aviso à navegação velocipédica, pédica e ortopédica – a Ciclovia da Foz

Estão em curso as proclamadas obras nas avenidas do Brasil e Montevideu. Diz o manifesto camarário que esta intervenção visa beneficiar a faixa de rodagem e passeio poente através da recuperação do estado dos pavimentos e implementação de um novo esquema de mobilidade local, com vista a melhorar a segurança rodoviária e pedonal.

A circulação rodoviária nas av. Montevideu e av. Brasil também sofrerá também alterações, passando das actuais 4 para 3 faixas de rodagem: apenas uma só servirá a fluidez do trânsito em direcção a Matosinhos, mantendo as duas faixas na direcção oposta, para a Foz do Douro.

a Avenida Montevideu com a actual ciclovia desenhada no passeio,  em direcção à Avenida do Brasil. Já agora, serve o instantâneo de lembrança da minha querida e saudosa bicla Cósmica)

O argumento da segurança é repetidamente utilizado pela CMP, tanto na informação oficial como no próprio cartaz da obra. Qualquer que seja a intervenção feita para o aumento da segurança é sempre de realçar, falta no entanto perceber se essa “segurança” será realmente efectiva no que à mobilidade ciclável diz respeito.

A CMP argumenta esta alteração:

“Este modelo dá continuidade à intervenção na Rua do Coronel Raúl Peres, onde a interação entre bicicletas, peões e automóveis se faz de modo seguro e organizado (!!!), ao estabelecer prioridades de circulação entre os diferentes modos de transporte e garantir a fluidez do tráfego.”

Assim, o espaço de circulação pedonal aumenta consideravelmente mudando a ciclovia existente no passeio para o mesmo nível da faixa de rodagem. Volto a defender este modelo de ciclovia, ao mesmo nível da faixa de rodagem, que gosto mais de apelidar de “ciclofaixa”.

Ora, e se os técnicos da CMP me permitem a observação, aqui a questão da segurança para os ciclistas é um argumento muito duvidoso. A recente intervenção na Rua Coronel Raul Peres, com a reposição dos dois sentidos para a circulação rodoviária, supostamente para “a fluidez do trânsito”, a faixa ciclável bidireccional está mais estreita, o que  diminuiu drasticamente a segurança dos ciclistas. Nem a imposição de velocidade máxima (30km/h) da circulação rodoviária tornou a referida artéria mais segura. Basta recordar o recente acidente ocorrido no ponto negro da referida artéria, a “curva do Mónaco”, que só não fez vitimas porque, felizmente, não circulavam ciclistas no momento (clicar para ver a notícia)

Se a CMP vai de facto dar continuidade à ciclofaixa da Rua do Coronel Raul Peres ao longo das av. Montevideu e av. Brasil, não me parece que vá cumprir com as requisições mínimas para as ciclovias bidirecionais (entre 2.2o e 2.60 metros de largura).

ciclofaixa da Rua Coronel Raul Peres. ciclo ou equestre? Não sei bem!

Na realidade, se pegarmos numa fita métrica e medirmos a largura ciclofaixa da Rua do Coronel Raul Peres (a mesma que os cascos da GNR pisam na foto acima), nenhuma destas medidas foi cumprida. A largura real da ciclofaixa tem 2.12 metros entre o passeio e os pilaretes. Mais à frente naquela famosa curva dos acidentes só tem 1.82 metros de largura disponíveis para o cruzamento de dois ciclistas.

Reservo algumas dúvidas em relação à solução adoptada pela CMP. O compromisso da fluidez do trânsito automóvel não deveria ser pretexto para colocar em causa a segurança dos ciclistas. Uma obra com um investimento numa infraestrutura que ronda os 400 mil euros poderia servir de referência para a real melhoria de mobilidade e segurança, planeada e executada em conformidade com as normas internacionais. A marginal da Foz tem dimensões e capacidade suficiente para que se possa realizar uma obra de reestruturação bem feita, onde se coloque em efectiva segurança a mobilidade pedonal e velocipédica.

Vejamos depois qual será a solução para lhe dar continuidade, se à ciclofaixa vai contornar a Rotunda do Castelo do Queijo ou se se manterá aquela “ciclocoisa” pelo passeio desnivelado, conforme está, e que tem mandado ao chão muito boa gente a pedais, eu includo!

Sobre paulofski

Na bicicleta. Aquilo que hoje é a minha realidade e um benefício extraordinário, eu só aprendi aos 6 anos, para deixar aos 18 e voltar a ela para me aventurar aos 40. Aos poucos fui conquistando a afeição das amigas do ambiente e o resto, bem, o resto é paisagem e absorver todo o prazer que as minhas bicicletas me têm proporcionado.
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