do ciclo da vindima

ciclo da vinha

a minha mãe nas vindimas

Nos meus tempos de meninice, ainda as férias escolares decorriam saborosamente grandes, mais ou menos por esta altura vivíamos com satisfação todo o ritual das tarefas do campo, principalmente na época das vindimas. Sobranceira à margem direita do Douro, a aldeia dos meus avós maternos fica em Frende, na banda oposta a Resende, onde existem várias quintas de tradição vinícola. No Travessado, a pequena quinta do meu saudoso avô, três socalcos de difícil acesso ensolarados quase todo o dia, são rodeados de ramadas, vides de várias castas assentes em latadas de ferro e esteios de granito, onde a uva vai ficando madura à espera de ser vindimada.

ciclo da vinha 2

Todos os momentos vividos na pequena aldeia dos nossos avós, no Lugar do Castelo, eu e o meu irmão bebemos dessa vivência, dessa liberdade. Ainda hoje, sempre que lá vamos, é nos transmitida uma imagem bucólica e alegre da vida no campo. Ainda hoje se usam os velhos métodos tradicionais de cultivo. A vindima é um processo de várias etapas, todas elas comportando esforço e dedicação gratificante, em longas jornadas desde a aurora até ao anoitecer, para depois se beber da dádiva da terra. Cortar à tesoura e apanhar os cachos da ramada, transportar as uvas à cabeça nas gigas (grandes cestos de vime), e o pisar das uvas no lagar, para delas se obter o néctar da vida. Após provar o vinho doce é deixar o mosto fermentar, para no final do processo envasilhar o nobre sumo nos pipos de castanho e carvalho e deixá-lo a envelhecer. E o vintage sempre omnipresente a refrescar gargantas…

ciclo da vinha 2

De volta ao Lugar do Castelo para uns dias de férias, aproveitei uma dessas manhãs melancólicas de Setembro, não para vindimar mas para dar umas pedaladas ao longo do Douro Vinhateiro. Logo ao romper do dia fui dar a volta ao rio, um circuito já habitual entre Frende, Régua e Resende. Fui usufruir do vento que soprava fresco a cada curva das sinuosas estradas. Parei a cada miradouro para espreitar o rio e tirar algumas fotografias. Apreciei o trabalho do campo, o empenho e dedicação das gentes durienses. Senti o aroma da fruta madura e do vinho doce que me invadiu as narinas. Parei, outra e outra vez, para depenicar e provar dos bagos maduros. Numa fonte à beira de estrada enchi o bidon e saborei cada trago daquele passeio, daquele momento d’ouro como se do puro néctar à caneca eu provasse.

ciclo da vinha 4

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Sobre paulofski

Na bicicleta. Aquilo que hoje é a minha realidade e um benefício extraordinário, eu só aprendi aos 6 anos, para deixar aos 18 e voltar a ela para me aventurar aos 40. Aos poucos fui conquistando a afeição das amigas do ambiente e o resto, bem, o resto é paisagem e absorver todo o prazer que as minhas bicicletas me têm proporcionado.
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apenas pedalar ao nosso ritmo.

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