na clínica

Para quem já tem uma catrefada de anos, a armadura suplica e a consciência aconselha que se faça um check-up. É a altura de fazer uma batelada de exames que detectem qualquer transtorno na máquina, ou o aparecimento de alguma maleita que possa ser tratada a tempo. Aquilo a que os doutorados chamam de diagnóstico precoce… Ahhh! Não, não falo do músculo cardíaco nem dos glúteos. Se fosse levar a sério tudo o que os médicos dizem, provavelmente teria que visitar anualmente (sem trocadilho) o proctologista, o urologista, o oftalmologista, o gastrenterologista, o endocrinologista, o otorrinolaringologista (este até dá para enrolar a língua) e o diabo a quatro… logista.

Por via das dúvidas, e como seguro morreu de velho, no meu círculo de pedaladas com a velha Etielbina, onde juntos passamos já uns bons anos, de vez em quando aparece um rack e um reck sonoro mais persistente a sair das articulações. O teste de esforço diário do binómio homem-máquina, qual paradigma da vida moderna (não, não estou a fazer publicidade ao livro), com o passar do tempo já somos veteranos nisto e passamos a especialistas de barulhos estranhos e dores nos quadris.

Mais do que um mero modismo, quando se fala de bicicletas “de montanha”, associa-se o papel de lazer ao de meio de transporte. Além de serem mais resistentes e confortáveis entre outras da mesma espécie, tornando-se muito populares nas pedaladas off-road, apesar da denominação este tipo de bicicleta não é de uso exclusivo e específico para terrenos montanhosos, mas sim adaptável a praticamente todo o terreno. Pela sua estrutura robusta, possui como atributos a segurança, comodidade e agilidade, sendo utilizadas pela maioria das pessoas que costumam pedalar pelas cidades, bastando umas pequenas adaptações.

A diante. O facto é que aquele rack-reck, persistente a cada pedalada, já se tornava confrangedor. Hoje fez-se um comovente silêncio, o espírito de solidariedade tomou conta de mim e então levei a velha companheira de trabalho ao consultório. Pois bem, à hora marcada, lá estava eu e ela. A sala de espera estava lotada, cheio de velharias com os seus quadros carcomidos de ferrugem e pneus vazios de esperança, de que um dia voltarão a rolar pelas ruas da Imbicta. Finalmente, fui convidado a entrar na sala de exame e pensei que o sofrimento dela teria acabado. Puro engano! O técnico inicialmente passou os olhos pela engrenagem, começou a rodar os pedais em falso e provocou-lhe uma sensação semelhante a cócegas, que vieram acompanhadas de flatulências, e que só não foram confundidas com o meu nervosismo porque o som que se ouvia era metálico. Perante o diagnóstico e o tratamento que o especialista lhe prescrevera, mais não me restou do que prometer à fiel Etielbina doar-lhe um novo movimento pedaleiro, que o de uso está gripado, um cassete de sete e deixar-lhe trocar a velha e gasta corrente para que me retribua com uma pedalada tranquila e um aumento de velocidade.

Capas Peneda Lda. Praça D. Filipa Lencastre 208 4050-260 Porto

E assim ficou a passar esta noite na clínica, deixando-me apeado, entregue aos humores e tremores dos transportes públicos.

Sobre paulofski

Na bicicleta. Aquilo que hoje é a minha realidade e um benefício extraordinário, eu só aprendi aos 6 anos, para deixar aos 18 e voltar a ela para me aventurar aos 40. Aos poucos fui conquistando a afeição das amigas do ambiente e o resto, bem, o resto é paisagem e absorver todo o prazer que as minhas bicicletas me têm proporcionado.
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6 respostas a na clínica

  1. Olá,
    Posso roubar a foto da Velo Invicta Capas Peneda para criar o espaço de divulgação da loja no Locais Porto? (http://locais.porto24.pt). Ainda não estão lá as lojas de biclas.

    Agradecido,
    Pedro Candeias

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  2. paulofski diz:

    Está à vontade Pedro, pode usar a foto. Já agora recomendo a todos o prestável serviço mecânico do Barbosa. A Etielbina está fina como um relógio.

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apenas pedalar ao nosso ritmo.

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