A cultura da bicicleta, através das suas subculturas, motiva o significado de andar de bicicleta. Nos actuais padrões culturais da bicicleta, a mobilidade, o estilo de vida, a viagem à descoberta, até a competição desportiva, são algumas das razões que motivam a escolha e a compra de uma bicicleta, nova ou usada.
Por cá, têm surgido lojas com bicicletas para todos os gostos. Na internet abundam sites com uma vasta oferta, e a preços chorudos, desde as pasteleiras dos nossos bisavós, completas ou às peças, até às biclas xpto de “carbónio” em segunda mão e das mais diversas marcas. Anos atrás, a maioria das bicicletas eram compradas no comércio tradicional, em lojas dedicadas ao ramo, oficinas, quase todas com construção e marca próprias. As coisas mudaram drasticamente ao longo dos anos, os artesãos nacionais foram rareando ao ponto de serem espécie em extinção. Agora, para quem tem alguma experiencia nisto das biclas, e nem precisa de ser necessariamente profissional, facilmente constata ao olhar para o equipamento que aquilo não passa de uma chinesice. Muitos clientes, fora da auto-intitulada cultura formal da bicicleta, vão a um supermercado de biclas, dão uma vista de olhos para componentes que não lhes dizem nada, e acabam por escolher/comprar aquela bicicleta que a sua carteira comporta, a que o vendedor lhe apresenta/impinge, mesmo sem o necessário cabimento orçamental. Nem sempre são a qualidade de construção, a qualidade do equipamento ou até o género de bicicleta que mais lhe convém, factores determinantes para a sua decisão final de compra.
As bicicletas têm geometrias, acessórios, finalidades diferentes, no entanto, e de acordo com os actuais padrões culturais da bicicleta, são os quadros de aço que emergem da corrosão do tempo. A moda tem destas coisas. Neste impulso de novas tendências, uma bicicleta que morou no lixo anos a fio volta à vida e torna-se num objecto de qualidade. É possível montar uma bicicleta peça à peça, restaurar-lhe a personalidade, e que fica bem mais barata do que qualquer outra bicicleta de ‘marca’ com o mesmo nível de equipamento.
E no momento de comprar uma bicicleta, terá assim tanta importância a marca!? Tem.
E depois, terá essa marca valor de mercado!? Tem.
Veio esta dissertação a propósito de um artigo publicado na revista TimeOut Porto, deste mês, sobre o negócio emergente das bicicletas no Porto. Não comprei a revista e o pouco que li do artigo foi na diagonal. O Ricardo Cruz fez uma sucinta análise do artigo no seu blogue: “o artigo mistura quem fabrica com quem coloca um mero emblema. Há lojas que apenas vendem e não mexem num parafuso, há outras que encomendam quadros à medida (ou não)”. E porque numa animada troca de argumentos no seio de um grupo do Facebook, o tema veio à baila, onde ciclistas urbanos esgrimiram as suas opiniões sobre a temática que envolve marcas, construtores, alfaiates… lojas de bicicletas, opiniões tão originais quanto suas personalidades onde, fleumático, também entrei no pelotão, a ver no que as modas dão.





![reciclando [23] ciclista e peão](https://nabicicleta.files.wordpress.com/2013/03/ciclovia-da-prelada.jpg?w=200&h=200&crop=1)








