o uso do automóvel deve ser sensato

a triste figura d'um condutor a conduzir pela linha do metro (na ponte Luis I)!

Chama-me a atenção a quantidade de carros que vejo circular pelas ruas da cidade apenas com o condutor lá dentro. Dados não oficiais apontam que apesar da regalia do automóvel de transportar várias pessoas, a ocupação média anda nas 1,4 pessoas por veículo, das mais baixas da União Europeia. É um número estranho, que serve para ilustrar o panorama diário de milhares de veículos que entram e circulam transportando menos de duas pessoas.

As pessoas moram cada vez mais afastadas do trabalho e recorrem ao carro para as suas deslocações diárias. O que está em discussão não é somente o trânsito, mas a construção de uma sociedade consciencializada para o problema da mobilidade. Os vorazes 4×4 não foram feitos para transportar apenas um passageiro. Se várias pessoas que se dirigem a um mesmo local partilhassem o mesmo carro, muitos automóveis não sairiam das garagens. Na chamada hora de ponta, quando todos chegam ou saem dos seus locais de trabalho, as concentrações de veículos fazem dos engarrafamentos diários um despique entre automobilistas stressados. Os carros entopem praticamente todas as principais vias de entrada e saída da cidade, não se movem, atingindo em alguns casos velocidades médias inferiores a 10 km por hora e só este dado deveria estimular quem tem carro a deixá-lo em casa.

Quanto à oferta de transporte público é assunto prioritário e que precisa entrar definitivamente na agenda dos governantes. É insuficiente e incapaz de satisfazer todas as necessidades. O metro, o comboio e os autocarros são objecto de constantes revindicações sindicais, de greves, que prejudicam a vida a muita gente. Acresce ainda o constante encarecimento e escassez de oferta em áreas suburbanas e do interior. É preciso que tratem desta questão com uma visão a longo prazo, numa perspectiva sustentável.

As cidades não têm capacidade para albergar tanto automóvel. Têm falta de infra-estruturas, inclusive para servir formas alternativas de transporte, como a bicicleta. A solução é investir em alternativas de transporte que garantam uma melhor mobilidade, como o transporte colectivo, o uso da bicicleta, o incentivo a caminhar. Ainda há muito por fazer, muito que caminhar e pedalar. Queremos políticas públicas que coloquem o transporte colectivo à frente do individual. A recuperação da qualidade da mobilidade das pessoas nos grandes centros urbanos depende de meios públicos que ofereçam um mínimo de conforto e segurança. Este é um forte argumento que convencerá o automobilista solitário a deixar seu carro na garagem, pegar na bicicleta, caminhar até à estação de comboios, estação do metro, até onde tiver de ir.

Sobre paulofski

Na bicicleta. Aquilo que hoje é a minha realidade e um benefício extraordinário, eu só aprendi aos 6 anos, para deixar aos 18 e voltar a ela para me aventurar aos 40. Aos poucos fui conquistando a afeição das amigas do ambiente e o resto, bem, o resto é paisagem e absorver todo o prazer que as minhas bicicletas me têm proporcionado.
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apenas pedalar ao nosso ritmo.

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