À volta da mesa, durante uma conversa entre amigos, ouvi o repetido chavão de automobilista “A bicicleta não vai resolver os problemas da sociedade…”. Nem do Mundo, acrescentei, no entanto, e como diz Robert Hurst, poderia muito bem atenuar alguns deles! A um nível individual, a bicicleta transforma vidas, tanto em épocas de abundância como nestes tempos de vacas magras.
Com o Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado esta semana, mais uma vez se renovaram apelos sobre o efeito de estufa, as emissões de gases e como reduzi-las: Para que as pessoas larguem o vício do carro; Para se incentivar os cidadãos a usarem mais o transporte público; Para adoptar um estilo de vida de baixas emissões de carbono. O Mundo agradecia. A contribuição do ciclismo para a redução das emissões de carbono enquadra-se perfeitamente neste contexto.
Evidente que a bicicleta sozinha não vai solucionar os nossos problemas energéticos. Não vai resolver a mudança climática, dissolver a poluição do ar, recriar vitalidade urbana e descongestionar as cidades do tráfego. É também improvável que a bicicleta se torne o principal meio de transporte diário no nosso país, mas é claramente uma ferramenta multi-facetada para ajudar a revolucionar os nossos desafios ambientais e económicos. A bicicleta é um componente crucial desta solução, que tem sido reconhecida por uma parte “cool” da população urbana, está a ganhar força entre os media e que deve ser reconhecida pelos governantes e decisores políticos.
O movimento da bicicleta não gera poluição do ar. Zero emissões de carbono e quase nenhuma poluição sonora, no entanto este notável meio de transporte permanece nas margens dos direitos civis no que à mobilidade diz respeito. Pela lei, praticamente não tem direitos e está limitada ao seu espaço, velocidade e segregação. “Disponível” apenas para aqueles que estão dispostos a assumir os riscos no tráfego motorizado. Acredito que só um aumento do número de utilizadores diários da bicicleta pode reverter esta situação e contribuir para melhorar a qualidade do ar urbano, suavizar as alterações climáticas, contribuir para um sentimento comum do espaço público.
No entanto, milhares de bicicletas ficam esquecidas nas nossas garagens colectivas, desprezadas como simples brinquedos, sendo usadas esporadicamente como equipamento desportivo. É claro que conhecemos as vantagens da bicicleta, como a de ser acessível e estar disponível a qualquer pessoa (incluindo as que não saibam andar de bicicleta), facilitar encontros com outras pessoas, estimular a integração social, a tolerância, paciência e empatia. Ocupam menos de um terço do espaço viário utilizado por carros particulares, e o espaço necessário para estacionar uma bicicleta é até 15 vezes menor do que o espaço necessário para estacionar um carro. Além disso, andar de bicicleta é o meio mais eficiente e ambientalmente sustentável para fazer viagens curtas, sendo muitas vezes possibilitado a interface com o comboio e o metro. De que estão à espera!




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