“tá de chuiba!? fixe…”

Não há fome que não dê em fartura. Não, não estou a falar no dumping day, um dia d’ontem que deveria ter sido do trabalhador mas afinal foi do consumidor. Os pingos doces de que falo são outros. Temos um clima favorável à nossa opção de ir de bicicleta para todo o lado, mas a chuva também acontece e, se São Pedro nos proporcionou um Verão em pleno Inverno agora oferece-nos um Inverno na flor da Primavera, vá-se lá perceber isso!

Quem é um ciclista regular já lidou muitas vezes com a chuva. Acredite ou não, é uma sensação que aprecio, não de levar com água no lombo mas a frescura e liberdade que é desafiar a chuvarada numa bicicleta porque às vezes é o mau tempo que nos prega uma surpresa. Se for apanhado pela chuva procuro um local abrigado e aguardo até que passe. Quando não tenho escolha senão continuar a pedalar, também é fácil de lidar com isso, um saco de plástico na cabeça improvisa. Caso esteja a chover a potes no momento que tenho de sair, saio a pedalar mesmo debaixo da borrasca mas com o equipamento adequado. Não tenham dúvidas que é uma experiência agradável.

O primeiro passo é mental. Com um pouco de prática, experiência e conhecimentos, pedalar à chuva requer alguns cuidados extra para uma viagem mais confortável. Um bom casaco com capuz, um par de calças impermeáveis, respiráveis e leves, adequadas para deslocações no molhado, irão manter a água afastada. Tenha em mente que o revestimento pode ressoar devido à transpiração corporal. Assim convém pedalar de uma forma mais lenta e suave para ficar mais seco. Se preferir pode levar uma muda de roupa para o trabalho ou deixá-la no trabalho. Regra de ouro é procurar não ficar molhado e manter-se quente, pois o frio e a humidade são uma maneira rápida de ficar doente. Usar botas impermeáveis ou cobrir os sapatos com capas de neoprene para os isolar irá manter os pés secos. Usar também luvas resistentes à água e um boné com pala é uma boa dica para a protecção dos olhos. É fundamental manter uma boa visibilidade da estrada. Usar óculos não é importante. Embora protejam os olhos da chuva e do spray, depois ao parar num semáforo vão certamente embaciar e deixá-lo praticamente cego.

Durante o tempo seco vai-se acumulando óleo e vários detritos que tornam as ruas e estradas mais escorregadias e perigosas, logo às primeiras chuvadas. Mantenha-se atento para pequenas manchas com bordas arco-íris no pavimento. Faça um esforço para evitar as superfícies metálicas, tais como tampas de esgoto, pavimentos de aço como os carris do eléctrico, marcações de trânsito pintadas como algumas passadeiras, folhas das árvores, pois todos esses elementos tornam-se muito escorregadios quando molhados. Tão divertido quanto pode parecer, deve evitar passar sobre as poças e redobrar cuidados nos pisos empedrados, pois pode encontrar buracos submersos pela água. Curvar com o piso molhado pode ser complicado e arriscado. Procure usar o corpo de modo a manter a bicicleta o mais direita possível. Ao fazer isso será capaz de curvar em segurança, reduzindo a velocidade e evitando o slide dos pneus, que inesperadamente pode acontecer devido aos traços pintados no pavimento e às invisíveis manchas de petróleo.

Ter na bicicleta um bom conjunto de pára-lamas é a maneira mais eficaz de evitar o spray vindo das rodas que molha o rabo e a cara. Um porta-couves com alforges impermeáveis é bom para transportar equipamento vulnerável à água, como laptops, documentos ou roupas de trabalho. Recomenda-se o uso de material fluorescente e ligar as luzes para ser notado entre a chuva e o nevoeiro.

É aconselhável verificar com regularidade a eficácia dos travões. A mistura da água e lama acaba por ser o meio mais rápido para corroer a borracha dos calços dos travões convencionais. Para além disso, a superfície de travagem nos aros fica coberta da borracha gasta e perde bastante eficiência na travagem. Planeie com antecedência e trave cedo. Usar um lubrificante mais consistente na corrente possa durar mais e não dilui tão rapidamente e dificilmente escorre para as rodas no contacto com a água.

Andar de bicicleta na chuva exige um pouco mais de cautelas do que é habitual mas que é bem divertido, lá isso é.

Sobre paulofski

Na bicicleta. Aquilo que hoje é a minha realidade e um benefício extraordinário, eu só aprendi aos 6 anos, para deixar aos 18 e voltar a ela para me aventurar aos 40. Aos poucos fui conquistando a afeição das amigas do ambiente e o resto, bem, o resto é paisagem e absorver todo o prazer que as minhas bicicletas me têm proporcionado.
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3 respostas a “tá de chuiba!? fixe…”

  1. josepemota diz:

    Olá Paulofski,

    bons conselhos, obrigado!

    Comecei há pouco tempo a andar de bicicleta.
    Vou para o trabalho e escola com ela. Tem sido uma experiência muito fixe.
    Não há dúvida que os cabelos ao vento, a perspectiva totalmente diferente que se tem das cidades (Lisboano meu caso) em comparação com a de carro valem todo o esforço.
    Não há dia que não sorria de satisfação quando me monto na bike para ir trabalhar…

    A chuva normalmente é um argumento muito utilizado para deixar as bicicletas em casa, a este propósito lembro-me sempre de uma frase de um amigo “não há dias bons e dias maus para andar de bicicleta, há é bom e mau equipamento ….”

    A menos que esteja um temporal desgraçado de chuva e vento não tenho deicado a bicicleta em casa nos dias de chuva. E assim pretendo continuar.

    abraços
    Zé Mota

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  2. paulofski diz:

    Pois faz muito bem Zé Mota. Nestes últimos dois anos ainda não houve dia que não tivesse saído de casa com uma das minhas bicicletas, ora para o trabalho, ora para um encontro de amigos, para uma pedalada desportiva ou simples passeio zen. O tempo que faz é uma mera questão psicológica.

    Abraços e continuação de boas pedaladas.

    Paulo

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  3. Exacto! Divertido e seco quando se tomam algumas pequenas medidas! 🙂

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apenas pedalar ao nosso ritmo.

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