Ora essa frase lida e sabida levou-me a pensar no poder do pedal e nas possibilidades que poderia ter para as nossas cidades, especialmente na Imbicta. A crise não poupa ninguém. Os problemas da mobilidade urbana afectam a todos, no entanto são mais notados no quotidiano da população de fracos recursos, famílias numerosas, gente jovem e estudante, nos mais velhos. As dificuldades de mobilidade não são apenas sentidas nas ruas desordenadas mas, cada vez mais, na gestão dos parcos orçamentos familiares, de quem necessita dos transportes públicos e/ou privados para se locomover. As políticas públicas de mobilidade urbana dependem muito do poder central e dos dinheiros comunitários, não sendo de todo pensadas para auxiliar as pessoas, quando muito para servir o mercado e o poder económico que este gera.
Aí entra a bicicleta. A bicicleta um veículo vantajoso e oferece à sociedade a aptidão suplementar de promover a mobilidade e igualdade. Muitos já percebem esta vantagem e aliaram a bicicleta como o seu veículo de eleição para o uso quotidiano. A bicicleta qualifica-se e promove-se como o meio de transporte por excelência. Afinal é o caminho mais justo e democrático para a construção de uma sociedade que privilegie a mobilidade por meio de transportes colectivos e não motorizados. A utilização regular da bicicleta, mesmo associada à utilização conjunta do transporte público e/ou do carro para qualquer tarefa, representa uma grande contribuição individual na mobilidade, na qualidade de vida social e na sustentabilidade ambiental. Tanto aqueles que pedalam regularmente quanto os que buscam meios alternativos para o fazer, reconhecem as dificuldades das grandes cidades, do volume de tráfego e da falta de um sistema viário perfeito. Uma vez que não é tolerável que cada um possua um carro e o use diariamente, o caminho mais justo e democrático à construção de uma sociedade que privilegie a consciência ambiental e a mobilidade, terá de ser privilegiada com a utilização de veículos colectivos e veículos não motorizados.
Muitos já deram conta disso, (isso dos benefícios do pedal para o nosso bolso bem retratado neste estudo britânico do impacto do ciclismo sobre as economias) e também gostariam de optar pela alternativa, só que ainda não encontraram incentivos e meios seguros para empreender a mudança. Evidentemente que a mobilidade não motorizada causa dificuldades acrescidas e para alguns, esses factores limitam a sua praticabilidade, mas não podemos aceitar estes argumentos de ânimo leve. No que toca à mobilidade não motorizada, percebesse que o Estado e as autarquias pouco têm feito e apenas reafirma o modelo rodoviário como essencial para o desenvolvimento quando a razão seria por exemplo a elaboração de regulamentos pelo Estado que privilegiem a mobilidade não motorizada. Falta, portanto, coragem política e consciência social aos gestores públicos para empreender uma autêntica revolução, já para não falar da falta de infra-estruturas cicloviárias e de outras condições de segurança para pedalar.
Nem todas as pessoas possuem a mesma destreza ou condições mentais para usar a bicicleta mas é ponto assente que se existissem sistemas viáveis de partilha de bicicletas, vias apropriadas, seguras e confortáveis, e um maior respeito por parte dos automobilistas, haveria mais gente corajosa a encarar o trânsito e dar ao pedal.




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