
A Ponte Maria Pia foi inaugurada em 1877 e encerrada em 1991. Foto: Patrícia Garcia
O início da construção da primeira ponte ferroviária que iria unir as duas margens do rio Douro deu-se em Janeiro de 1876. A Ponte Maria Pia, projectada pelo Eng.º Théophile Seyrig e construída pela empresa de Gustave Eiffel, foi inaugurada em Novembro de 1877, cerimónia presidida pelo rei D. Luís e pela rainha D. Maria Pia, que lhe deu o nome. Mesmo para a época da “arquitectura do ferro” era uma obra de engenharia audaciosa. As dimensões exigidas, pela largura do rio Douro e das escarpas envolventes, produziram o maior vão construído até essa data, com a aplicação de métodos revolucionários para a época. Na sua construção utilizaram-se cerca de 1.600 toneladas de ferro. Esta ponte que embeleza a cidade do Porto há 140 anos fez a ligação ferroviária entre o Norte e o resto do país pela Linha do Norte, tendo sido um motor importante de desenvolvimento económico e social. Foi desactivada em 1991, substituída então pela moderna Ponte de S. João.
Quem por lá passou, nos comboios a carvão ou nos mais modernos, nunca se irá esquecer da adrenalina, do temor e tremor da experiência. Passaram-se muitos anos e a velha e lindíssima ponte continua abandonada à ferrugem e à corrosão. Um projecto da década passada visava remodelar o tabuleiro da ponte numa passagem ciclo-pedonal, mas ficou na gaveta e nunca se chegou a concretizar. Chegou mesmo a ser assinado um protocolo entre o Ministério das Obras Públicas e as câmaras do Porto e de Gaia nesse sentido. É de novo anunciada a intenção de intervir na ponte. Um estudo prévio, que deverá ficar pronto na Primavera do próximo ano, prevê transformar o tabuleiro da ponte numa ecopista e a reabilitação do ramal de Campanha – Alfândega e uma ligação a Campanha – Parque Oriental. Trata-se de um projecto partilhado entre as câmaras do Porto e Gaia, e que a notícia do JPN explica ao pormenor (leitura do artigo ciclando neste link).
Leio mais uma vez a intenção de dar vida nova à nossa querida Dona Maria. Espero então que haja finalmente a vontade política e os meios necessários para fazer avançar este projecto. Agrada-me bastante a ideia da reconversão da ponte e dos ramais de acesso em cilovias e passeios pedonais, mas acima de tudo agrada-me saber que a velha e esquecida ponte irá continuar lá, firme e viva, património do povo portuense e gaiense, património do Douro e da memória.




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Adorava ver esta ponte ganhar novamente vida. É uma obra de arte… sempre que lá passo detenho-me sempre a admirar os seus pormenores.
Em termos de mobilidade seria óptimo ter um acesso pedonal ou ciclavel a Campanhã, ou à Serra do Pilar… julgo que traria um pouco mais de vida a esta parte da cidade do Porto que está a morrer lentamente.
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Concordo contigo, embora em relação à intenção de reabilitar e converter o ramal que fazia a ligação entre a Estação de Campanhã e a Alfândega do Porto para ecovia, em termos de mobilidade acho que seria mais interessante, se o mesmo fosse possivel, converter essa ligação numa nova linha do Metro.
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Pelo que tenho lido, a Dona Maria, só mesmo pedonal…
Seria duplamente fantástico ter estes dois pontos reabilitados… vamos ter esperança, afinal 2017 é ano de eleições autárquicas.
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