o ânimo era grande.

Chegamos a casa, noite alta e de alma cheia. A nossa voltinha, que de início seria de aferição/preparação/…, foi uma grande curtição. No final das contas, completou-se um brevet de 200 quilómetros simplesmente incríveis. Ainda melhor do que isso foi sentir a boa resposta do corpinho à distância e às diferentes amplitudes térmicas, algo semelhante ao que certamente iremos encontrar no próximo sábado. As dúvidas que acossavam o Jacinto esvaeceram, ficando mais confiante para o próximo desafio, o L’Antique 200. Um dia rende mais quando é pedalado em boa companhia. Estamos em forma pessoal.

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Sobre paulofski

Na bicicleta. Aquilo que hoje é a minha realidade e um benefício extraordinário, eu só aprendi aos 6 anos, para deixar aos 18 e voltar a ela para me aventurar aos 40. Aos poucos fui conquistando a afeição das amigas do ambiente e o resto, bem, o resto é paisagem e absorver todo o prazer que as minhas bicicletas me têm proporcionado.
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4 respostas a isto é assim…

  1. Nelson Branco diz:

    Uns valentes… estes “meninos”!!!
    Quando for grande também quero fazer uma coisa destas… ai quero, quero!!! Tenho de treinar mais… 🙂

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  2. paulofski diz:

    senhores meninos 😀 faxabôre!

    Isto é como a sopa, só faz bem à saúde 😀

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  3. Grande Jacinto … Grande Manuel … e Grande Paulo … espero rever-vis na minha aventura “Vamos buer um cimbalino *a Ribeira … dia 25/03 😉

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apenas pedalar ao nosso ritmo.

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