Ciclistas hão de todas as formas e feitios, com diferentes objectivos, aptidões e benefícios. Alguns deles crêem na existência de uma “comunidade de utilizadores da bicicleta”, defendendo que os ciclistas têm muito mais em comum para além do que simplesmente andar de bicicleta. Tanto no sentido da conformidade entre as várias espécies de ciclistas, estilo de pedalada, tipo de bicicleta, vestimentas, como nas experiências tidas em comum, ainda sentimos na pele a discriminação legislativa, vulnerabilidade na estrada perante os automóveis, sentimento de uma minoria que, resultante da utilização de um modo alternativo de transporte, faz coisas de maneira diferente, fora do tal mainstream.
No nosso país, na nossa cidade, andar de bicicleta como meio de transporte já não surpreende. De certa forma, pedalar para ir e vir de lugares, para treinar, para passear, coloca-nos num patamar diferente. Representa que nos movemos contra a influência da maioria resultante das sociedades modernas industrializadas. Criatividade e ciclismo pedalam lado a lado. Atrai pessoas que pensam de forma diferente das normas, que gostam de desafios e têm uma visão inspiradora de tornar o mundo um lugar melhor para se viver.
As bicicletas abrem um novo mundo de oportunidades. Há a evidência de uma mudança de atitude do público para com o ciclismo. Nova regulamentação legislativa visando a partilha da estrada com os ciclistas, a construção de infra-estruturas para acomodar bicicletas, são alguns dos exemplos mais importantes de equiparar o uso da bicicleta encorajando o seu uso como o meio viável de transporte urbano. Há um segmento crescente da sociedade que enfrenta o status quo argumentativo que andar de bicicleta não é apenas um divertimento, um exercício, mas que faz parte integrante nas nossas vidas diárias.
As mudanças raramente são súbitas. Talvez, um dia, pedalar seja tão natural para todos os seres humanos como outrora foi para os nossos ancestrais ter a capacidade de andar. Pés e bicicletas podem fazer um retorno e levar-nos ao ponto de partida, lembrando-nos do que nós deveríamos ter sido. E as mudanças começam a ser perceptíveis na cultura de estrada. No mesmo cenário com outros actores, desempenhando um papel semelhante numa paisagem igual, mesmo que continuemos em quase tudo na cauda da Europa, apetece dizer: ESTAMOS A VENCER.



![no meu percurso rotineiro pr'o trabalho [1] Velódromo Maria Amélia](https://i0.wp.com/dgtzuqphqg23d.cloudfront.net/-yXBieot6NWX52sp0byCwXot2SoQ1_LPu_1mAwjaeRI-2048x1536.jpg?resize=200%2C200&ssl=1)

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