Muita gente diz ter receio em andar de bicicleta no trânsito, no meio dos carros, um temor que os impede de usar a bicicleta como meio de transporte. Esse medo não é totalmente infundado, tenho de admitir. Só de imaginar um choque frontal contra um pára-choques dá-me logo calafrios. Pedalar acarreta riscos e esses riscos são o resultado de muitas outras variáveis, como o mau estado das vias, ou o resultado de eventos inesperados, como um peão atravessar-se à nossa frente ou um automobilista abrir bruscamente a porta do carro. Um trambolhão é uma coisa, ser atingido por um caixote de aço com várias toneladas deve doer muito mais. É por isso que tantas pessoas vêem o ciclismo na estrada como algo que só os loucos fazem. Uns exagerados, são o que são!
Do ciclista é esperado o ónus da sua segurança, que se equipe, a si e à sua bicicleta, com os apetrechos adequados. Luzes dianteiras e traseiras para ser visível à noite. Usar um capacete é visto como um ciclista consciente. O hábito de vestir roupas coloridas ou faixas reflexivas evidência o seu nível de prudência. Mas o ónus da segurança inequivocamente não deve repousar exclusivamente sobre os ombros dos ciclistas. Embora seja verdade que o uso de roupas escuras torna o ciclista menos perceptível ao automobilista, é igualmente verdade que a outra metade da responsabilidade e obrigação de prevenção deve recair sobre quem conduz.
É que na realidade, quase nenhum ónus recai sobre o cachaço do automobilista. A consciência da maioria encartada é que são reis e senhores do espaço. O ciclista que se arrume. A nível pessoal já levei com muitos assim e tive a perfeita sensação que a minha integridade física, já para não falar da vida, esteve por um fio. Uma experiência desse tipo poderá desmotivar e acobardar uma pessoa que prefere dar ao pedal a ter um pé pousado no acelerador. A culpa e o remorso nunca serão suficientes para devolver a segurança às pessoas e é aí que a responsabilidade do condutor tem de ser exigida, mesmo que não achem que o acidente foi por culpa deles.
Quase tudo é permitido ao automobilista e tudo o que faz de errado é invariavelmente justificável, como uma distracção ocasional. Quando um acidente acontece foi porque algo fugiu ao seu controle. Os cidadãos são liberados de muitas obrigações normais quando estão atrás do volante. Qualquer um pode cometer um erro. Então, quando se trata de prejudicar outra pessoa, especialmente um ciclista ou um transeunte, nenhum crê que tal lhe possa acontecer. O ónus da segurança deve ser partilhado pela sociedade. Não é simplesmente uma questão de automobilistas contra ciclistas. São devidas medidas para tornar a rua mais segura e exigir o devido cumprimento das regras de trânsito. É algo que deve ser feito para o bem público.
Para que o ciclismo seja um efectivo meio de transporte, as estradas devem ser redesenhados tendo a segurança do ciclista em mente. Separar as bicicletas e os carros nem sempre é possível, e melhor do que isso será educar e orientar automobilistas, ciclistas e restantes utilizadores da via pública a interagir uns com os outros de forma responsável e segura.




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