a pé na Princesa do Alentejo

Quis esta minha crise de meia tigela, porque isso da velhice ainda não me atinge, dar-me pica suficiente para zarpar à boleia na onda festivaleira, repetir a dose e sentir o Sudoeste em Zambujeira do Mar. Só que desta vez não me meti em barracas e fui descansar as pernas e cerrar pestanas a mais de 20 km, em Vila Nova de Milfontes. Os moradores da região da costa Vicentina vivem as glórias e os dissabores do isolamento, mas é nesta altura do ano que toda a região recebe a malta veranista e festivaleira de braços abertos. Cercada por praias paradisíacas e procurada por quem quer sossego, a região sofre com a falta de serviços básicos, de transportes, estruturas viárias e até de ciclovias.

“A bicicleta é o meu meio de transporte que tenho para ir aonde quero. É mais prática e está sempre ao pé. Olhe, não temos melhor que isto!”, disse-me o reformado de pedreiro, o senhor José Ferreira, que pedala diariamente a sua bicicleta. Entre ruas asfaltadas e de terra, também não há espaço destinado a quem anda a pé. “A gente tem que se meter entre os carros”, completou. São muitos os carros deixados em cima dos passeios pelos excursionistas de toalha e guarda-sol que atrapalham a mobilidade a toda a população, especialmente nos meses de Verão. “Pistas para bicicletas!? E isso é lá coisa que façam aqui!?”, rematou o senhor José.  Mas tantas bicicletas vi eu nestes dois dias serem pedaladas por ruas e ruelas de Milfontes que, às tantas, até me deu para rebaptizar a vila de Nova de Milbicicletas!

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About paulofski

Na bicicleta. Aquilo que hoje é a minha realidade e um benefício extraordinário, eu só aprendi aos 6 anos, para deixar aos 18 e voltar a ela para me aventurar aos 40. Aos poucos fui conquistando a afeição das amigas do ambiente e o resto, bem, o resto é paisagem e absorver todo o prazer que as minhas bicicletas me têm proporcionado.
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apenas pedalar ao nosso ritmo.