olhe, desculpe, será que poderia passar?

Andar de bicicleta não é para mim apenas um passatempo, uma mania ou uma necessidade. É uma característica própria do estilo de vida que levo. No meu caso, com a excepção de 20 anos em que vivi por uma ou outra razão agarrado a um volante, na infância e mais tarde já nos quarentas, a bicicleta foi sempre parte integrante da minha vida. Serve quase sempre como a forma de transporte ideal, porque é mais rápida, mais conveniente, mais divertida.

Além dos ciclistas existem os não-ciclistas. Pessoas que não sentam o rabo no selim de uma bicicleta por variadíssimas razões, incluindo a desculpa do medo de cair e magoar, do ridículo(!) ou o medo da não-conformidade! Cá para mim simplesmente nunca aprenderam a pedalar, mas enfim… São pessoas que vêem o ciclismo como algo infantil ou desportivo e evitam estar de alguma forma associadas à actividade mas que teimam no entanto em interferir na nossa. Tais indivíduos são muitas vezes influenciados por preconceitos e receios infundados. Não se contentam com a própria vida como metem o bedelho na dos outros, como se deve ser e escolher como viver. Pensamento independente é contrário à sua própria maneira de ser, porque acham que fazem parte de uma maioria.

Esses velhos do Restelo nunca vão entender porque alguém ousa optar por se envolver numa actividade que exige esforço físico e não é por eles considerado chique. O mundo moderno é baseado na premissa de que a conveniência é fundamental, a fim de viver a boa vida. Para o efeito, temos carros, ar condicionado, telemóveis, acesso à Internet, GPS, plasmas, gameboxes, micro-ondas… Porque iriam então entender alguém que opta por fazer algo tão cansativo como andar de bicicleta? É contra a sua cultura.

E esta prosa toda porque levei uma boca, não reproduzível, ao ousar interromper a reunião de grupo de vários não ciclistas em plena ciclovia!

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About paulofski

Na bicicleta. Aquilo que hoje é a minha realidade e um benefício extraordinário, eu só aprendi aos 6 anos, para deixar aos 18 e voltar a ela para me aventurar aos 40. Aos poucos fui conquistando a afeição das amigas do ambiente e o resto, bem, o resto é paisagem e absorver todo o prazer que as minhas bicicletas me têm proporcionado.
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apenas pedalar ao nosso ritmo.