reciclando [13] onde há um ciclista há um amigo

NomadiclasQuem se aventura a pedalar estrada fora entende muito bem o verdadeiro sentimento da amizade. Os ciclistas são rijos e são delicados ao mesmo tempo. São fortes para aguentar a dureza das distâncias, as contrariedades do clima e da estrada. Na sua resiliência, calejados que estão na vivência sobre o selim de uma bicicleta, são susceptíveis ao cansaço, às quedas, ao sofrimento e à superação dos desafios. Qualquer que seja a classificação, a lentidão, o tempo que demoram a transpor a montanha, todos são vencedores. Enquanto pedala, o ciclista tem tempo para matutar, reflectir, imaginar, sentir o que o rodeia, porque a velocidade da bicicleta assim o permite: o suor, a respiração, a batida do coração, a explosão, a audácia que concede a superação. Na sua roda poderá trazer um colega de equipa. À sua frente irá um amigo que o auxilia. Perto de si poderá estar um adversário. Qualquer ciclista é um amigo, alguém que entende, que espera, que motiva, que acompanha, incentiva, ajuda…

Rui e Jacinto
Nas minhas pedaladas tenho muitos momentos em que sempre estarei sozinho. Não há um companheiro, um familiar, ninguém por perto. São quilómetros de pedaladas em solitário. Só eu e a bicicleta! E a dado momento, o pensamento corre depressa e até parece que dou em doido. Dou comigo a conversar com ela, porque se há alguém que nos compreende nestes momentos de solidão é a nossa bicicleta. Para alguém que não entenda, na solidão da estrada temos de confiar na bicicleta, naquela que nos leva, que nos restitui o rumo, na ferramenta da nossa liberdade, da maior liberdade que podemos ter. Estranha estrutura construída de forma simplificada e que nunca será ultrapassada. Possessiva e ao mesmo tempo serva. Fiel depositária das nossas energias. Veículo popular em que posso encontrar um qualquer amigo e que me poderá acompanhar, pedalar ao meu lado e não me deixar sentir sozinho.

voltado a poente

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Sobre paulofski

Na bicicleta. Aquilo que hoje é a minha realidade e um benefício extraordinário, eu só aprendi aos 6 anos, para deixar aos 18 e voltar a ela para me aventurar aos 40. Aos poucos fui conquistando a afeição das amigas do ambiente e o resto, bem, o resto é paisagem e absorver todo o prazer que as minhas bicicletas me têm proporcionado.
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3 respostas a reciclando [13] onde há um ciclista há um amigo

  1. mdemonos diz:

    costumo apenas gostar..
    desta vez, também gostei..mas achei lindo.
    parabéns

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  2. Nelson Branco diz:

    subscrevo totalmente…

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  3. paulofski diz:

    obrigado pelo comentário

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apenas pedalar ao nosso ritmo.

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