o World Bike fervor

foto: Sérgio Moura

Vislumbrar a cidade com ruas repletas de bicicletas e de pessoas a pedalar é um formidável cenário para se pensar que vivemos num mundo melhor, tudo por um planeta com mais bicicletas, menos carros e menos poluição. Nada mais utópico. Depois de amanhã, ao final do dia, muitas dessas bicicletas brancas serão abandonadas ao pó, a um canto da garagem, e na manhã seguinte trocadas por automóveis.

A World Bike Tour é um evento de ciclismo internacional que se realiza anualmente nas cidades de Lisboa, Porto, Madrid, São Paulo e Rio de Janeiro. A sétima edição do evento volta este Domingo a Lisboa com seis mil pessoas a pedalar, fazendo a travessia da Ponte Vasco da Gama até à meta localizada entre o Centro Comercial Vasco da Gama e o Pavilhão Atlântico.

Este ano a organização debate-se com grandes dificuldades económicas, chegando a admitir suspender a prova em 2013 se a situação se mantiver. “É a primeira vez que estamos nesta situação. Se [a crise] se mantiver como está, para o ano não fazemos o Bike Tour”, disse à Lusa Diamantino Nunes presidente da comissão organizadora no final da apresentação pública do evento. Por causa das dificuldades financeiras, a edição no Porto (29 de Julho) está em risco de não se realizar já este ano.”Estamos a fazer tudo por tudo para que o evento se faça, mas não temos capacidades, a não ser que entidades que faltam confirmar dêem uma resposta positiva”, disse Diamantino Lopes.

Entre milhares de rodas numa manhã solarenga, este evento fará certamente que milhares de pessoas pedalam com o belíssimo  estuário do Tejo como cenário. No pelotão da frente poder-se-ão ver bicicletas adaptadas para deficientes físicos e testemunhar a auto estima que os benefícios da bicicleta podem causar a uma pessoa.

A cidade da bicicleta é a cidade do cidadão. A ideia é a humanizar a cidade com menos engarrafamentos e menos poluição. Nesses acontecimentos biketouristicos, onde todos os holofotes estão focados no movimento de tal mole humana, todos ficamos felizes ao ouvir as autoridades anunciando medidas para incentivar o uso das bicicletas, mas depois o que se vê é muito pouco. Tal como a bicicleta esquecida numa parede da garagem, toda essa onda fervorosa das pedaladas se desvanece da memória colectiva que chegou à meta com a língua de fora. A bicicleta que o evento entrega a cada participante, mesmo que de qualidade duvidosa, deve ser aproveitada para mobilizar e utilizar no dia-a-dia.

foto: Sérgio Moura

Pessoalmente não vou muito à roda com este tipo de eventos, por tudo o que disse e por achar que não é a forma mais correcta de incentivo a uma alternativa lógica de mobilidade. O que gostaria de ver seriam aqueles que só tiram o pó das binas ao fim-de-semana proporcionarem uma ligeira mudança de hábitos. Creio que não seria pedir demais. Assim, se vais participar no evento p. f. não a deixes esquecida de pneus vazios. Aproveita o lance e usa-a. É para isso que serve!

O fotógrafo tripeiro das biclas que agora se dedica sobretudo a vê-las sair da loja com clientes sorridentes, esteve no Bike Tour do ano passado em missão especial a reportar todo o evento. Aqui a crónica.

Sobre paulofski

Na bicicleta. Aquilo que hoje é a minha realidade e um benefício extraordinário, eu só aprendi aos 6 anos, para deixar aos 18 e voltar a ela para me aventurar aos 40. Aos poucos fui conquistando a afeição das amigas do ambiente e o resto, bem, o resto é paisagem e absorver todo o prazer que as minhas bicicletas me têm proporcionado.
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apenas pedalar ao nosso ritmo.

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