é um cimbalino com cheirinho, ó faxabôre

Continuando no mote do post anterior, pego no tema do dia e que muito se fala por todo o ciclo-movimento, o “cycle-chic”. Para quem leva a vida a pedalar, o que vestir ou não, não deveria ser uma mera questão de estilo mas sim de prática e possibilidade. Penso eu de que…


Antes de sair de casa, parece-me absurda a ideia de ter de pensar no que vestir para pedalar. Talvez porque o meu imaginário seja excessivamente repisado pela velocidade e aventura e eu pense logo em usar farpelas de licra, sapatos castanhola (toc-toc) e enfiar ou não o capacete. Seria pelo menos a prova cabal e inquestionável que iria sair para um longo passeio sentado no selim da levezinha em vez de ir picar o ponto. Mas de manhã bem cedo quando saio para o trabalho, e mais tarde para um outro local específico, tenho de planear bem as coisas. Mesmo gozando da frescura matinal é inevitável que chegue ao gabinete a transpirar. Uma ti-shêrte (deve ser assim que se escreve agora com o novo acordo!), umas calças de ganga, um par de sapatilhas, o designado “casual”, é a indumentária básica. Aliás, todo o meu guarda-roupa é “pedalável”. Depois só me resta ser comedido na pedalada, aproveitar o embalo e arejar a tromba. Não há sono ou ressaca matinal que resista! Para pedaladas curtas e tranquilas não preciso vestir roupas especiais. O interessante é que com a prática, debaixo de chuva ou de sol, pedalar é cada vez mais usual e banal (no sentido de não exigir grandes preparações). Até mesmo a mochila velha e rota a tiracolo serve às mil maravilhas para um alforge improvisado. E não se torna inusitado quando eu e uma das minhas biclas compartilhamos o elevador com algum dos meus vizinhos, de fato e gravata, sorriso amarelado e admirando a minha companhia com cara de tacho.

Mas até com um pique desportivo, a gente pode e deve ter estilo. Se o plano é pedalar dezenas de quilómetros então enfio o fato-macaco e ala que se faz tarde. Na estrada, eu gosto de pedalar com um certo ar sedento de adrenalina , bem como do plausível suor pelo esforço e prazer de escalar as subidas, movido apenas pelos próprios pés e pernas, mas sem o constrangimento de vestir indumentárias pintalgadas de publicidade. Não fosse tão puxado, até que encomendaria um mayôt henriette  ou um bib josephine à boutique… digo, ao café do ciclista, pois usar uma vestimenta mais desportiva,  mais fresquinha e confortável, é adequada à aventura e ao desejo de chegar a todos os lugares que possa conhecer.

Sobre paulofski

Na bicicleta. Aquilo que hoje é a minha realidade e um benefício extraordinário, eu só aprendi aos 6 anos, para deixar aos 18 e voltar a ela para me aventurar aos 40. Aos poucos fui conquistando a afeição das amigas do ambiente e o resto, bem, o resto é paisagem e absorver todo o prazer que as minhas bicicletas me têm proporcionado.
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2 respostas a é um cimbalino com cheirinho, ó faxabôre

  1. Paulo, desculpa, mas discordo totalmente contigo. Tenho uma profissão que me obriga a andar apresentável e não tenho paciencia para andar a mudar de roupa. Por isso é raro o dia em que saio de casa sem ser de camisa e sapatos mais ou menos clássicos. Até de gravata já fui trabalhar e até tenho fotografias que um dia publico no 1PNP.

    É tudo uma questão de relação velocidade/esforço.e isto aplica-se mesmo:

    http://www.yehudamoon.com/index.php?date=2011-07-07

    Um abraço.

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  2. paulofski diz:

    Miguel, mas acabas por concordar comigo. Para quem leva a vida a pedalar, o que vestir ou não, não deveria ser uma mera questão de estilo mas sim de prática e possibilidade, ou seja é como dizes “ tudo uma questão de relação velocidade/esforço”. Um exemplo:

    Se eu tiver que ir visitar os meus pais, na Praia da Madalena, logo após o trabalho, como tenho vestidas as roupas do dia-a-dia então terei de empreender uma pedalada suave. No regresso se quiser aligeirar distâncias e esforço então aproveito a “boleia” do funicular.

    Mas caso esteja em casa e pretenda cumprir o mesmo destino, aí saio com uma vestimenta mais desportiva, prática e apropriada à velocidade e ao esforço, dando-me até a possibilidade de no regresso optar por escalar a D. Pedro V ou dar a volta à cidade.

    Ou seja, vestindo qualquer tipo de roupas, clássicas, casuais ou desportivas, para pedalar basta manter um certo estilo, próprio, prático e confortável. Não é o hábito que faz o monge mas a bicicleta que nos faz ciclistas.

    Um abraço.

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apenas pedalar ao nosso ritmo.

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