coisas que também me fazem espécie

ciclista no passeio 1

Aqui e ali, em jornais, em blogues, tenho lido crónicas, opiniões, comentários avulsos cheios de sarcasmo e ressentimento. Quando se trata do gradual aumento de ciclistas em meio urbano, especialmente quando o obstinado ciclista reivindica a estrada como o seu meio natural, é porque está a estorvar o automobilista! Quando recorre ao expediente de circular no passeio, muitas vezes a fugir do car doom, porque é um inconsciente, porque é perigoso e assusta o peão! Iluminados colunistas da praça manifestam nos pasquins a sua aversão e descontentamento por terem de partilhar a via com as bicicletas (pag.2 para quem estiver interessado). Para sua conveniência, recorrem a argumentos capciosos, apontando o dedo aos perigos de andar de bicicleta, tentando na sua hipocrisia culpar os ciclistas de todos os problemas, sem no entanto reprovar e moralizar o mau comportamento dos restantes utentes da via pública. Depois, perante o contraditório, repetem os mesmos velhos chavões estereotipados, tendenciosos, generalizando, atirando para o mesmo saco todos os que dão ao pedal. E não os julgam por ignorância. É por burrice. Palavra de “fanático das bicicletas”.

A bicicleta como meio de transporte está numa encruzilhada. Uma necessidade para muitos, pedalar é uma questão de experiência. Para alguns, uma questão de coragem. Esses não se intimidam com os potenciais perigos que andar de bicicleta no trânsito pode representar. Muitos são ciclistas de longa data e adquiriram uma abordagem mais prática e orientada para pedalar em segurança. Defendem a prática do ciclismo veicular, incentivando outros a pedalar em consonância e respeitando as regras de trânsito. Defendem a ideia da bicicleta ter um lugar prioritário no código da estrada. Pedalar é diferente que conduzir um carro. Procura-se uma legislação mais específica e adequada à bicicleta na via pública, mantendo a sua dinâmica num contexto que foi feito à medida para o automóvel. É disso um exemplo a permissão de passar o semáforo vermelho em segurança nas viragens à direita, evitando o conflito com os carros. Este preceito já se verifica noutros países.

ciclista no passeio 2

Eis que outro tipo de “ciclista” vem à liça. Indivíduos, novos ou velhos, experientes ou não experientes, que andam de bicicleta de um modo e em locais não apropriados, sem medir as consequências das suas acções: circulam em contra-mão, pedalam erradamente nos passeios, atravessam inadvertidamente semáforos vermelhos e passadeiras. Com esse comportamento dão azo a comentários negativos, mas dão também a entender que as ruas não foram concebidas para as bicicletas. E, a bem da verdade, não foram. Assim como não foram uma grande parte das “ciclovias”. Quase todas as vias ciclaveis não passam da extensão do passeio. Outras são partilhadas, onde tanto o peão como o ciclista se sentem vulneráveis, sendo que pedalar pode ser mais perigoso que andar na estrada. Algumas pessoas censuram o ciclista que circula no passeio. Dou-lhes razão, em parte, mas custa-me aceitar que identifiquem qualquer um como o todo. Ninguém espere que todos os ciclistas vejam as coisas da mesma maneira. Um pouco de respeito e boa vontade de ambas as partes não faz mal a ninguém.

Afinal, se essa pessoa é um ciclista então ele ou ela deveria saber tudo sobre os deveres dos ciclistas e os benefícios do ciclismo. Não duvido que alguns desrespeitem como norma, e têm opiniões divergentes quando são recriminados. Sei bem que em algumas situações não têm outra solução e são “empurrados” para essa condução. Eu sou constantemente, e assumo que prevarico, mas procuro infligir a conduta de bom ciclista redobrando o cuidado e atenção. Não pretendo dar credibilidade aos argumentos do lóbi anti-ciclista, sei fazer a minha própria autocrítica e sei também reprovar o comportamento de outros ciclistas quando os vejo transgredir inconscientemente, sem que tenham motivos válidos para o fazer.

Sobre paulofski

Na bicicleta. Aquilo que hoje é a minha realidade e um benefício extraordinário, eu só aprendi aos 6 anos, para deixar aos 18 e voltar a ela para me aventurar aos 40. Aos poucos fui conquistando a afeição das amigas do ambiente e o resto, bem, o resto é paisagem e absorver todo o prazer que as minhas bicicletas me têm proporcionado.
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2 respostas a coisas que também me fazem espécie

  1. 5 estrelas paulofski!!abraço

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  2. Pingback: e quando é o ciclista que anda a pé! | na bicicleta

apenas pedalar ao nosso ritmo.

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